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Thais Borges
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 05:00
É fã de Carnaval, mas não tem com quem deixar os pequenos em casa? Famílias com crianças têm opções diferentes na folia, neste ano - tanto para que elas fiquem em segurança quanto para que tenham um espaço especial durante a festa, mas ao lado dos pais. >
Para famílias que preferem curtir sem as crianças, mas sabendo que elas estão se divertindo e em segurança, uma possibilidade é o Carnaval da Escola Kurumi, que fica na Federação. Durante todo o Carnaval, a escola vai funcionar 24 horas, nos moldes de uma colônia de férias para as crianças, mas com opção de pernoite. >
Cuidado com as crianças no verão
O serviço é aberto para qualquer família - ou seja, não há necessidade de ser aluno do colégio. De acordo com a gestora e diretora da escola, Harmonia Ferri, a expectativa é receber cerca de 15 crianças por turno. >
"A ideia surgiu de um lugar como mãe, quando a pessoa quer ir (para o Carnaval), mas se sente culpada porque deixou o filho em casa com a babá ou com alguém. A gente se sente culpada pensando que, enquanto curte, a criança está em casa sem fazer nada", explica. >
Com uma equipe majoritariamente formada por mulheres que são mães, elas decidiram oferecer um espaço seguro às famílias, mas de uma forma que ainda dialogasse com a proposta pedagógica, que é de acolhimento e vínculo de segurança. >
"A proposta vem muito desse lugar de querer que as famílias possam curtir sem culpa. Estamos no Centro e a casa tem esse acolhimento, com profissionais muito experientes", explica. A equipe fica dividida entre três turnos (das 8h às 15h, das 15h às 20h e das 20h às 10h do dia seguinte). >
Durante o período em que estão lá, as crianças têm uma rotina de brincadeiras, além de banho e refeições. "Não é nada muito engessado. Tem brincadeiras com mangueira, água, areia, tinta. São brincadeiras de quintal mesmo", conta Harmonia. >
O valor por turno é de R$250, enquanto o pernoite (que inclui sopa e café da manhã) custa R$500. Apesar de ainda ter vagas em alguns turnos, a demanda surpreendeu. "É a primeira vez e está sendo muito bem acolhido. Já funcionamos também durante o Furdunço (no pré-Carnaval) e foi uma experiência legal", diz. A escola já costuma fazer colônias de férias nos meses de janeiro e junho. Podem participar crianças com idades entre 2 e 11 anos. >
Para quem prefere que as crianças estejam junto, curtindo a festa com a família, uma possibilidade é a experiência do camarote Cabana da Barra, que funciona até terça-feira (17), em frente ao Farol, no circuito Barra-Ondina. Com classificação livre, crianças com até 11 anos não pagam pela entrada, desde que estejam acompanhadas dos pais. >
A ideia da organização é justamente oferecer um ambiente familiar. Por isso, oferecem um espaço kids climatizado, com o serviço da empresa Esquadrão Arena Kids, a mesma que opera o espaço Kids da Arena Fonte Nova. >
“Estamos preparando tudo com muito carinho para receber o público e fazê-lo sentir-se em casa. Será uma experiência imersiva e inigualável. O Camarote Cabana da Barra é também um espaço para a família curtir o Carnaval com exclusividade e tranquilidade”, diz a nota da produtora Casa de Taipa, responsável pelo espaço. Os ingressos para adultos variam entre R$220 e R$280, a depender do dia. >
Saúde >
A participação das crianças no Carnaval de rua pode ser desafiadora tanto para pais quanto para crianças, na avaliação do médico pediatra Reinan Tavares, doutor em Pediatria pela Universidade de São Paulo (USP). De acordo com ele, existem riscos inerentes aos locais da festa, com os riscos de doenças infectocontagiosas. >
“Crianças que são muito pequenas, particularmente aquelas menores de dois anos, podem se contaminar com vírus respiratórios e desenvolver quadros respiratórios mais graves como bronquiolite. Além disso, crianças que têm algum problemas de saúde ou questões de imunidade, se possível, devem evitar essas aglomerações”, alerta. >
Outro risco é que a criança pode se perder, em meio à multidão. Por isso, a recomendação do pediatra é que elas sejam levadas ao circuito com algum tipo de identificação, como uma pulseira ou um colar. Além disso, vale combinar um ponto de referência para que, caso ela se perca, possa ser levada pelas autoridades ou para outros adultos responsáveis até o local. >
“A poluição sonora é outra questão que pode acabar perturbando as crianças. Para as que são mais sensíveis e que forem para locais com muito barulho, com exposição ao som do trio elétrico, talvez protetores auriculares possam ser uma possibilidade de dar mais conforto”, orienta o pediatra.>
Quanto aos blocos, Tavares indica que as crianças frequentem as agremiações destinadas ao público infantil, sempre acompanhadas de um adulto responsável. “Não existe uma idade ideal para que a criança possa frequentar a festa. Isso é uma decisão que cabe a cada família. O carnaval é um momento de confraternização importante para a cultura, então cabe à família ponderar os riscos e tomar os cuidados adequados”. >