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Maria Raquel Brito
Publicado em 22 de março de 2026 às 08:00
Será que a água que sai da torneira é realmente segura para beber? Essa e outras dúvidas, que parecem tão banais, permeiam o consumo do recurso mais essencial para o ser humano. Neste domingo (22), é celebrado o Dia Mundial da Água. Para comemorar à altura, o CORREIO ouviu pessoas que entendem do assunto para ajudar a responder as maiores perguntas em relação à água que chega em nossas casas. >
Água
Confira:>
Djalma Costa da Silva, engenheiro sanitarista e ambiental na empresa de tratamento de água Hidrotech Engenharia, explica que o ciclo da água envolve distribuição pelas companhias, passagem pelas estações de tratamento, segue pela rede de distribuição e, quando a água chega nas residências, o principal cuidado é com a manutenção dos reservatórios de água potável. >
“Uma boa prática é, por exemplo, a instalação de filtros centrais. Porque a concessionária de serviços de água, no nosso caso a Embasa [Empresa Baiana de Águas e Saneamento], pode produzir água de boa qualidade na saída das suas estações, mas perde o controle sobre essa qualidade ao longo do grande sistema de distribuição. O sistema de filtração central ajuda muito a garantir a limpeza dos reservatórios a cada ciclo de seis meses no máximo. Essa é a melhor prática”, diz.>
Existem requisitos para um bom filtro. Djalma Costa da Silva cita alguns: o primeiro é o dimensionamento adequado para a população da residência. O segundo ponto é prestar atenção nas certificações do filtro. >
“Existe uma norma ABNT que classifica esses filtros e o próprio Inmetro qualifica. Então, o melhor filtro para comprar é quando você vê na lateral o selo do Inmetro. Será um equipamento certificado e vem com o atributo de qualidade, que é o atributo da segurança da nave. Não é uma marca que vai referenciar o filtro melhor, mas sim a sua qualificação pelo Inmetro”, indica.>
Segundo ele, o uso de filtro para água de consumo humano, os chamados purificadores residenciais, são uma cultura muito específica do Brasil. “Fora do país, é comum se fazer a ingestão de água direto da torneira”, conta.>
Antônio Cesar de Macedo Silva, presidente do Conselho Regional de Química (CRQ 7), responde: depende. Segundo ele, as condições da água dependem de aspectos como a cidade em questão e quem está responsável pelo tratamento, que pode ser feito por uma concessionária – na Bahia, a Embasa – ou pelas prefeituras.>
“Não é ideal beber água direto da torneira. Nem sempre ela vai estar com problemas se foi bem tratada, mas é ideal que se filtre. Por quê? Porque mesmo quando a água é fornecida, por exemplo, por uma concessionária como a Embasa, até chegar à nossa casa essa água vem por tubulação, e às vezes eles vêm arrastando problemas da própria tubulação, a corrosão, aí vem o teor de ferro um pouco alto, vem com material em suspensão, que isso tudo é ruim para o nosso organismo”, diz.>
Segundo Macedo, o fato de algumas cidades terem água fornecida pelas próprias prefeituras, através dos serviços autônomos de água e esgoto, pode ser um problema, porque em muitos casos não contratam pessoas da área química. Algumas cidades já foram denunciadas pelo CRQ ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) por conta disso.>
De acordo com a Embasa, a água que sai das estações de tratamento da companhia baiana pode ser ingerida, pois atende rigorosamente aos padrões de potabilidade determinados pelo Ministério da Saúde. “Essa condição é assegurada desde que o morador mantenhas limpas as instalações internas e a caixa d’água do imóvel”, diz a empresa.>
Caso não seja bem tratada, a água pode, sim, ser vetor de doenças mortais. É o que explica Bianca Borges, professora de química do Colégio Ômega. >
“Claro que esse é um cenário catastrófico, vamos dizer assim, mas não está distante. Quando a gente fala de água contaminada por descarte inadequado de resíduos industriais, a gente tem uma possibilidade, sim, da população em torno adquirir doenças. É o caso, por exemplo, da população de Santo Amaro, que teve durante mais ou menos 30 anos o despejo de resíduos tóxicos no rio. E mesmo com o início da contaminação nos anos 1930, a gente tem, dentro daquela população de Santo Amaro, pessoas que convivem com doenças relacionadas à ingestão de água contaminada com metais pesados”, diz. >
Sim. De acordo com o presidente do CRQ, até um forte odor de cloro é um mau sinal. Isso porque o cloro em excesso pode trazer outras consequências para a saúde, seja ele ingerido ou apenas inalado. “A gente viu, por exemplo, o exemplo da piscina em São Paulo, que o tratamento da água foi mal feito e chegou a ter uma vítima fatal e várias pessoas hospitalizadas”, diz, em referência ao episódio que resultou na morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, em fevereiro deste ano. >
“A água não tem que ter o sabor de cloro, ela tem que ter o odor do cloro que a gente sente e, se o odor estiver forte, a ponto da gente estar sentindo e irritando, é sinal de que a dosagem foi excessiva, ou seja: não é segura para beber”, explica Antônio Cesar. >
Quantos dias o corpo humano pode ficar sem beber água e quais os principais sintomas da falta de água no corpo?>
O tempo varia de organismo para organismo, mas, em média, o corpo humano aguenta de dois a cinco dias sem água. “A água é a grande reguladora dos processos no nosso metabolismo, ela regula a temperatura corporal, a funcionalidade de todos os nossos sistemas”, diz a professora Bianca Borges. >
A falta de água no corpo pode trazer sintomas como dor de cabeça, ressecamento da pele e dos lábios – ao ponto de partir – e um alto nível de estresse. “A água também faz esse papel de ajudar a regular o nível do estresse do corpo, então são alguns sintomas que a gente pode prestar atenção e pensar se não está precisando beber um pouco mais de água”, diz.>
Por que a água mineral faz 'glup'