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Li 130 livros em um ano: o que aprendi sobre como transformar a leitura em um hábito

Aprendizados para quem quer começar a ler mais em 2026

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 06:00

Thais: 'Eu li 130 livros em um ano e não tem segredo'
Thais Borges: 'Eu li 130 livros em um ano e não tem segredo' Crédito: Tayse Argôlo/Acervo pessoal

Eu li 130 livros em 2025. Te choquei? Isso acontece mais vezes do que eu gostaria. Eu admito que o número pode impressionar, mas não acho que deveria ser assim. Garanto que não é nem tão difícil nem tão incomum quanto parece. Não tem segredo, não tem sacrifício, não tem dificuldade, mas é uma escolha. Juro que isso aqui não é uma conversa de coach, mas tudo começou quando tomei a decisão de tornar a leitura uma prioridade em minha vida.

Desde criança, fui uma pessoa leitora. Nos meus aniversários, pedia livros de presente. Sempre que ia ao shopping, passava horas na livraria. O problema é que tudo isso morreu, em algum momento. Seja pelas redes sociais, seja porque passei a viver numa espiral de livros de faculdade e de jornalismo, entrei numa ressaca literária das ‘brabas' - ou seja, aquele período, na gíria das bookredes, que a gente não consegue ler nada. Ou, pelo menos, não conseguia mais ler ficção. Ainda lia muito de não ficção e descobri autores e autoras incríveis, mas sentia muito que faltava alguma coisa. Faltava uma parte importante de mim.

Até que veio a pandemia da covid-19. Naquela época, comprei meu primeiro Kindle. Em meio a tantas incertezas daquela época, eu estava no início de um mestrado em Literatura e Cultura na Universidade Federal da Bahia - vejam só - e comecei também a querer reler coisas que me fizeram bem no passado. Reli as grandes sagas da minha vida (Crepúsculo, Jogos Vorazes, O Diário da Princesa) e me tornei uma grande fã daquela que, até então, não era tanto minha praia (Harry Potter).

@thaie9 SIM, NÃO OU TALVEZ para o recap de todos os 130 livros que li esse ano! Obviamente, eu li muita romantasia e romance, mas teve outros gêneros também. #melhoresdoano #booktok #booktokbrasil #livrosderomance #quartaasa ♬ som original - Thais Borges | thaie ?

Aos poucos, comecei a ler as grandes autoras bestsellers dos últimos anos, a exemplo de Colleen Hoover e Taylor Jenkins Reid, ao mesmo tempo que li alguns dos melhores livros da literatura brasileira (Oi, Ana Maria Gonçalves. Estou falando com você e seu maravilhoso Um defeito de cor). Eu não tinha ritmo, não tinha meta. Só lia. E a cada vez que terminava um, queria ler mais outro.

Em 2023, li 28 livros. Lembro porque, no fim do ano, estava muito feliz de ter alcançado esse número. Entrei em 2024 com uma meta: chegar aos 50 - até então, tinha sido meu máximo, num longínquo ano de 2009. Para isso, eu sabia que ia abrir mão de outros hobbies. Foi um ano que fui muito ao cinema, mas deliberadamente fiquei menos tempo vendo séries e filmes nas plataformas de streaming enquanto jogava CandyCrush no celular. Essa última parte foi uma vitória. 

E, obviamente, decidi que passaria muito menos tempo rolando o feed do meu celular. Mas, aqui, quero fazer uma ressalva. Eu nunca demonizaria plataformas como o TikTok (principalmente), o Instagram e o YouTube, porque eles também são muito responsáveis pelo meu ritmo de leitura hoje. Se você não conhece o #BookTok, o BookTube e o Bookgram, sugiro que dê uma olhada nessas grandes comunidades de leitores que se retroalimentam: em todas elas, você vê conteúdo sobre livros, descobre novos livros e, assim, fica com vontade de ler mais livros. Eu não apenas amo esse ecossistema como faço parte dele, de forma amadora, e como mais um de meus hobbies literários. Nessas comunidades, vocês também conseguiriam perceber que há muito mais gente lendo 100, 200 e até 300 livros por ano do que a maioria das pessoas imagina.

Assim, em 2024, não apenas vieram os 50 livros, como terminei o ano com 71. Sem esforço absurdo, só como meu principal lazer. Lia principalmente nos finais de semana, no meu tempo livre. Também foi o ano em que fundei o meu clube do livro, segmentado apenas para a leitura de romances e seus subgêneros.

