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Afinal, como votam os evangélicos?

Grupos religiosos representam 26,9% da população brasileira e estão no foco de quem disputa cargos eletivos no Brasil

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 21 de março de 2026 às 05:00

Eventos como The Send reúnem milhares de jovens evangélicos em estádios brasileiros  Crédito: Reprodução

A pergunta que dá título a este arrazoado é frequentemente feita a mim por muita gente logo depois de saber que eu sou frequentador assíduo de uma igreja batista. “Depende” é a minha resposta padrão. De quem estamos falando quando pensamos nos evangélicos?

Nos últimos dias, os algoritmos das redes sociais passaram a me mostrar a discussão levantada pela frase infeliz de um influenciador evangélico, envolvido com um evento chamado The Send, que reúne milhares de jovens pelo país.

Nick Moretti disse que quando vem a Salvador precisa “pedir licença para não pisar em demônios”. Recebeu uma enxurrada de críticas e manifestações de apoio. Pouco depois, pediu perdão e reconheceu que foi “infeliz” nas palavras, mas as discussões seguiram acaloradas. Ainda tem gente esculachando o influencer, mas tem uma multidão concordando com as palavras dele, ainda que o próprio tenha se arrependido delas.

Antes disso, a discussão foi sobre uma música chamada Auê e nesta sexta-feira (dia 20) à tarde, vi burburios de que a nova camisa azul da Seleção Brasileira – que eu só achei feia – pode ter sido consagrada ao diabo. Grande parte do povo evangélico brasileiro é muito sensível a este tipo de discussões.

Antes de retornarmos à questão do voto, que era a promessa deste texto, é importante avançar um pouquinho mais na definição de quem são os evangélicos. Em termos de fé, ainda que os grupos estejam debaixo de um mesmo guarda-chuva, há diferenças gigantescas entre eles. Colocar tudo no mesmo bolo é quase como dizer que o “s” na sigla do PSDB tem o mesmo significado que o do PSOL.

Tem crentes que se vestem de um modo predeterminado por seus líderes, ou por uma tradição, outros não. Alguns guardam o sábado, outros não. Tem aqueles que batizam bebês, enquanto há grupos que exigem profissão pública de fé. Há os que comem carne de porco, enquanto muitos se abstêm. Tem a turma da teologia da prosperidade, tem a da missão integral (que é muito parecida com a teologia da libertação. Alguns vão aos cultos frequentemente, mas tem bastante gente que é “não praticante”. E existem até os “desigrejados”, crentes que não estão mais ligados à nenhuma congregação.

Em algumas igrejas, as grandes decisões são tomadas em assembleias dos membros, enquanto outros grupos decidem a partir de conselhos formados por líderes, os presbitérios. Tem aquelas que contam com as duas instâncias decisórias, do mesmo modo em que outros locais o pastor decide tudo sozinho e é quase um “dono de igreja”.

Entre todos estes grupos, muita gente se enquadra no senso comum sobre como os evangélicos votam. É verdade que em algumas denominações existe uma versão moderna do voto de cabresto, onde o líder direciona a escolha dos membros, mas é um erro imaginar que este recorte do todo representa os 26,9% dos brasileiros que, segundo o IBGE, declaram-se evangélicos.

Já vi igrejas em que candidatos aparecem no período eleitoral e são chamados ao altar para “fazer uma saudação”. Em outras, ora-se pelo postulante ao cargo público, sem lhe conceder a palavra. Tem também aquelas em que ele ficará sentado no banco sem receber qualquer tipo de distinção. Todos estes grupos são evangélicos.

Os grupos em que os líderes direcionam votos são significativos e barulhentos. Além disso, existem pautas que são caras aos crentes, como aquelas que dizem respeito à família. Tem outras, que deveriam ser, mas não são, porém convém deixar para outro texto, por questão de espaço. Estas questões explicam recortes diferentes em pesquisas de intenção de votos, mas os mesmos levantamentos mostram que os meus irmãos, sozinhos, não conseguem escolher um candidato majoritário, ou mudar drasticamente o resultado de uma eleição.

Em 2018, ganhou bastante destaque o recorte que mostrava Jair Bolsonaro mais de 10 pontos percentuais à frente de Fernando Haddad na disputa presidencial entre os evangélicos. Mas entre os católicos e adeptos de outros grupos religiosos, o capitão reformado também aparecia à frente.

Vejam, evangélicos não conseguem chegar a consensos mesmo quando se tratam de questões relacionadas à sua fé. As disputas ideológicas entre esquerda e direita nem se comparam com as que acontecem entre calvinistas e arminianos. Quer um bom debate com um crente? Pergunta se a eleição para a salvação é ou não incondicional.

