Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

A Câmara Hiperbárica é mesmo a "fonte da juventude" ou apenas um luxo arriscado?

Enquanto influenciadores e astros como Neymar impulsionam a moda do oxigênio puro para fabricar colágeno, a ciência alerta que sem indicação médica, o "mergulho no seco" pode custar caro

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 10 de abril de 2026 às 12:30

Jatinho de Neymar
Jatinho de Neymar Crédito: Reprodução

Se você costuma dar aquela espiada básica nas redes sociais, certamente já cruzou com algum influenciador — ou quem sabe o próprio Neymar — dentro de um "sarcófago" moderno, respirando como se estivesse em uma missão espacial. A câmara hiperbárica virou o novo acessório de luxo dos ricos e famosos, que juram de pés juntos que o procedimento produz colágeno, melhora a cognição e até "limpa" o intestino. No entanto, o que muita gente não sabe é que essa máquina, originalmente desenhada para tratar casos graves como o "pé diabético" ou mergulhadores que sobem rápido demais para a superfície, está sendo vendida como um elixir da juventude sem qualquer comprovação científica para fins estéticos. O contraste é quase cômico: enquanto a ciência usa o equipamento para evitar amputações e tratar gangrenas, as redes sociais o indicam para tentar apagar rugas.

O Segredo de Henry: por que respirar sob pressão funciona?

Para entender a mágica por trás do equipamento, precisamos voltar às aulas de física. Em condições normais, o oxigênio que respiramos é transportado pelas hemácias, as nossas "cestinhas" de transporte no sangue, mas há um limite de carga que elas suportam. A câmara hiperbárica, ao aumentar a pressão em duas ou três vezes a da atmosfera, utiliza a chamada Lei de Henry para fazer o oxigênio se dissolver diretamente no plasma sanguíneo, ignorando a necessidade das tais cestinhas. Isso cria um "caminhão" de oxigênio disponível para as células, o que é um verdadeiro milagre para tecidos que estão morrendo por falta de circulação. É por isso que o tratamento é tão eficaz para feridas complexas, como queimaduras e lesões de difícil cicatrização, já que o excesso de oxigênio acelera o trabalho das células para fechar o corte e ainda ajuda a matar bactérias que detestam o gás, funcionando como um reforço potente para os antibióticos.

Veículos de luxo de Neymar por Reprodução/Instagram

A farra do pós-operatório e a ausência de provas

Apesar desses benefícios reais em casos críticos, a moda agora é fazer sessões após cirurgias plásticas rotineiras. Influenciadores digitais afirmam que o procedimento é obrigatório para uma boa recuperação, mas a verdade científica é menos glamorosa. Não existe nenhum respaldo para recomendar a oxigenoterapia hiperbárica para pacientes saudáveis que não apresentaram complicações cirúrgicas. O uso "preventivo" ou puramente estético configura apenas um gasto desnecessário de dinheiro. No caso do rejuvenescimento celular, a situação é ainda mais nebulosa, pois não há evidências de que respirar oxigênio puro sob pressão vá transformar alguém de 50 anos em um jovem de 20, independentemente do que o "doido milionário" da vez diga em seu perfil no TikTok.

O preço de usar sem necessidade

No fim das contas, a câmara hiperbárica é uma ferramenta fantástica da medicina que está sendo "sequestrada" pelo marketing da vaidade. Enquanto ela salva vidas em casos de envenenamento por monóxido de carbono ou infecções ósseas graves, seu uso como "tratamento estético" configura apenas um gasto financeiro pesado e uma exposição desnecessária a riscos. Antes de seguir o conselho da sua blogueira favorita e se trancar em um tubo de pressão, lembre-se que o corpo humano é complexo e que, às vezes, o melhor caminho para a saúde não está nas redes sociais, mas em indicações médicas baseadas em evidências reais.

O conteúdo desta matéria foi extraído do vídeo "Câmara Hiperbárica: realmente útil ou só modinha?", publicado no canal Nunca vi 1 cientista.