Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Quase 70% dos idosos de Salvador ainda não tomaram vacina contra a gripe

Campanha de vacinação teve início em março

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 28 de maio de 2026 às 06:00

Vacinação contra a gripe
Vacinação contra a gripe Crédito: Arisson Marinho/ Arquivo CORREIO

O inverno se aproxima e, com ele, o aumento dos casos de doenças respiratórias. Ao mesmo tempo, a adesão de idosos à vacina contra a gripe preocupa em Salvador. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 457 mil pessoas acima de 60 anos estão aptas a tomar o imunizante na capital baiana, mas apenas 151.747 vacinas foram aplicadas até o momento. Esse número equivale a pouco mais de 33% dos idosos habilitados.

A vacinação contra a gripe teve início no dia 25 de março em Salvador. A campanha foi antecipada como estratégia para proteger a população antes do período de maior circulação do vírus influenza, comum nos meses mais frios do ano.

Vacina Meningocócica ACWY:  protege contra a doença meningocócica causada pelos sorogrupos A,C,W e Y. por Reprodução

Segundo Paula Caroline Pinto, médica geriatra na clínica Florence, a baixa adesão vacinal é especialmente preocupante nos idosos. Ela explica que, para essa população, a gripe vai muito além de febre e mal-estar.

“Pode evoluir para pneumonia e descompensar doenças crônicas como diabetes, cardiopatias e doenças pulmonares como bronquite e enfisema, além de aumentar muito o risco de hospitalização. Após uma infecção mais grave, muitos idosos apresentam perda muscular, fraqueza e fragilidade com perda importante de funcionalidade e autonomia. É muito comum o idoso melhorar da gripe, mas não conseguir voltar ao mesmo nível de independência que tinha antes”, diz.

Isso acontece devido à imunossenescência, o envelhecimento do sistema imunológico, que faz com que pessoas acima de 60 anos fiquem mais suscetíveis a infecções mais graves.

Entre os principais motivos para a baixa adesão, a médica destaca o medo de efeitos colaterais, a desinformação e a sensação de que a gripe é uma doença simples. Outro fator é a ideia de que não é necessário reforçar a imunização e que “uma dose basta”. Mas, às vezes, uma dose não basta – e é o caso da influenza. A infectologista Clarissa Cerqueira explica.

“Algumas vacinas, principalmente as inativadas, que são de pedaços de vírus ou de bactérias, precisam de mais de uma dose para a gente conseguir reforçar a memória imunológica e fazer a produção de anticorpos. Algumas outras vacinas, que têm uma eficácia maior em dose única, são aquelas geralmente de vírus vivo atenuado. As vacinas do sarampo, caxumba, rubéola, catapora”, explica.

Nadja de Carvalho Esteves, 78, e Flávio de Castro Esteves, 84, sabem bem a importância da vacina. O casal garantiu a imunização no fim de abril. “O que derruba o idoso não é a vacinação. O que derruba o idoso é a falta de atenção, a falta de carinho, a falta de respeito, o isolamento e não se sentir pertencido. A vacina é a segurança que a gente tem”, diz Nadja.

Na família dos dois, uma tradição é comemorar de forma itinerante a trezena de Santo Antônio, no início de junho. Todos se reúnem e a festa acontece na casa de um parente a cada dia. Para curtir com eles, porém, todo mundo tem que estar protegido. “Tem muitos idosos na festa, muita gente com mais de 70 anos. Nós já botamos os filhos e os netos para participarem, para não perder a tradição. Mas a exigência é que todos estejam vacinados”, reforça Nadja.

A família, aliás, é parte importante dessa equação. Os parentes dos idosos têm um papel fundamental tanto na garantia do acesso à vacinação quanto para relembrar as datas das vacinas e ajudar no combate às informações equivocadas que podem chegar até eles.

“O apoio da família é importante para incentivar a adesão à vacinação principalmente para idosos mais fragilizados. Além disso, quando familiares também se vacinam, protegem indiretamente o idoso e toda a comunidade”, diz a geriatra Paula Caroline Pinto.

Onde se vacinar em Salvador?

Em Salvador, os idosos podem se vacinar em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF). O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30, exceto em feriados.

Além da rede fixa, a vacinação também está disponível em ponto de grande circulação, como o Salvador Shopping, que, além da sala de vacinação, conta com um Centro de Vacinação que funciona de domingo a domingo, em horário estendido: de segunda a sábado, das 9h às 19h, e aos domingos e feriados, das 12h às 20h, sendo utilizado como apoio para facilitar o acesso da população e ampliar a cobertura vacinal durante a campanha.

As equipes de vacinação também realizam ações extramuros, com a imunização de idosos em Instituições de Longa Permanência (ILPIs), além da vacinação domiciliar para pessoas idosas acamadas ou com dificuldade de locomoção, garantindo maior alcance da campanha e proteção dos públicos mais vulneráveis em diferentes contextos de cuidado. A vacina é gratuita em todos os pontos de imunização.