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Verão sem ressaca: como a estação das festas e da 'bagaceira' se tornou o auge da geração saúde

Com o crescimento da wellness economy, verão deixou de ser um 'projeto' para dar lugar à atividade física, ao cuidado com o bem-estar e aos programas mais leves

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 05:00

Raíssa Ferreira, 22 anos, que pratica jiu-jítsu e de crossfit, se define como uma atleta ‘híbrida’
Raíssa Ferreira, 22 anos, que pratica jiu-jítsu e crossfit, se define como uma atleta ‘híbrida’ Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Quando saiu de Salvador para passar as festas de fim de ano e as primeiras semanas de janeiro em Guarajuba, no Litoral Norte baiano, a estudante de Medicina Julia Malvar, 26 anos, já tinha planos certos para aproveitar o verão: praticar o máximo de atividade física que puder. “Tenho uma rotina muito corrida, porque também trabalho como social media. Durante as aulas, o exercício entra como uma forma de fugir do estresse. Mas, agora, no verão, entrei de férias e a atividade física vai ser minha prioridade, porque vou ter mais tempo”, conta.

No período de aulas da faculdade, Julia já costuma correr quatro vezes na semana, nadar entre duas e três vezes por mês e fazer musculação diariamente. Agora de férias, ela pretende manter e até intensificar essa rotina. “Eu não bebo, não gosto de ir para festa, então essa vai ser minha diversão. Como eu corro, consigo fazer isso em qualquer lugar - na rua, dentro de um condomínio, até se tiver um espaço com caminho de terra dentro do mato. No mar, também dá para nadar”, explica.

Júlia Malvar já pratica corrida, natação e musculação, mas deixou a atividade física como prioridade nas férias e no verão por Acervo pessoal

Depoimentos como o de Julia se tornaram cada vez mais frequentes, em especial em meio ao crescimento da wellness economy (economia do bem-estar), nos últimos anos. A ‘febre’ do fitness engloba desde tendências de comportamento de pessoas que você conhece, no nível mais próximo possível, a um mercado que movimentou US$6,8 trilhões somente no ano passado, de acordo com um relatório divulgado pelo Global Wellness Institute, em novembro. O Brasil, que era o 12º país de maior peso para essa economia, segundo um ranking da entidade feito em 2023, chega a movimentar US$100 bilhões anuais.

No nível individual, essa tendência tem refletido uma virada de chave. Até poucos anos atrás, o verão era um ‘projeto’ para muita gente que praticava atividade física. No fim do ano, era comum ver academias lotadas com o foco em deixar o corpo “preparado” para o verão. Quando a estação realmente dava as caras, contudo, era a hora de enfiar o pé na jaca: o foco era a cervejinha, petiscos, festas, dias intensos, noites mal dormidas e desidratação. Academia de novo só em março.

Não que não exista muita gente que continue assim. No entanto, o verão saúde - sem ressaca, da atividade física, do cuidado com o bem-estar e dos programas mais leves - se apresenta agora como uma realidade que vai caminhar junto com a ‘bagaceira’ e que talvez até a supere.

“O antigo ‘projeto verão’ vem dando lugar a um movimento de bem-estar contínuo. O crescimento das atividades e do uso de suplementos para facilitar a rotina confirma essa virada de chave: o wellness deixou de ser uma tendência pontual para se tornar um estilo de vida”, avalia a empresária Manu Moscoso, CEO da Nutrition’all, marca baiana do segmento de suplementação.

Se para outros segmentos, as vendas entre dezembro e janeiro são mais paradas, o período já se consolidou como um momento de aumento significativo de demanda de clientes para a marca. “Embora estejamos finalizando os dados da temporada atual, os verões de 2024 e 2025 registraram crescimento médio de aproximadamente 30% no período”, adianta Manu.

Segundo ela, os produtos mais procurados incluem a creatina micronizada, usada para força e recuperação, shots matinais antioxidantes e whey em sachês para viagem. “Há um movimento claro em direção à suplementação inteligente: produtos que ajudem o corpo a se recuperar mais rápido de treinos, noites mais curtas, sol intenso e rotina naturalmente mais ativa, mantendo a imunidade elevada”.

No 'verão sem ressaca', estabelecimentos como o Mana têm despontado como pontos de encontro do pós-treino e da vida ativa em Salvador por Mana/Divulgação

Equilíbrio

Há casos de quem não abre mão da cervejinha, do sol e do calor nesse período. Mas mesmo esses momentos são pensados para evitar a ressaca e garantir o treino no dia seguinte. Essa é a filosofia da recepcionista Raíssa Ferreira, 22 anos, que é atleta de jiu-jítsu e de crossfit. Na verdade, ela se define como uma atleta ‘híbrida’.

