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Réu confesso diz ter sido torturado e muda versão sobre mandante da morte de Mãe Bernadete

Durante júri, Arielson “Buzuim” afirma que acusou “Maquinista” sob pressão; acusação aponta estratégia de defesa

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 14 de abril de 2026 às 15:00

Caso Mãe Bernadete: júri acontece no fórum Ruy Barbosa
Caso Mãe Bernadete: júri acontece no fórum Ruy Barbosa Crédito: Reprodução

Durante interrogatório no plenário, o réu confesso Arielson da Conceição dos Santos, o “Buzuim”, afirmou que foi torturado por policiais para apontar Marílio dos Santos, o “Maquinista”, como mandante do crime. “Disse o que eles queriam ouvir”, declarou.

A fala ocorreu no Fórum Ruy Barbosa, durante o primeiro dia do julgamento dos acusados de matar a ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete. Para a acusação, a mudança de versão não passa de uma estratégia para proteger o suposto mentor intelectual do crime.

“Ele veio agora com uma versão conveniente, na frente dos jurados, de que teria sido obrigado a confessar e assinar documentos. Vejo isso como uma atitude desesperada da defesa e estou convencido de que o Conselho de Sentença irá julgar pela pena máxima”, afirmou o advogado da família da líder quilombola, Hédio Silva.

Mãe Bernadete por Reprodução

Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), os réus Marílio e Arielson fazem parte do Bonde do Maluco (BDM), sendo o primeiro apontado como líder do grupo. Mãe Bernadete foi morta em agosto de 2023 com 25 tiros.

Ainda durante o plenário, Arielson afirmou que a intenção era apenas "dar um susto" na vítima. Ele também atribuiu o excesso de disparos — 24 tiros, segundo sua versão — ao traficante conhecido como “BZ”, que será julgado em outro momento.

“Em nenhum instante da instrução processual, desde a fase de inquérito até a produção de provas, surgiu indício mínimo de prática de tortura ou de imposição de declarações por parte do Estado ao acusado. Isso nos mostra uma defesa conveniente, baseada em tentar contraditar uma prova que, ao nosso ver, é irrefutável”, declarou o promotor Raimundo Moinhos, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-BA.