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Carol Neves
Publicado em 28 de abril de 2026 às 08:33
Melhorando o desempenho físico, um fator foi determinante para o resultado histórico de Sabastian Sawe na Maratona de Londres: a estratégia de ingestão de carboidratos levada ao limite. >
Ao longo da prova, o queniano consumiu em média 115 gramas de carboidrato por hora - um nível considerado próximo do máximo que o corpo humano consegue absorver durante exercícios de resistência. O número supera com folga a faixa tradicional adotada por maratonistas, que costuma variar entre 60 e 90 gramas por hora.>
Esse ajuste não foi improvisado. Segundo o site especializado Marathon Handbook, durante um ano de preparação Sawe trabalhou com especialistas em nutrição esportiva para desenvolver um protocolo específico, focado não apenas na quantidade, mas na capacidade do organismo de tolerar e utilizar esse volume de energia em alta intensidade.>
Carboidratos e açúcares
"Quem já viu Sabastian correr sabe que ele é um atleta extraordinário. O que talvez não seja tão conhecido é que ele também é um dos melhores da história em estratégia de alimentação durante a maratona", afirmou Joshua Rowe, responsável pela área de tecnologia esportiva da equipe que acompanhou o atleta.>
Treinar o corpo - e o intestino>
Um dos pilares do plano foi o chamado “treino do intestino”. A ideia é simples: assim como músculos se adaptam ao esforço, o sistema digestivo também pode ser condicionado.>
Nos treinos mais longos, Sawe repetia exatamente o padrão de ingestão que utilizaria na prova, consumindo carboidratos em intervalos regulares. O objetivo era reduzir riscos de desconforto gastrointestinal e aumentar a eficiência na absorção.>
Para isso, foram utilizados produtos com formulação específica, pensados para facilitar a passagem dos carboidratos pelo estômago e melhorar sua utilização como combustível durante a corrida.>
Testes para chegar ao limite>
A definição da estratégia envolveu uma bateria de exames e medições. Entre eles, análises para identificar quanto do carboidrato ingerido era efetivamente absorvido, além de avaliações de gasto energético, lactato, VO2 máximo e resposta do corpo ao esforço prolongado.>
"Não deixamos nada de lado. Fizemos testes e análises aprofundadas para orientar tanto a nutrição quanto o treinamento", disse Rowe.>
Energia na medida certa, no momento exato>
No dia da prova, a ingestão foi planejada de forma precisa, com volumes e intervalos definidos ao longo do percurso. A estratégia combinou bebidas energéticas e géis, incluindo versões com cafeína em momentos-chave da corrida.>
O resultado foi a manutenção de um ritmo extremamente elevado do início ao fim, sustentado por uma oferta constante de energia.>
Tecnologia também entra na conta>
Os avanços nos equipamentos ajudam a explicar o novo patamar das maratonas. Sawe correu com o Adidas Pro Evo 3, modelo que integra a categoria das chamadas supersapatilhas. Com placa de carbono e construção extremamente leve, o calçado aumenta a eficiência da passada e reduz o gasto energético. Em provas de alto nível, ganhos mínimos na mecânica podem se traduzir em segundos preciosos - e, nesse cenário, cada segundo conta.>
Controle mental em ritmo extremo>
A preparação não se limitou ao físico e à nutrição. O componente psicológico teve papel central na execução da prova. "Tive coragem para continuar a dar o meu melhor, mesmo com um ritmo tão acelerado", disse Sawe. "Não me senti incomodado porque estava preparado para isso. O público ajudou-me imenso, pois estava a torcer, a gritar o meu nome e a transmitir-me força. O recorde mundial de hoje também se deve a eles.">