Brasil pretende reduzir emissões de carbono em 43% até 2030

Meta internacional é manter o aumento da temperatura global em até 2ºC. Matrizes energéticas estarão em discussão na COP 21, em Paris

Publicado em 4 de outubro de 2015 às 15:38

- Atualizado há 10 meses

Quando a COP 21, maior conferência sobre o clima, começar, em dezembro, em Paris, o Brasil terá uma grande responsabilidade. Há uma semana, o país anunciou que pretende reduzir emissões de carbono em 43% até 2030.Junior: "Brasil tem responsabilidade em ser um dos líderes com menos impacto ambiental"“O Brasil tem uma das matrizes mais limpas do planeta, em termos de energia, com as usinas hidrelétricas, mas não se preparou e acionou as termelétricas, que são mais poluentes”, lembrou o presidente da Rede Bahia, Antonio Carlos Júnior, na abertura do seminário Baixo Carbono: a Nova Economia.

A meta internacional é manter o aumento da temperatura global em até 2°C. “Os efeitos das mudanças climáticas hoje com secas e chuvas intensas vão se multiplicar. Temos responsabilidade de ser um dos líderes da nova economia mundial, com menor impacto ao meio ambiente”.

Obstáculos

A principal bandeira do setor empresarial para a Conferência do Clima de Paris, a COP21, será a da estruturação do mercado de carbono, acredita a economista Marina Grossi, presidente do CEBDS.

Por ela, as empresas que emitem pequenas quantidades de carbono ganham créditos que podem ser vendidos para outras que emitem grandes quantidades de gás carbônico na atmosfera e precisam compensar. “Isso está sendo pensado como uma bandeira concreta”, diz.Marina, presidente do CEBDS, defende mercado de carbono (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)Ela acredita que, no Brasil, o maior desafio para a estruturação desse mercado está na falta de conhecimento do setor público. Recentemente, numa reunião no Ministério das Relações Exteriores, lembra de ter ouvido que a estruturação seria muito ruim para as empresas – quando o cenário, segundo ela é o oposto.

“Mostrei que não só o setor produtivo acha interessante e levanta a bandeira, como já se está trabalhando para estruturar o mercado”, afirma. Como se fosse pouco a falta de conhecimento da diplomacia brasileira, ela lembra que o problema se repetiu no Ministério do Meio Ambiente. “Em muitos casos se faz confusão como pagamento por serviços ambientais”, destaca Marina Grossi.

A presidente do CEBDS conta que o cenário gerou a perda de recursos, disponibilizados pelo Banco Mundial. “O Ministério da Fazenda tem desenvolvido vários estudos atualmente, mas parte dos recursos se perdeu por conta da demora em relação aos projetos”, conta.

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