Isso foi muito importante porque estar perto de pessoas que leem também pode te ajudar a querer ler. Tenho relatos de mulheres no meu clube que liam um ou dois livros por ano e que passaram dos 40, no ano passado. Mulheres que trabalham em jornadas duplas ou triplas, que são mães, que se divertem também de outra formas… Mas que também se reencontraram com a leitura.

Até que, quando veio 2025, decidi que tentaria chegar aos 100, sabendo que seria difícil.

Mas o pior é que não foi. Meu Kindle virou uma parte de mim. Está sempre na minha bolsa e, se por alguma razão, eu tiver esquecido, tenho o aplicativo do Kindle no celular, onde posso ler também.

Mistborn: O império final, de Brandon Sanderson (2025) Certa vez, um herói surgiu para salvar o mundo. Ele fracassou. por Divulgação

Também foi o ano em que comecei a ouvir audiolivros com mais frequência. Eu os escuto, basicamente, em três momentos: quando estou dirigindo, quando estou correndo e quando estou lendo com tranquilidade em casa e consigo ter acesso ao mesmo livro. Assim, leio o livro ao mesmo tempo em que escuto, para uma experiência de 100% foco. É intenso, mas incrível.

Mas o principal ponto é que 2025 foi o ano em que eu descobri aquele que veio a ser o meu gênero favorito: a romantasia, que une tanto fantasia quanto romance. Talvez você já tenha ouvido falar de títulos como Quarta Asa ou Corte de Espinhos e Rosas (Acotar, no acrônimo em inglês), mas não faça ideia da quantidade de livros desse gêneros disponíveis nas livrarias atualmente. São calhamaços, frequentemente com mais de 700 páginas, mas minha vontade é de ler todos.

Corte de Espinhos e Rosas (Acotar), de Sarah J. Maas (2015): uma caçadora humana é arrastada para o perigoso mundo das fadas após matar um feérico transformado em lobo. Considerada a primeira romantasia por Reprodução

Essa é uma das grandes verdades sobre ler ficção: quanto mais a gente lê, mais a gente quer ler. No caso da romantasia, ainda tem uma grande vantagem: para uma pessoa que vive hiperconectada com as notícias, como eu, é quando finalmente consigo desligar totalmente da realidade e apenas viver num outro universo.

Então, o que temos até aqui? Primeiro, a decisão de que a leitura seria uma prioridade. Depois, estar sempre com um livro - seja um livro físico, seja um e-reader, que é mais fácil de carregar. Se você está com um livro, talvez desista de ficar no celular enquanto espera numa fila no banco ou para ser atendido num consultório médico.

Depois: cerque-se de pessoas leitoras. Se você acha que não conhece ninguém, tente encontrar novas comunidades. Eu criei meu clube do livro depois que anunciei nos stories do Instagram e fui procurada por pessoas que nunca tinha visto pessoalmente.

Leia o que te interessa. Se o que te faz feliz é ler os suspenses de Freida McFadden, não é problema de ninguém. Se o que te move é, como eu, ler sobre os dragões de Rebecca Yarros, repito: seja feliz. Ninguém tem nada com isso. E, se me permite dar uma carteirada, preciso dizer que, como mestra em Literatura e Cultura, odeio quem acha que existe livro “de qualidade” ou que literatura é só aquele cânone - bem problemático - que a gente aprende no Ensino Médio. No dia em que essas pessoas descobrirem que não existe nem mesmo consenso, nos estudos literários, sobre o que é literatura, a cabeça delas vai explodir.

Leitura é hábito. Faça dela um hábito diário. Eu descobri que meu melhor horário para ler é logo cedo. Acordo às 4h30 da manhã para correr, mas não corro todos os dias. Como meu corpo já acorda cedo, tenho reservado também esse tempo para ler e é o momento de auge da minha concentração. Fora isso, qualquer tempinho que tenho é um tempo feliz para ler.

Se quiser, crie uma meta. Se não quiser, não crie. Está tudo bem também.

Por fim: se preocupe menos com os outros e mais com você. Em dezembro do ano passado, num vídeo para as redes sociais do Correio, contei que, até aquele momento, tinha lido 121 títulos (isso porque, apesar da data em que foi publicado, o vídeo foi gravado logo no começo do mês). Pois, eu fui ridicularizada. Além de comentários misóginos que não valem a pena serem mencionados, teve desde os muitos que desacreditaram até aqueles que acharam que podiam julgar a “qualidade” das minhas leituras.

Pois, se essa galera passasse um pouco menos de tempo incomodada porque alguém leu mais do que eles, garanto que estariam lendo bem mais. Talvez até bem mais do que eu.