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Donaldson Gomes
Publicado em 16 de maio de 2026 às 05:00
A União Europeia anunciou nesta semana que vetará as importações da carne, entre outras proteínas brasileiras, a partir do próximo mês de setembro. A notícia, que pegou o governo brasileiro desprevenido, movimentou os ambientes diplomáticos, mas até agora teve pouco impacto no mercado. A arroba do boi gordo caiu de R$ 348,80 na última quarta-feira (dia 12), para R$ 344,60, na última sexta-feira (dia 15), de acordo com dados do Cepea. Mas a realidade, é que o preço da proteína já vinha registrando sucessivas quedas há um mês, após atingir R$ 367,05 em meados de abril. >
No intervalo de um ano, a arroba do boi gordo acumula uma alta de quase 12%, numa variação que se explica muito mais por conta do ciclo da pecuária – com os seus momentos de altas e baixas relacionados à quantidade de fêmeas disponíveis –, que pelos entraves geopolíticos. Até porque, na mesma semana em que os europeus resolveram encrencar com o uso de um antibiótico que, segundo especialistas, também é proibido aqui no Brasil, os Estados Unidos sinalizaram o interesse em amplir temporariamente as exportações de carnes aqui do Brasil.>
Na terça-feira, o Wall Street Journal publicou que o governo do presidente Donald Trump pretende facilitar por 200 dias as importações de carnes bovinas para os Estados Unidos, o que deve beneficiar o Brasil, como maior produtor mundial. Por lá, os preços aumentaram em até 40% nos últimos cinco anos e, junto com a inflação provocada pela guerra no Oriente Médio, estão fazendo a popularidade de Trump derreter. Nestas circunstâncias, o norte-americano vai acabar optando por se indispor com os produtores locais e acenar para os seus eleitores, uma vez que as eleições de meio de mandato se aproximam. >
Por aqui, o problema é outro. Apesar da alta de dois dígitos na cotação do boi gordo, o aumento para o consumidor final foi relativamente magro. Nos últimos doze meses, a alta foi de 5,48%, o que supera a inflação média, porém está muito abaixo da alta do boi gordo. Como o Brasil é grande produtor também de outras variedades de proteínas, se o preço final subir muito, o consumidor tem a opção de migrar para outras alternativas, o que costuma frear um processo de escalada nos preços.>
Nas próximas semanas, o governo vai direcionar todas as suas energias para tentar garantir que Trump facilite mesmo o acesso da carne brasileira, além de se movimentar para que a União Europeia recue em relação à proibição, ou que amplie o prazo para que os produtores brasileiros se adequem às regras dela. >
Para a sorte dos consumidores brasileiros, o aumento na inflação dos alimentos, provocado pela guerra no Oriente Médio, não chegou com tudo até os açougues, pelo menos até agora. Que assim permaneça, ou além de não ter visto o cumprimento da promessa de um certo presidente, de fazer o povo voltar a comer picanha melada na manteiga, ainda veremos muita gente tendo que tirar outros cortes do cardápio.>
Jair X Rogério>
Os resultados mais recentes da dupla Ba-Vi na Copa do Brasil expõem dois técnicos com estilos bem distintos. Há alguns dias, Jair Ventura, com a sinceridade que lhe é característica, disse qual era o único compromisso que ele costuma fazer quando assume o comando de uma equipe: "os meus times são organizados". E é isso que ele está fazendo, muito bem, no Vitória, com cada jogador em sua posição, fazendo direito a sua função. É limitado? Sim, mas o treinador cumpre o que prometeu e conseguiu um resultado gigante na última quinta-feira (dia 15), ao eliminar o Flamengo da Copa do Brasil. O "venturoso" time do Leão joga sem improvisações, mesmo com um elenco mais curto que o do Bahia e faz bem o seu dever de casa. Do outro lado da rivalidade, o que se vê é o contrário. O técnico Rogério Ceni colocou o lateral artilheiro Luciano Juba, que sonha com a convocação para a Copa nesta segunda (dia 18), improvisado de zagueiro. O volante Acevedo há um bom tempo atua como lateral, deixando os dois jogadores da posição amargando banco – um deles, Roman Gomez, jovem recém-contratado com futuro promissor. No meio-campo, Erick agora é o primeiro homem de marcação, sobrecarregando Jean Lucas e Everton Ribeiro. E no ataque, Ceni mexe de tudo quanto é lado, mas não consegue mais tirar nada de novo do elenco.>
Produtividade no 'polígono da maconha'>
A agricultura brasileira é uma das mais tecnificadas e tecnológicas do mundo. E, vejam só que notícia inquietante, a criminalidade passou a lançar mão de novas técnicas de cultivo no chamado 'polígono da maconha', região que engloba áreas nos estados da Bahia e de Pernambuco. A polícia tem se deparado com sistemas modernos de irrigação, uso intensivo de defensivos agrícolas e maquinário pesado para a produção de entorpecentes em um volume cada vez maior e em versões mais potentes – há casos em que o teor de THC chega a ser seis vezes mais potente que o da droga tradicional. Entre janeiro e abril deste ano, a Polícia Federal quase 250 toneladas de maconha na região.>
Na palma da mão>
Os analistas do mercado de tecnologia estão divididos em relação ao meio que será predominante na hora de assistir aos jogos da Copa do Mundo, que inicia em junho. Claramente espera-se um significativo aumento no uso do streaming para acompanhar os jogos – isso é um grande consenso. Mas, os brasileiros ainda vão se sentar diante da TV, ou vai ser segurando o celular? Ano de Copa é sempre de grandes expectativas para os fabricantes de TVs e a Samsung, por exemplo, calcula uma alta entre 5% e 10% nas vendas deste ano, com a oferta de novas tecnologias de imagem e som. O problema é que os aparelhos celulares também não ficam atrás nestes quesitos. Qual é a minha aposta? Acho que os jogos da seleção serão vistos na TV, até pela festa que o brasileiro sempre faz nestes momentos. Mas, quem gosta de acompanhar todas as partidas do mundial vai acabar assintindo muita coisa pela telinha de mão mesmo. >
Fazendas de Starlink>
Com a vida cada vez mais conectada e na palma da mão, graças ao celular, às vezes somos tentados a imaginar que todo mundo no país tem o mesmo nível de acesso à tecnologia. Em algumas das áreas mais remotas do país, a população precisa recorrer a “armengues” para se conectar com o mundo. Esta semana, viralizou nas redes sociais uma “fazenda de Starlink” em Tabatinga, no Amazonas. O autor da façanha capta o sinal de internet por diversas antenas e redistribui por fibra ótica para a população. Hoje o Brasil é o segundo mercado global da Starlink, de Elon Musk, com mais de um milhão de assinantes, aponta uma reportagem do jornal O Globo sobre o assunto. >
meme da semana>
Cheirinho de resenha no ar! Bastou o Flamengo perder por 2 a 0 para o Vitória e ser eliminado da Copa do Brasil que o meme voltou com tudo. A piada é antiga, mas continua com a mesma graça de sempre, além de nos poupar de falar sobre a situação do Bahia >
(Viu algum meme interessante? Encaminha para donaldson.gomes@redebahia.com.br)>