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Cálculos renais crescem 30% no verão e especialistas alertam: nem toda bebida hidrata

A água ajuda a regular a temperatura corporal e é essencial para o pleno funcionamento dos rins

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 05:00

Cálculos renais crescem 30% no verão e especialistas alertam: nem toda bebida hidrata
Cálculos renais crescem 30% no verão e especialistas alertam: nem toda bebida hidrata Crédito: Pexels

Mais horas sob o Sol, mais calor na praia e bastante bebida alcoólica - geralmente, cerveja. Para muita gente, é a receita de um verão perfeito. No entanto, pode representar um perigo a mais para a saúde - em especial, dos rins. No verão, o número de casos de cálculos renais aumenta 30%, de acordo com a literatura científica, e, por isso, médicos alertam para a desidratação nessa época do ano.

Com as altas temperaturas, o excesso de transpiração do período se une a outros hábitos que geram perda hídrica. “No verão, a gente tem maior exposição ao ar livre, calor intenso e o paciente acaba transpirando mais, além de ingerir bebida alcoólica, que tem um efeito diurético, devido à inibição do hormônio ADH (hormônio antidiurético)", diz a médica nefrologista Manuela Lordelo, que atua no Instituto de Nefrologia Alayde Costa e no Hospital Ana Nery.

Cerveja - como o álcool em geral, desidrata o corpo porque é um diurético por imagem: PxHere

Para completar, a dieta das férias também pode contribuir para esse quadro, já que muita gente prioriza uma alimentação rica em sal. “Isso faz com que a pessoa elimine mais cálcio na urina", acrescenta a médica.

Conhecido popularmente como ‘pedra no rim’, o cálculo renal é uma formação de massas sólidas nos rins devido ao excesso de sais na urina, como o oxalato de cálcio. Em geral, a maioria deles é envolvida por oxalato de cálculo, mas, no núcleo do cálculo, é possível encontrar outras causas, como o excesso de ácido úrico na alimentação de pacientes que têm infecção urinária de repetição.

“Ele surge quando a urina fica muito concentrada, geralmente por baixa ingestão de líquidos. Os sintomas mais comuns são dor forte na região lombar, que pode irradiar para a barriga ou virilha, náuseas, vômitos, ardor ao urinar e sangue na urina. Alguns cálculos pequenos podem não causar sintomas", explica o médico urologista Nilo Jorge Leão, coordenador da Urologia do Hospital Mater Dei Salvador, do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica e da⁠⁠ uro-oncologia das Obras Sociais Irmã Dulce.

Cálculos renais com até 0,8 cm têm chances de serem expelidos de forma espontânea. A partir disso, é preciso consultar um médico. Geralmente, a dor vem quando o cálculo está se deslocando pela via urinária.

“Cálculos pequenos podem ser eliminados espontaneamente com hidratação, controle da dor e, em alguns casos, medicação. Cálculos maiores, que causam dor persistente, infecção ou obstrução do rim, podem exigir tratamentos como quebra da pedra por ondas de choque ou procedimentos endoscópicos minimamente invasivos. A maioria dos casos não necessita de cirurgia aberta”, acrescenta Leão.

Baiana de acarajé em Salvador por Fernando Barbosa/Ascom Ipac

Ingestão diária

Segundo a médica nefrologista Manuela Lordelo, a água ajuda a regular a temperatura corporal e é essencial para o pleno funcionamento dos rins, que, por sua vez, são responsáveis por filtrar as toxinas do sangue. Sem esse processo, a consequência é que a desidratação pode sobrecarregar os órgãos e prejudicar sua função.

Por isso, há um cálculo mínimo da quantidade de água que uma pessoa adulta deve beber por dia - entre 30ml e 50ml por quilo do peso da pessoa. Assim, normalmente chega-se à média conhecida de beber pelo menos 2,5 litros de água por dia. Mas uma dica prática é observar a desidratação é checar a cor da urina. Se ela está em um tom de amarelo claro, é um sinal de boa hidratação. Mas se a urina estiver muito concentrada, é um indicativo de desidratação. Nesse caso, a recomendação de Manuela é que a pessoa beba de dois a três copos de água após ir ao banheiro.

“Tem pacientes que não toleram muita água, então nós podemos usar algumas técnicas, como água saborizada com limão e abacaxi. Água de coco é válida, por ser rica em citrato e ajuda a não formar pedras nos rins”, diz a nefrologista.

De acordo com o médico urologista Nilo Jorge Leão, coordenador da Urologia do Hospital Mater Dei Salvador, a principal forma de hidratação ainda é com a água, que pode ser com ou sem gás. “Sucos naturais contam parcialmente, desde que sem excesso de açúcar. Refrigerantes, especialmente os à base de cola, e bebidas alcoólicas não devem ser considerados como hidratação, pois aumentam o risco de cálculo renal", alerta.

Além disso, chás diuréticos, como de hibisco e algumas misturas de ervas, devem ser evitados, segundo a médica nefrologista Manuela Lordelo. A mesma dica vale para chá preto e alimentos como beterraba e chocolate, que são ricos em oxalato.

“No verão, sempre digo aos pacientes que não é proibido fazer a ingestão de bebida alcoólica, mas oriento que a pessoa beba água também, para poder hidratar”, diz. Na dieta, é mais indicado dar prioridade a frutas, saladas e carnes magras. Comidas com fritura e sal em excesso prejudicam a função renal.

A água que deve ser consumida durante a prática de atividade física não entra na conta do mínimo obrigatório para o dia, uma vez que, durante o exercício, a pessoa está transpirando mais.

“O quanto a pessoa deve beber depende da intensidade da atividade física, mas o ideal é pelo menos meio litro de água a cada hora de atividade física. Mas a corrida, por exemplo, gera um estresse muscular e, somado à desidratação com o calor, pode evoluir para a rabdomiólise”, pondera a médica, referindo-se ao quadro grave em que as fibras musculares esqueléticas se rompem e que pode levar a consequências como insuficiência renal e até à morte.