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Alan Pinheiro
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 20:30
“Daqui onde a gente está ninguém passava”. A frase relembra um passado quando o Largo da Lapinha lotava de pessoas que iam para celebrar o Dia de Reis na Paróquia Nossa Senhora da Conceição. Neste dia 6 de janeiro de 2026, no entanto, o que se viu foi distante do que as pessoas contavam do local. Um espaço que reunia fiéis unidos em prol da celebração agora conta com cada vez menos pessoas.>
Quando a reportagem chegou no local, por volta das 16h, nenhum fiel foi visto fora da igreja. Dentro da paróquia, cerca de 50 pessoas estavam distribuídas pelo local. A quantidade não conseguia encher todos os assentos. No entanto, quem estava presente fez questão de afirmar que o número de pessoas não significa que a fé seja menor. >
Veja imagens de como foi a tarde de louvor na Festa de Reis da Lapinha
Esse foi o caso de Elias Conceição, que estava acompanhado de seus três irmãos no local. O Ogã do Terreiro Olufanjá, Terreiro Pilão de Prata e coordenador do Conselho Interreligioso da Bahia, é um dos que lamentam a diminuição do tráfego de pessoas na festa, mas reforça que a fé de quem estava presente é a mesma mostrada em outras festas que ainda conseguem uma alta concentração de fiéis.>
“A celebração, apesar de ter um número diminuído de pessoas, você percebe que aquelas que estão aqui resguardam o mesmo teor de fé. É uma festa que tem uma simbologia muito grande, apesar de não aparentar hoje para quem não a viu em outros tempos. Eu não sou tão velho assim, mas meus pais contam, porque moraram aqui na Caixa d'Água, nessa região da Liberdade, e falavam o quanto essa festa era extensa. Diminuiu de uma forma bem drástica. Isso não é resultado da falta de fé da maioria das pessoas”, explica Elias, que acredita em um conjunto de fatores para explicar o fenômeno, como mudanças sociais e até de religião.>
A Festa dos Santos Reis, também conhecida como “Dia de Reis”, ou “Dia dos Santos Reis”, é uma das mais tradicionais manifestações religiosas e culturais da capital baiana. A festa tem origem na tradição católica que lembra o dia em que Jesus Cristo recebeu a visita de Belchior, Gaspar e Baltazar, os três Reis Magos que, guiados por uma estrela, foram de encontro ao menino Jesus.>
A programação aconteceu entre os dias 3 e 6 de janeiro e reuniu momentos de oração, celebrações litúrgicas e expressões da religiosidade popular. O tema “A Lapinha em festa nos passos dos Santos Reis, anuncia o Salvador que conheceis!”, foi o escolhido para a festa. >
No último dia de celebração, a alvorada festiva abriu as festividades, seguida da recitação do Terço. Ao longo do dia, os fiéis também participaram da Santa Missa em Ação de Graças pelo aniversário do Terno Anunciação, da Missa Festiva com o Apostolado da Oração, da Tarde de Louvor e Adoração ao Santíssimo Sacramento, da apresentação do Coral da Polícia Militar da Bahia e da Missa Festiva de encerramento dos festejos.>
Sentados na praça, a família Conceição relembrou da animação da festa no passado. Apesar de não serem católicos, os quatro irmãos passaram na paróquia pelo respeito pela religião. Única mulher do quarteto, Georgenice conta que frequentava o local porque estudava em um colégio da região, além de acompanhar os pais na celebração religiosa.>
“É triste você ver uma festa tão bonita assim”, lamentou. Ao seu lado, o irmão Edmilson Conceição se preocupa com o futuro da celebração, principalmente pelo pouco número de jovens presentes para passar a cultura adiante, principalmente em um contexto de sincretismo religioso.>
“Isso marca o que é Salvador, o que é a Bahia e o que é, de fato, o Brasil. Você não vai encontrar uma diversidade de festividade com a mistura religiosa que acontece aqui em lugar nenhum do mundo. Eu estava ali há pouco abraçado com o padre. Essas coisas acontecem naturalmente, porque é da espiritualidade do povo brasileiro, principalmente do povo baiano e do povo soteropolitano. Isso precisa ser preservado”, finalizou Elias após o comentário do irmão.>