Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

PMs presos e grupo de extermínio revelado: o desfecho da chacina de cinco moradores de rua que chocou Salvador

Relembre o crime na Boca do Rio, a investigação e como policiais militares acabaram presos

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 9 de março de 2026 às 05:30

PMs foram presos por chacinas em Salvador
PMs foram presos por chacinas em Salvador Crédito: Reprodução

A execução de pessoas em situação de rua no bairro da Boca do Rio, em Salvador, em fevereiro de 2012, se tornou um dos episódios mais emblemáticos da violência registrada durante a greve da Polícia Militar na Bahia naquele ano. O crime, que deixou cinco mortos e dois feridos, levou à investigação e prisão de policiais militares suspeitos de integrar um grupo de extermínio.

Na madrugada de 3 de fevereiro de 2012, homens armados abriram fogo contra um grupo de pessoas em situação de rua que estava na Avenida Jorge Amado, na Boca do Rio. Cinco vítimas morreram e outras duas ficaram feridas no ataque. O episódio ocorreu durante a greve parcial da Polícia Militar no estado, iniciada dias antes. Naquele período, Salvador e região metropolitana registravam um aumento expressivo nos índices de violência.

Desde o início, a investigação considerou a possibilidade de execução, e testemunhas relataram que os autores chegaram armados e atiraram contra as vítimas, que dormiam ou estavam reunidas no local.

Soldado Donato Ribeiro por Reprodução

Investigação e suspeitas contra policiais

A investigação na época ficou sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que identificou indícios da participação de policiais militares no crime. Poucos dias após o ataque, dois soldados da PM foram presos suspeitos de participação na chacina: Donato Ribeiro Lima, de 47 anos, e Willen Carvalho Bahia, de 34.

Os dois eram acusados de executar os moradores de rua e de atirar contra outras duas pessoas que sobreviveram ao ataque. Donato foi preso em casa, no bairro de São Caetano, onde policiais apreenderam munições, celulares e outros materiais. Já Willen foi detido no próprio local de trabalho, no Comando de Operações da Polícia Militar, no bairro dos Aflitos.

Ambos eram lotados na 39ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), responsável pelo policiamento na região da Boca do Rio, onde o crime foi registrado. Apesar da prisão, os dois foram liberados pela Justiça para responder em liberdade, mas voltaram a virar alvos de mandado de prisão. Willen passou meses foragido até se entregar à polícia em 22 de janeiro de 2013.

Grupo de extermínio

As investigações do DHPP indicaram que o crime poderia ter sido cometido por um grupo de policiais suspeitos de integrar um grupo de extermínio. Outros dois PMs também foram apontados como participantes: Samuel Oliveira Menezes, o Marrom, e Jair Alexandre Silva dos Santos.

Marrom se apresentou à polícia alguns dias depois do crime e teve a arma funcional apreendida para perícia. O policial era investigado por envolvimento em pelo menos nove homicídios ocorridos na capital baiana. Jair foi preso em seguida ao se entregar.

A polícia também passou a investigar a ligação do grupo com outros crimes. Entre eles, um triplo homicídio ocorrido no bairro da Engomadeira, no mesmo dia da chacina da Boca do Rio. Testemunhas afirmaram que os autores se identificaram como policiais antes de executar as vítimas, que foram obrigadas a se ajoelhar antes dos disparos.

Segundo a Polícia Civil, os quatro soldados também eram suspeitos de atuar em serviços clandestinos de segurança para comerciantes e traficantes em bairros de Salvador.

Prisões e conclusão do inquérito

Com o avanço das investigações, os policiais suspeitos foram sendo presos ao longo de 2012 e início de 2013. Em janeiro daquele ano, três (Donato, Willen e Marrom) deles já estavam custodiados no Batalhão de Choque da Polícia Militar, em Lauro de Freitas, enquanto outro integrante do grupo ainda era procurado.

A partir das prisões e da divulgação das fotos dos suspeitos, novas denúncias surgiram, permitindo que investigadores relacionassem o grupo a outros assassinatos na capital baiana. Com a captura do último policial envolvido, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a chacina e encaminhou o caso à Justiça.

A chacina da Boca do Rio permanece como um dos episódios mais graves de violência contra pessoas em situação de rua em Salvador. O caso ganhou repercussão pela suspeita de participação de agentes do próprio Estado na execução das vítimas e pela ligação com outras mortes atribuídas ao mesmo grupo de policiais.

Tags:

Salvador pms Presos Chacina da Boca do rio Moradores de rua 2012