Quem são os drusos?

Israel voltou a atacar a Síria nesta última semana, ampliando o conflito no Oriente Médio para mais uma frente. A justificativa foi a necessidade de revidar agressões ao povo druso no território sírio. Mas quem são os drusos e qual a relação que possuem com Israel, a ponto das Forças de Defesa de Isral (IDF, em inglês) abrirem mais uma frente de batalha? Os drusos são uma minoria etnicorreligiosa árabe que pratica uma versão própria do islamismo. A população drusa soma mais de 1 milhão de pessoas, espalhadas pelo Líbano, Síria e Israel. Por sinal, os homens drusos são os únicos árabes aceitos no exército de Israel. Por isso, quando o grupo é atacado do outro lado da fronteira, as IDFs costumam reagir. Há um ano, quando foram atacados por forças sírias pela primeira vez, Hekmat Al-Hijri, um dos três líderes religiosos do grupo étnico disse que o seu povo se guia por três princípios: “O uso da razão, a não agressão e a verdade”. Se ficou interessado em aderir, esqueça, desde 1043, a religião drusa está fechada a novos convertidos.

O azar do agricultor

Tentando encontrar água, o produtor rural Sidrônio Moreira encontrou petróleo em suas terras, no município de Tabuleiro do Norte, no Ceará. Mas o desfecho desta história é o contrário do que aconteceu com a Família Buscapé, que tem a vida transformada, para melhor, pela descoberta. Durante a perfuração de um poço artesiano líquido que jorrou era um óleo negro, para tristeza de Sidrônio. que enfrenta dificuldades no acesso a água. Desde 2024 quando fizeram a descoberta, ficaram impedidos de fazer novas perfurações até que a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) defina o que será feito da reserva. Bom lembrar que o tudo o que está no subsolo pertence à União, então agora que a propriedade tem a perspectiva de produzir petróleo, os donos da terra precisam esperar a definição, que tarda acontecer. Sidnei, filho do agricultor, diz, num lamento de dar pena, que nunca foi a intenção da família encontrar petróleo.

E Cuba?

Um novo apagão, que afetou mais de 10 milhões de pessoas sem energia por algumas horas, provocou protestos no fim de semana passado em Cuba, de acordo com uma reportagem da agência Reuters. A falta de energia, problema recorrente na ilha, tem se agravado com o bloqueio naval imposto pelo governo do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos. Desde a captura do ex-presidente venezuelano, Nicolas Maduro, Trump vem endurecendo o discurso contra Cuba, que ele diz estar à beira de um colapso. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na semana passada que a ilha não recebe um carregamento de combustível há três meses. Trump já disse que pode fazer "o que quiser" com a ilha.

Em tempo real

O aplicativo Strava revelou a localização, em tempo real, do porta-aviões francês Charles de Gaulle (R91). A partir do perfil de um marinheiro, que se exercitava com o auxílio do aplicativo, foi possível determinar a localização da principal máquina de guerra da França durante boa parte do mês de fevereiro. Durante boa parte do período, os registros mostraram a embarcação no Mar Mediterrâneo, nas proximidades do Chipre.

Regras de Uso da IA

O Conselho Nacional da Educação começou a discutir no início desta semana regras para o uso das ferramentas de IA na educação brasileira. Algumas medidas a serem adotadas pelos professores parecem bem encaminhadas, de acordo com reportagens publicadas sobre o tema: sinalização de autoria em conteúdos pedagógicos desenvolvidos com o auxílio da IA; suspender a correção de questões dissertativas com as ferramentas; ensinar sobre algoritmos e os impactos da tecnologia; além de implementar formações sobre IA no ensino superior. E aí, gostou?

Anti-imigração

Portugal aprovou na última quinta-feira uma lei para acelerar a deportação de imigrantes em situação irregular. A medida se soma a outras duas iniciativas do país europeu no sentido de dificultar a permanência de estrangeiros no território. Antes, já tinha aprovado um pacote que dificultava a regularização e também restringiu pedidos de cidadania. A principal mudança agora é o fim do prazo de 20 dias para eventuais ilegais deixarem voluntariamente o país. Agora, o afastamento pode ser imediato. Além disso, o período de detenção máximo mudou de 60 dias para um ano.

meme da semana

A Lei Felca, que estabeleceu regras rígidas para garantir a proteção dos menores nos ambientes digitais, também alimentou muitos memes no decorrer desta semana. O melhor de todos, em nossa humilde opinião é este, que troca o nome do fabricante de chocolates.

Tiraram o Garoto da caixa? Crédito: Reprodução @joaquinTeixeira

(Viu algum meme interessante? Encaminha para donaldson.gomes@redebahia.com.br)