Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Caio Megale: o novo equilíbrio da economia brasileira

  • D
  • Da Redação

Publicado em 4 de outubro de 2013 às 07:35

 - Atualizado há 3 anos

Caio Megale*

Nos últimos dois anos, a taxa de câmbio se desvalorizou cerca de 25% no Brasil. É um movimento significativo, mesmo levando em consideração o diferencial de inflação do país para seus principais parceiros comerciais. Quais as implicações para a economia brasileira? Há necessidade de um rebalanceamento do crescimento. Por conta das restrições de oferta doméstica e do novo ambiente financeiro global, a demanda interna tem que crescer menos. Este rebalanceamento será induzido, entre outros fatores, pela desvalorização da taxa de câmbio. A forte expansão da demanda doméstica que se observou desde 2004 era consistente com uma taxa de câmbio apreciada. O real valorizado incentivava as importações, complementando a oferta doméstica de bens. Portanto, o câmbio apreciado era peça fundamental para manter o equilíbrio da economia. Agora precisamos de um crescimento mais moderado da demanda doméstica e um ajuste na dinâmica das contas externas. Nesse cenário, o mercado de trabalho se tornará menos apertado. As vendas reais no varejo devem desacelerar, segundo nossas estimativas, de uma média de 8% ao ano entre 2004 e 2012, para algo próximo a 3% nos próximos anos. Da mesma forma, as bagagens dos turistas brasileiros que chegam dos EUA devem vir menos abastecidas. Esse novo equilíbrio leva a mudanças setoriais relevantes. Setores ligados ao consumo corrente deverão crescer menos. Isso exige de alguns segmentos um esforço para aumentar sua eficiência operacional, pois não será mais trivial repassar os aumentos de custos ao consumidor. A indústria, em contrapartida, volta a ganhar espaço. O câmbio mais competitivo protege contra a concorrência das importações e reestimula as exportações. O mercado de trabalho menos aquecido e as concessões para investimentos em infraestrutura tendem a aliviar os gargalos de produção. Importante também o esforço de melhora na produtividade e corte de custos que observamos em empresas de diversos setores e níveis de faturamento. O lado negativo é que os insumos importados estão mais caros e nem sempre é possível conseguir um similar nacional. Levando em consideração todos os fatores, os maiores beneficiários do ambiente macroeconômico parecem ser os produtores locais de artigos para exportação. O novo equilíbrio para o qual ruma a economia brasileira é positivo e mais balanceado que o anterior. Traz alívio a setores que foram prejudicados e impõe desafios àqueles que se acostumaram com o consumo  doméstico acelerado. No curto prazo, a transição aumenta a incerteza, o que vem afetando a confiança dos empresários. Mas, ao longo do tempo, boas oportunidades podem emergir. É preciso concentrar esforços em ganhos de produtividade para estarmos preparados para aproveitá-las.* Caio Megale é mestre em economia pela PUC-RJ, é economista do Itaú Unibanco