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Otto Alencar parece sentir cheiro de derrota no ar

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 05:15

À bancada, senador Otto Alencar (PSD-BA)
À bancada, senador Otto Alencar (PSD-BA) Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O leitor de política mais atento deve ter reparado que o senador Otto Alencar mudou de forma abrupta o discurso sobre a candidatura de Angelo Coronel ao Senado. A guinada foi tão rápida que até o ex-governador mineiro Magalhães Pinto ficaria surpreso, se estivesse vivo para ver, e talvez adaptasse sua célebre frase: Otto olhou para a nuvem e, no mesmo instante, ela já não era mais a mesma.

No dia 7 de janeiro, em entrevista à rádio CBN Salvador, Otto Alencar fez duras críticas a Coronel por resistir à ideia de ser candidato a vice-governador na chapa de Jerônimo Rodrigues e só aceitar disputar o Senado nas eleições deste ano. O presidente do PSD na Bahia classificou a postura do aliado como “arrogante”. “O poder não pode encher ninguém de vaidade. Vaidade, capricho, e arrogância no poder são a véspera do fracasso”, afirmou.

Dez dias depois, aquele Otto do dia 7 simplesmente já não existia mais. Em entrevista ao site Política Livre, o senador mudou completamente o tom e declarou apoio a uma eventual candidatura avulsa de Coronel ao Senado - movimento que, se confirmado, como já apontou esta coluna, pode atrapalhar os planos de reeleição do senador petista Jaques Wagner. “É um amigo. E foi fundador do PSD. Não posso cercear o direito dele. Se ele quiser ser candidato, darei a legenda (...) Coronel só não será candidato a senador se não quiser", declarou.

Nesse curto intervalo de tempo, Otto parece ter percebido que sua força política não emana de Jaques Wagner nem tampouco do governador Jerônimo Rodrigues, mas dos aliados do PSD. Sem eles, deixaria de ser uma torre no tabuleiro para virar apenas um peão no jogo de xadrez. Ainda assim, a declaração que mais chamou atenção foi a concedida ao jornal Estado de S. Paulo, quando afirmou que uma chapa “carniça” pode resultar em fracasso eleitoral.

Para Otto Alencar, uma chapa formada por um único partido - no caso da Bahia, o PT - seria “carniça”. Ele comparou o cenário atual ao pleito de 2006, quando os governistas também lançaram uma chapa puro-sangue e acabaram derrotados. À época, Otto integrava o grupo de Paulo Souto e, antes de deixá-lo, articulou-se para assumir uma vaga no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Comentava-se nos bastidores que ele já enxergava a derrota no horizonte e tratou de garantir um lugar seguro. O cargo no TCM é vitalício.

Um analista político amigo meu observou que Otto fez movimento semelhante recentemente ao assegurar ao seu sucessor natural, o filho Otto Alencar Filho, uma cadeira no mesmo TCM. A essa movimentação soma-se agora o alerta público de que o PT estaria montando uma “chapa carniça”, ao reunir na mesma composição Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Tudo indica que o senador Otto Alencar já sente no ar o cheiro de derrota e se movimenta, desde agora, para se proteger de eventuais tempos mais difíceis. Ele sabe que nenhuma hegemonia é eterna e, talvez, a do PT esteja se aproximando do fim na Bahia.