“É algo que vejo que vem crescendo - atletas que tomam sua cerveja, mas no dia seguinte estão lá correndo, praticando Cross ou seu esporte preferido. Todo mundo tem percebido que não precisa abdicar de uma coisa para ter outra. Dá para se divertir e cuidar da saúde e do bem-estar”, analisa Raissa, que começou a praticar jiu-jítsu aos 14 anos.

No verão, ela se divide bem - treina de segunda a sábado e, nos horários livres, aproveita para ir à praia ou a um churrasco com os amigos. Há dois meses, começou a praticar remo uma vez por semana.

Se por acaso pegar pesado numa festa ou na bebida num dia, ela decide pela constância no dia seguinte. Mesmo que acorde com alguma dor, vai para o treino. “Para mim, funciona como uma ajuda. Claro que pego mais leve, mas tem a questão do suor, aquela resistência, aquele impacto. Quando acaba, tomo um banho, relaxo e tudo vale a pena. O projeto verão é algo que você sente que vai por água abaixo, mas manter o treino vivendo o verão é muito mais animado, além de fazer muito bem para a saúde. Tudo fica melhor”, enfatiza.

O ‘verão sem ressaca’ sintetiza uma rotina que tem sido observada tanto na Race Bootcamp, complexo fitness focado em treino que mistura funcional com tiros na esteira, e do Vidya Studio Salvador, estúdio de hot yoga. Sócia dos dois empreendimentos, Evelyn Mendes acredita que a cultura do wellness tornou o movimento como parte do autocuidado, da rotina e da saúde emocional. “Os clientes querem uma vida sem ressaca, ou seja, com mais energia e menos excessos e têm levado isso o ano inteiro, independente de ser verão ou não”, destaca.

Enquanto a Race atende quem quer treinos intensos, mas sem esgotamento físico, o Vidya atende a demanda por práticas que ajudam na recuperação, na consciência corporal e na regulação do estresse. Em janeiro, as aulas continuam lotadas.

“No período de fim de ano muitas pessoas saem de Salvador, mas, com isso, elas abrem espaço nas aulas para essas pessoas que não abandonam o exercício físico nas férias, porque sempre temos uma demanda muito alta e pessoas que acabam ficando de fora”, explica. Desde o início, segundo Evelyn, a procura pelas aulas nos dois empreendimentos tem sido constante e, em alguns momentos, maior do que as expectativas.

Incentivo

Quem está no esporte há mais tempo vê o crescimento do interesse de outras pessoas por mais modalidades. Nesse contexto, talvez nenhuma atividade tenha ganhado tantos novos adeptos quanto a corrida. Desde que começou a treinar com uma assessoria, há cerca de dois anos, a estudante de Medicina Julia Malvar viu ainda mais pessoas chegarem.

"Estava crescendo, mas não como hoje, que vejo de uma forma positiva. Quanto mais a gente corre e posta, mais incentiva outras pessoas. Também é um esporte barato. Você pode encarecer, claro, mas, no geral, é um esporte muito barato e é fácil de poder sair com alguém e caminhar".

Aos poucos, ela conta que os praticantes veem o corpo se acostumar a dormir cada vez mais cedo e acordar mais cedo, já que a maioria das pessoas prefere treinar quando o Sol está nascendo - e, portanto, faz menos calor. "Quando a gente sai, não dá para exagerar, porque no outro dia tem treino. Acaba mudando o estilo de vida e existe o runner's high (euforia do corredor), que é quando você tem um prazer tão grande na atividade física que acaba achando uma melhor recompensa do que com outras coisas", pontua Julia.

A ideia de promover socialização, mas também qualidade de vida e saúde foi um dos conceitos que inspirou o administrador Leonardo Machado e o professor de educação física e fisioterapeuta Jessé Coutinho a lançarem a Good Vibes, empresa especializada em aulas de canoa polinésia, há três meses.

As aulas são realizadas na Praia da Preguiça, mas os participantes seguem em direção a locais como a Gamboa, a Vitória, o Porto da Barra e Humaitá. "O grande ganho da canoa, além da atividade física, é a questão da interação", diz Leonardo. Por isso, o foco das aulas é menos na performance e mais na socialização, terapeutização e na canoa como ferramenta para trazer o treino para a rotina.

"Muitos alunos são pessoas que estão iniciando na canoa, são pessoas que não malhavam ou faziam aquelas atividades físicas e foram recebendo a picadinha da mosquinha para tentar", acrescenta.

