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Thais Borges
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 08:52
Em meio aos engarrafamentos comuns e interdições no trânsito no Carnaval, um grupo se destaca no período: os dos mototaxistas. Na garupa da moto, conseguem levar foliões de um circuito a outro - e, por isso, conquistam a preferência de muita gente. >
Nesse período, as viagens chegam a aumentar 80%, de acordo com estimativas do Sindicato dos Motociclistas, Motoboys e Mototaxistas do Estado (Sindmoto). Mas esse crescimento traz uma preocupação com acidentes e com uma reabilitação que pode ser longa e desafiadora. >
1,2 mil mototaxistas regulamentados podem trabalhar no Carnaval, mas clandestinos passam de 10 mil
“Existem 1.280 mototaxistas regulamentados pela prefeitura, mas, no Carnaval, não são só eles. Tem o pessoal dos aplicativos, que não exigem regulamentação, e pessoas que têm moto e usam esse período para rodar. Nos Carnavais, o índice de acidentes com mototaxistas regulamentados é zero, mas não são só os regulamentados”, diz o presidente da entidade, Marcelo Barbosa. >
Ele calcula que os que atuam fora da regulamentação, no Carnaval, passem de 10 mil. Entre algumas obrigações exigidas pela legislação para regulamentar o ofício, é preciso ter 21 anos, ter uma carteira nacional de habilitação há pelo menos dois anos e um curso de capacitação. >
“Sem dúvidas, o Carnaval é o período do ano que o pessoal mais dá preferência aos mototaxistas, pela mobilidade, por ser mais rápido e mais barato. Tem aplicativo de carro que tem tarifa dinâmica e o preço vai lá para cima. Já virou tradição, até os turistas se divertem e tiram fotos na moto, mas tem que ter cuidado para evitar um acidente”, analisa. >
As motos dos profissionais regulamentados precisam, obrigatoriamente, passar por vistoria a cada seis meses. “Tenho quase 40 anos pilotando moto e só vim pilotar com mais segurança após o curso da lei que regulamentou. É muito bom porque nos orienta como transportar o passageiro com segurança. Acidente de moto não é simples”, reforça Barbosa. >
No Carnaval, os mototaxistas regulamentados ficam em bolsões determinados pela prefeitura de Salvador, a exemplo do fim do circuito Dodô, em Ondina; as imediações do Shopping Barra, o Politeama e a Estação da Lapa. Eles também podem ser identificados pela cor amarela e pelo número de identificação do alvará.>
A Secretaria Municipal da Mobilidade (Semob) abriu inscrições para credenciar outros 300 novos mototaxistas na cidade, no mês passado, além dos 1,2 mil já existentes. De acordo com o órgão, o objetivo é recompor e reequilibrar o quantitativo de autorizações, considerando a redução da frota nos últimos anos. Cada candidato só terá direito a uma autorização e o credenciamento segue aberto por tempo indeterminado. >
Recuperação>
Somente em Salvador, em fevereiro do ano passado, mês em que ocorreu o Carnaval, foram 165 acidentes com motociclistas ou ocupantes de motos, de acordo com o Sistema de Informações Hospitalares do SUS. Em fevereiro de 2024, foram 216 acidentes, enquanto o mesmo mês, em 2023, teve 171 ocorrências. >
Em hospitais de referência, os acidentes com motocicleta demandam atenção e cuidado. No Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB), unidade 100% SUS administrada pelo Einstein Hospital Israelita, metade dos pacientes é de urgência e emergência. Nesse universo, o perfil principal é de homens com idades entre 25 e 40 anos vítimas de acidentes de trânsito em geral. >
A reabilitação após uma cirurgia por acidente de moto pode ser longa. No Hospital Ortopédico, administrado pelo Einstein, além da cirurgia, os pacientes já saem para a reabilitação na unidade
“Mas, dentro desses acidentes de trânsito, 40% são com motocicletas. Então, de fato, é a maior fatia do bolo. A complexidade que esse processo traz é múltipla”, analisa o diretor do hospital, Roger Monteiro. >
Um dos aspectos para o cenário complexo é que muitos dos motociclistas são trabalhadores informais - além dos que atuam com transporte de passageiros, há os que fazem entregas. “Isso pressiona o paciente psicologicamente, porque, às vezes, a família depende dele. O tempo que ele demora para voltar (ao trabalho) faz muita diferença. Mas a ortopedia não é uma especialidade em que você opera e, daqui a poucas semanas, a pessoa está de volta”, acrescenta Monteiro, citando exemplos de cirurgias com recuperação mais rápida, a exemplo de vesícula e hérnia. >
Uma cirurgia ortopédica, após um acidente de moto, contudo envolve um tratamento de reabilitação após o procedimento. De acordo com o diretor do HOEB, a reabilitação envolve até mesmo a aceitação da articulação com um material. Se a pessoa coloca uma prótese no joelho, por exemplo, deve fazer reabilitação para que o dispositivo funcione de forma adequada. Se isso não for feito, a prótese pode até ser perdida. >
“O paciente sai da cirurgia aqui e faz a reabilitação aqui mesmo, com fisioterapia dentro do hospital. Às vezes, o início é ainda no pré-operatório, para manter a força muscular, e segue nas 24 horas imediatas do pós-operatório”. >
O primeiro passo da reabilitação é a avaliação fisioterapêutica, que serve como ponto de partida para o plano de tratamento de cada pessoa. Em geral, segundo o fisioterapeuta Vitor Nery, do HOEB, o paciente começa pela reabilitação em solo. “Alguns ainda vêm com pontos, ainda cicatrizando o processo cirúrgico. Então, a depender, são umas 20, 30 sessões. O fisioterapeuta que vai direcionar”, explica. >
Nas fases seguintes, os pacientes podem ser encaminhados à reabilitação aquática e, assim, serem preparados para a alta. “Eles vêm fazer a reabilitação aqui, mas. A gente tem essa aliança com o paciente, para que ele faça os exercícios que a gente passa aqui também em casa. Então, eles têm toda a orientação para que a recuperação seja a mais rápida possível”. >