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Maria Raquel Brito
Publicado em 28 de maio de 2026 às 06:00
O inverno se aproxima e, com ele, o aumento dos casos de doenças respiratórias. Ao mesmo tempo, a adesão de idosos à vacina contra a gripe preocupa em Salvador. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 457 mil pessoas acima de 60 anos estão aptas a tomar o imunizante na capital baiana, mas apenas 151.747 vacinas foram aplicadas até o momento. Esse número equivale a pouco mais de 33% dos idosos habilitados. >
A vacinação contra a gripe teve início no dia 25 de março em Salvador. A campanha foi antecipada como estratégia para proteger a população antes do período de maior circulação do vírus influenza, comum nos meses mais frios do ano.>
Veja vacinas disponíveis no SUS e quando tomar cada uma delas
Segundo Paula Caroline Pinto, médica geriatra na clínica Florence, a baixa adesão vacinal é especialmente preocupante nos idosos. Ela explica que, para essa população, a gripe vai muito além de febre e mal-estar. >
“Pode evoluir para pneumonia e descompensar doenças crônicas como diabetes, cardiopatias e doenças pulmonares como bronquite e enfisema, além de aumentar muito o risco de hospitalização. Após uma infecção mais grave, muitos idosos apresentam perda muscular, fraqueza e fragilidade com perda importante de funcionalidade e autonomia. É muito comum o idoso melhorar da gripe, mas não conseguir voltar ao mesmo nível de independência que tinha antes”, diz.>
Isso acontece devido à imunossenescência, o envelhecimento do sistema imunológico, que faz com que pessoas acima de 60 anos fiquem mais suscetíveis a infecções mais graves.>
Entre os principais motivos para a baixa adesão, a médica destaca o medo de efeitos colaterais, a desinformação e a sensação de que a gripe é uma doença simples. Outro fator é a ideia de que não é necessário reforçar a imunização e que “uma dose basta”. Mas, às vezes, uma dose não basta – e é o caso da influenza. A infectologista Clarissa Cerqueira explica. >
“Algumas vacinas, principalmente as inativadas, que são de pedaços de vírus ou de bactérias, precisam de mais de uma dose para a gente conseguir reforçar a memória imunológica e fazer a produção de anticorpos. Algumas outras vacinas, que têm uma eficácia maior em dose única, são aquelas geralmente de vírus vivo atenuado. As vacinas do sarampo, caxumba, rubéola, catapora”, explica. >
Nadja de Carvalho Esteves, 78, e Flávio de Castro Esteves, 84, sabem bem a importância da vacina. O casal garantiu a imunização no fim de abril. “O que derruba o idoso não é a vacinação. O que derruba o idoso é a falta de atenção, a falta de carinho, a falta de respeito, o isolamento e não se sentir pertencido. A vacina é a segurança que a gente tem”, diz Nadja.>
Na família dos dois, uma tradição é comemorar de forma itinerante a trezena de Santo Antônio, no início de junho. Todos se reúnem e a festa acontece na casa de um parente a cada dia. Para curtir com eles, porém, todo mundo tem que estar protegido. “Tem muitos idosos na festa, muita gente com mais de 70 anos. Nós já botamos os filhos e os netos para participarem, para não perder a tradição. Mas a exigência é que todos estejam vacinados”, reforça Nadja.>
A família, aliás, é parte importante dessa equação. Os parentes dos idosos têm um papel fundamental tanto na garantia do acesso à vacinação quanto para relembrar as datas das vacinas e ajudar no combate às informações equivocadas que podem chegar até eles. >
“O apoio da família é importante para incentivar a adesão à vacinação principalmente para idosos mais fragilizados. Além disso, quando familiares também se vacinam, protegem indiretamente o idoso e toda a comunidade”, diz a geriatra Paula Caroline Pinto.>
Em Salvador, os idosos podem se vacinar em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF). O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30, exceto em feriados. >
Além da rede fixa, a vacinação também está disponível em ponto de grande circulação, como o Salvador Shopping, que, além da sala de vacinação, conta com um Centro de Vacinação que funciona de domingo a domingo, em horário estendido: de segunda a sábado, das 9h às 19h, e aos domingos e feriados, das 12h às 20h, sendo utilizado como apoio para facilitar o acesso da população e ampliar a cobertura vacinal durante a campanha.>
As equipes de vacinação também realizam ações extramuros, com a imunização de idosos em Instituições de Longa Permanência (ILPIs), além da vacinação domiciliar para pessoas idosas acamadas ou com dificuldade de locomoção, garantindo maior alcance da campanha e proteção dos públicos mais vulneráveis em diferentes contextos de cuidado. A vacina é gratuita em todos os pontos de imunização.>