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Jerônimo longe do povo no Carnaval, a frustração com Lula e a queda do governador no Vale do Jiquiriçá e Recôncavo

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 05:30

Jerônimo Rodrigues no camarote do governo no Campo Grande
Jerônimo Rodrigues e Lula no camarote do governo no Campo Grande Crédito: Feijão Almeida/GOVBA

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) parece ter sido desaconselhado a circular entre o povo neste Carnaval. Optou por espaços controlados, ambientes fechados e agendas cercadas basicamente por secretários e aliados, longe do contato direto com a multidão. A estratégia, talvez, leve em conta o trauma dos anos anteriores, quando ele se arriscou entre o povo e teve uma recepção indesejada, com vaias e protestos. No último ano de mandato e ainda sob pressão pelo desgaste da gestão, o petista evitou até mesmo espaços tradicionalmente frequentados pela esquerda, como a saída do Ilê Aiyê, o desfile dos Filhos de Gandhy e a Mudança do Garcia. Para Jerônimo, o Carnaval deste ano passou longe de ser sinônimo de festa de rua.

Sem trégua

Sem o saldo que imaginava ter em Salvador, Jerônimo mirou a agenda para capitalizar a programação carnavalesca no interior, o que também não deu muito certo. Em Paramirim, a recepção foi visivelmente esvaziada, conforme registros que circularam nas redes sociais. Até porque a população de lá aguarda a conclusão da construção de uma escola e parece não ter mais paciência para as novas desculpas que o governador apresenta toda vez que vai lá. Nem mesmo o ambiente momesco ofereceu uma trégua às cobranças contra as promessas não cumpridas por Jerônimo.

Nem Lula ajudou

Nem mesmo a presença do presidente Lula (PT), que tinha a pretensão de dar um fôlego à imagem do governador, teve o efeito prático esperado. Lula ficou no camarote oficial do governo do estado no Campo Grande o tempo suficiente para ouvir saudações de militantes posicionados em um trio elétrico, num roteiro claramente organizado. Mais uma vez, a estratégia priorizou o recorte editado para as redes sociais, não o contato espontâneo com o folião comum. A interação real com o povo passou longe. O cenário montado para garantir aplausos, inclusive, pode gerar questionamentos na Justiça Eleitoral, diante da conotação de promoção pessoal em ambiente custeado pelo poder público e do evidente tom de pré-campanha eleitoral.

Queda livre

Prefeitos das regiões do Vale do Jiquiriçá e Recôncavo avaliam que a eleição será muito difícil para o governador Jerônimo Rodrigues. Em cidades onde o petista bateu cerca de 70% nas urnas, está agora com percentual menor e, em muitos cenários, aparece atrás nas pesquisas internas. Em conversas reservadas com aliados, um prefeito da região disse que seguirá com Jerônimo, mas avisou que não terá o que fazer para mudar o cenário. Gestores municipais atribuem a situação de Jerônimo ao desempenho fraco do governo nas áreas da saúde e segurança pública.

Sinal vermelho

Prefeitos destas regiões, inclusive, relatam que a situação da violência, que antes era um problema dos grandes centros, agora chegou de vez às pequenas e médias cidades. Os relatos são de territórios tomados e serviços controlados por facções, o que têm causado grande preocupação em lideranças do interior, que advertem: se, antes, a cúpula petista da Bahia conseguia sair ilesa da crise de segurança, agora não consegue mais.

Insatisfação

No interior do estado, é crescente o desgosto de prefeitos não apenas com Jerônimo, mas também com o presidente Lula. A reclamação maior é que se criou uma grande expectativa, que não foi atendida, gerando frustração e insatisfação. Prefeitos reclamam que o governo não tem novos projetos e aposta em programas sociais repaginados, deixando municípios com graves problemas orçamentários e prefeitos com as contas estranguladas. Diversos deles, em conversas reservadas com a coluna durante o Carnaval, dizem que a boa avaliação de Lula tem caído vertiginosamente em suas cidades.

Na volta a gente compra

Depois de meses sustentando que mantinha apenas relação institucional com os prefeitos Zé Ronaldo (União Brasil) e Zé Cocá (PP), ambos da oposição, o governador Jerônimo finalmente deixou escapar que o diálogo tinha, sim, o objetivo de atraí-los para sua base eleitoral em 2026. Na abertura do Carnaval, afirmou que aguarda até março uma definição do prefeito de Feira de Santana e também observa os próximos passos de Jequié. Nos bastidores, porém, a avaliação cristalizada é que Zé Ronaldo não deve atravessar a rua e Zé Cocá, que ensaiou aproximação, deu alguns passos atrás nos últimos dias. Um interlocutor comparou o “prazo” dado por Zé Ronaldo a Jerônimo com promessa de mãe em passeio no shopping: “na volta a gente compra”.

Desautorizado

Por falar em articulação, o governador não gostou nada de ver o secretário de Relações Institucionais, Adolfo Loyola (PT), cravar publicamente a permanência do MDB na vice da chapa. Jerônimo tratou de avisar que ninguém estava autorizado a falar em seu nome sobre o tema, esfriando o que parecia um acerto antecipado. O movimento, além de gerar conflitos internos na base, deixou Loyola de calça curta, já que passou a dúvida sobre o peso real de suas declarações. A partir de então fica a pergunta inevitável se o que ele fala realmente vale ou se acabará sendo desfeito pelo chefe horas depois. O MDB, por sua vez, ficou de orelha em pé e já entendeu o recado: não há nada garantido.

Demora estratégica

Lideranças da base governista especulam que a demora em anunciar logo a chapa para as eleições deste ano têm como motivo a possibilidade real de troca da vice. Em conversas reservadas, parlamentares avaliam que, com a saída do senador Angelo Coronel do grupo, o caminho para a chapa puro-sangue estaria livre e não haveria "disputa" pela vice, que, segundo se diz, teria sido oferecida à família Coronel nas negociações. A demora, ressaltam, se dá pelo desejo de alguns caciques do grupo de limarem o vice-governador Geraldo Jr. (MDB) e verem outro nome do MDB ou até do Avante ou PSD.

Bola fora

A nova pérola do governador Jerônimo ocorreu nesta semana durante o Carnaval. Em entrevista à imprensa, com sua irritação cada vez mais comum, chamou de "pirraça" os protestos em relação à situação da regulação na Bahia. A fala, obviamente, pegou muito mal para Jerônimo e soou como insensibilidade diante das centenas e milhares de pessoas que aguardam por atendimento hospitalar. O governador mirou nos opositores, que alertam para o problema, mas acabou acertando na população. Bola fora daquelas.