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Sem nível seguro: álcool em qualquer dose aumenta risco de demência, aponta pesquisa

Estudo com 559 mil pessoas muda visão sobre álcool e saúde do cérebro

  • Foto do(a) author(a) Agência Einstein
  • Agência Einstein

Publicado em 28 de abril de 2026 às 09:00

Bebidas alcoólicas, por vezes, são usadas como um caminho para atravessar dificuldades psíquicas e emocionais (Imagem: Viiviien | Shutterstock)
Bebidas alcoólicas Crédito: Imagem: Viiviien | Shutterstock

O consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades, está ligado a um aumento progressivo no risco de demência. Um estudo publicado recentemente no periódico BMJ desafia a ideia de que doses moderadas poderiam proteger o cérebro. Ao combinar dados observacionais com análise genética de mais de 559 mil pessoas, os pesquisadores encontraram uma relação linear entre maior propensão ao alcoolismo e maior risco da doença — sem evidência de um nível seguro de consumo.

Após avaliar dados de dois grandes bancos de dados — o Million Veteran Program, dos Estados Unidos, e o Biobanco do Reino Unido —, os autores reuniram informações dos participantes com idades entre 56 e 72 anos. Diferentemente de estudos anteriores, baseados apenas em observação, o trabalho incorporou uma análise genética para investigar a predisposição tanto ao alcoolismo quanto à demência.

O lúpulo da cerveja é rico em antioxidantes que protegem suas células e sua saúde por Shutterstock

Os resultados indicam uma associação linear: quanto maior for a propensão ao consumo problemático de álcool, maior o risco de demência. Na prática, um aumento de duas vezes no risco de alcoolismo esteve ligado a uma elevação de 16% na probabilidade da doença neurodegenerativa. Esse achado contrasta com pesquisas anteriores que apontavam uma curva em “U”, na qual tanto abstêmios quanto grandes consumidores apresentariam maior risco, enquanto níveis moderados estariam associados a um possível efeito protetor.

“Sabe-se que o álcool é tóxico ao sistema nervoso central”, pontua o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Einstein Hospital Israelita. E o estudo reforça o papel da vulnerabilidade individual. “Quem tinha tendência à bebida e à demência teve esse risco amplificado ao beber”, observa. No entanto, há ressalvas quanto à metodologia, como a falta de diversidade genética da amostra.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe nível de ingestão alcoólica completamente seguro. A substância está associada a mais de 200 doenças e o risco varia conforme fatores como quantidade ingerida, frequência, idade, sexo, condições de saúde e contexto de consumo.