As aulas são às terças, quartas e sextas, às 6h, e aos sábados, às 8h. Aos domingos, há horários para a modalidade passeio, que inclui banho de mar dependendo da disponibilidade do clube e dos clientes.

"A canoa teve um boom nos últimos dois anos, acho que porque muitas pessoas estão cansadas de ficar dentro de uma academia. A proposta de estar ao ar livre, dentro do mar, debaixo do Sol, remando com pessoas incríveis junto tem atraído muita gente. E você ainda consegue modelar seu corpo, ter performance e curtir a natureza", diz Jessé.

Moda

Esse movimento indica um estilo de vida que também influencia as demandas dos clientes para as empresas do segmento. Sócia da loja de moda fitness Cori Wellness Club, Joana Mello explica que a marca busca criar produtos que acompanham tanto a constância da prática de atividade física quanto a liberdade de movimento.

No verão, as clientes buscam ainda mais conforto, leveza e versatilidade. A demanda é maior por tecidos mais respiráveis e peças que possam ser usadas tanto nos treinos quanto em outros compromissos do dia, com um visual mais funcional.

“A moda fitness deixou de estar restrita às academias há bastante tempo. Hoje, ela está presente em caminhadas ao ar livre, viagens, momentos de lazer, encontros casuais, tarefas do dia a dia e até em ambientes de trabalho mais informais. Percebo que as clientes buscam roupas que representem um estilo de vida ativo, saudável e moderno, independente do ambiente em que estejam”, pontua.

Alimentação cria pontos de encontro da 'vida ativa' no verão

No 'verão sem ressaca', a alimentação tem um papel importante - inclusive nos momentos de socialização. Nesse contexto, alguns estabelecimentos têm despontado como pontos de encontro do pós-treino e da vida ativa em Salvador. Esse é o caso do Mana, que tem unidades no Porto da Barra e no Horto.

Sócio do Mana, Gustavo Nilo explica que, para a marca, o wellness não é uma tendência, mas uma mudança de comportamento. "As pessoas buscam coerência entre alimentação, movimento e bem-estar", diz.

Assim, ele acredita que as pessoas estão mais conscientes do impacto dos excessos. "A saúde virou um ativo valioso. O 'verão sem ressaca' representa o desejo de viver intensamente, mas com equilíbrio, garantindo energia, disposição e bem-estar no dia seguinte", acrescenta.

No verão, há um aumento médio de cerca de 25% no fluxo de vendas, especialmente na unidade da Barra. Os itens mais buscados são smoothies, sucos naturais e saladas. "Mesmo em uma cidade que vive o verão o ano inteiro, nesse período cresce a procura por produtos refrescantes, funcionais e de fácil digestão. O foco é menos açúcar, menos álcool e mais hidratação, energia e recuperação", diz Nilo.

Por isso, a marca costuma participar de eventos como o Fit Brunch e o Brunch Garden, que são eventos durante o dia com música e atividade física. O Fit Brunch, inclusive, terá sua quinta edição no próximo dia 24, no Candyall Guetho Square. O evento tem aulões funcionais com música ao vivo e ativações de marca.

E para quem não abre mão de bons drinks no verão, uma novidade que vem ganhando espaço são os chamados drinks funcionais. A CEO da Nutrition’all, Manu Moscoso, avalia que essa é uma forma leve e criativa de incentivar o consumo regular de suplementos.

“Ao substituir ingredientes mais calóricos por produtos da nossa linha, reduzimos o valor energético das bebidas e ainda adicionamos benefícios nutricionais. Drinks com whey ou colágeno, por exemplo, elevam o aporte proteico, favorecem a recuperação muscular e ajudam a reduzir os impactos do álcool no organismo. Assim, o consumidor socializa, celebra o verão e cuida da saúde ao mesmo tempo, adotando o lazer com propósito”, ensina.

Uma possível receita funcional é o cozumel adaptado. O drink de cerveja com sal na borda do copo inclui gelo, sumo de limão e pode receber uma dose de creatina.

Confira duas receitas de drinks com suplementos

Drinks funcionais são uma das apostas para a estação saúde, como aponta a Nutrition’all
Drinks funcionais são uma das apostas para a estação saúde, como aponta a Nutrition’all Crédito: Divulgação

Lemoncello Spritz

1 dose de Lemoncello

1 dose de shot matinal (Morning All, que leva glutamina, vitamina C e própolis ou outro da preferência) sabor limão

1 dose de espumante

Água com gás

Gengibre

Gelo

Cozumel

Limão + sal na borda

Cerveja

1 dose de Creatina

Sumo de meio limão

Gelo