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Wendel de Novais
Publicado em 16 de março de 2026 às 06:30
A morte da jornalista e servidora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Selma Barbosa Alves, em agosto de 2013, chocou Salvador pela rapidez e brutalidade do crime. A vítima foi morta com um tiro na cabeça durante um assalto no bairro do Costa Azul, quando apenas deixava uma amiga em casa. O latrocínio — roubo seguido de morte — ocorreu na madrugada de 12 de agosto daquele ano, na Rua Arthur de Azevedo Machado. Selma tinha 53 anos e trabalhava havia mais de duas décadas na Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom). >
Naquela noite, Selma havia passado horas estudando com uma colega do curso de pós-graduação em Gestão de Processos Universitários. Como já era tarde, decidiu levá-la até o prédio onde morava. Ao estacionar o carro em frente ao condomínio, a jornalista foi surpreendida por dois homens que chegaram em um Celta e fecharam o veículo da vítima. Um dos assaltantes desceu armado, anunciou o roubo e, em questão de segundos, disparou contra Selma. Mesmo sem reagir, ela foi baleada na cabeça dentro do próprio carro. >
Depois do disparo, os criminosos retiraram o corpo da vítima do veículo e fugiram levando o Fiat Punto. A amiga que estava com Selma conseguiu correr para dentro do prédio e não foi atingida. Imagens de câmeras de segurança registraram toda a ação, que durou cerca de 15 segundos.>
Morte de Selma causou comoção e revolta em Salvador
Crime começou horas antes >
A investigação apontou que o crime foi cometido após uma sequência de assaltos realizados pela dupla naquela mesma noite. Horas antes de abordar Selma, os suspeitos roubaram um Celta preto de um cliente de banco no bairro de Itapuã. Foi justamente esse veículo que usaram para interceptar o carro da jornalista. >
Depois do disparo, eles fugiram com o carro da vítima em direção à região do Aeroclube. Viaturas da Operação Gêmeos, da Apolo e da Rondesp Atlântico chegaram a perseguir os criminosos. Durante a fuga, os assaltantes abandonaram o carro após bater no meio-fio e escaparam por uma rede de esgoto. >
Celular perdido ajudou a identificar dupla >
O caso foi investigado pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV). Um detalhe acabou sendo decisivo para identificar os responsáveis: um celular perdido por um dos suspeitos durante a fuga. A partir do aparelho, policiais conseguiram chegar aos dois envolvidos no crime. >
Os suspeitos foram identificados como Raimundo Santana Portela Filho, conhecido como “Buda Preto”, e Roberval Bispo de Souza, apelidado de “Piloto”. Buda Preto foi preso em Salvador dois dias após o crime. Já Piloto foi localizado na cidade de Irará, a cerca de 120 quilômetros da capital baiana, onde se escondia na casa da família. >
Durante o depoimento, Raimundo confessou ter efetuado o disparo que matou a jornalista, alegando que o tiro teria sido acidental. Os dois homens foram denunciados pelo Ministério Público por latrocínio e acabaram condenados pela Justiça da Bahia em abril de 2014. >
Raimundo Santana Portela Filho recebeu pena de 23 anos e nove meses de prisão em regime fechado, apontado como autor do disparo. Já Roberval Bispo de Souza foi condenado a 22 anos e seis meses de reclusão por participação no crime. A Justiça considerou a ação extremamente violenta e destacou o histórico criminal da dupla, que já respondia a processos por roubo. >
Comoção e protesto >
A morte de Selma provocou forte comoção entre colegas de trabalho, estudantes e amigos. A jornalista coordenava o Laboratório de Vídeo da Faculdade de Comunicação da Ufba e era conhecida pelo perfil tranquilo. Funcionários e estudantes realizaram uma caminhada em Salvador pedindo justiça e cobrando medidas contra a violência. A manifestação saiu da Reitoria da Ufba, no Canela, e seguiu até a sede da Polícia Civil, na Praça da Piedade.>
Selma nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e planejava se aposentar em 2015 para voltar a viver na cidade natal. Após o velório em Salvador, o corpo foi levado para a capital potiguar, onde foi sepultado ao lado de familiares. Mais de uma década depois, o caso ainda é lembrado pela brutalidade do crime e pela rapidez com que a investigação levou à prisão e condenação dos responsáveis.>