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Thais Borges
Publicado em 2 de março de 2026 às 14:54
Em meio às chuvas intensas na Bahia nas últimas semanas, até a paisagem de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, ficou diferente devido ao grande volume de água escoado. Nos últimos dias, a queda d’água de quase cem metros de altura no Monumento Natural (Mona) da Cachoeira do Ferro Doido, unidade de conservação inserida na Região de Planejamento e Gestão das Águas (RPGA) do Rio Paraguaçu, ficou ainda mais impressionante. >
Com a força da vazão e a imponência do paredão rochoso, o cenário natural tem chamado ainda mais atenção dos visitantes. A expectativa é de que a visitação turística cresça, atraída pela paisagem mais exuberante, embora a gestora do Mona, Bárbara Valois, aponte que as características naturais do terreno se tornam mais desafiadoras durante as chuvas.>
Chuvas têm transformado a paisagem no Monumento Natural (Mona) da Cachoeira do Ferro Doido, em Morro do Chapéu
“Com o solo encharcado e as rochas escorregadias, o risco de quedas aumenta consideravelmente. Também há possibilidade de trombas e cabeças d’água, que elevam rapidamente o nível do rio, além do desprendimento de blocos rochosos. A sinalização instalada orienta os visitantes justamente para prevenir acidentes, mas é fundamental que cada pessoa respeite os limites estabelecidos e evite áreas não autorizadas”, explica Bárbara, que recomenda ainda acompanhar as condições climáticas antes e durante a visita.>
Às margens da BA-052, a unidade é gerida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e tem um papel estratégico na conservação ambiental e na gestão dos recursos hídricos da região. O cenário evidencia a importância das precipitações para a manutenção dos ecossistemas e para a dinâmica dos cursos d’água que integram a bacia do Rio Paraguaçu.>
No local, o Inema mantém uma guarita de suporte para os vigilantes patrimoniais e fez a delimitação do acesso para impedir a entrada de veículos na área protegida. O objetivo da medida é reduzir impactos ambientais e ampliar a segurança dos visitantes. Paralelamente, está em andamento um projeto de infraestrutura de apoio à visitação e já foi implantada sinalização com informações sobre a unidade de conservação e alertas sobre os riscos naturais, especialmente intensificados no período chuvoso.>
De acordo com a diretora de Sustentabilidade e Conservação do instituto, Jeanne Florence, as ações fazem parte de uma estratégia contínua de qualificação do uso público. “Temos um projeto estruturado para ampliar o apoio à visitação, mas já avançamos com medidas concretas que fazem diferença imediata, como a sinalização educativa e preventiva, a guarita de suporte aos vigilantes e a delimitação do acesso para impedir veículos. Essas iniciativas organizam o fluxo de visitantes, reduzem riscos e fortalecem a proteção do patrimônio natural”, afirma.>
Biodiversidade>
Depois de períodos de seca que impactaram diferentes regiões do estado, as recentes chuvas são consideradas positivas pelos especialistas, para a unidade de conservação. De acordo com o Inema, a recomposição do volume de água contribui para a manutenção da fauna e da flora nativas, fortalecendo o equilíbrio ecológico e assegurando melhores condições para os ecossistemas locais.>
Os efeitos também se refletem nas comunidades do entorno. Pequenos agricultores que dependem da regularidade das chuvas para sua produção têm sido beneficiados pela melhoria das condições hídricas. >
Além disso, o Rio do Ferro Doido integra a RPGA do Paraguaçu e contribui para reservatórios estratégicos, a exemplo da Barragem do França, que abastece as cidades de Miguel Calmon, Mundo Novo e Piritiba, e que vem passando por período de baixos níveis de água.>