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Pets mudam o mercado imobiliário: 26% dos compradores no Nordeste buscam imóveis com espaço para os bichinhos

Crescimento das famílias multiespécie tem mudado prioridades na hora de escolher um local para morar

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 06:00

Pet Place do Conquista Boulevard Park, empreendimento da Direcional Engenharia na Bahia
Pet Place do Conquista Boulevard Park, empreendimento da Direcional Engenharia na Bahia Crédito: Divulgação

Na hora de escolher um apartamento para morar, as comodidades de um prédio podem fazer a diferença: se tem academia, piscina, salão de festas ou a quantidade de vagas na garagem. No entanto, o que mais tem pesado para muita gente agora é um atributo considerado supérfluo até outro dia: os Pet Spaces, espaços pet adequados para as chamadas ‘famílias multiespécie’ - ou seja, aquelas que consideram os animais de estimação como integrantes daquele grupo.

Como tendência crescente, o setor imobiliário tem tido que se adaptar a esse novo cenário. Hoje, as famílias brasileiras já têm quatro vezes mais pets do que crianças: enquanto pessoas com até 13 anos eram pouco mais de 39 milhões em 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pets chegam a 160 milhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). O país é o terceiro maior mercado pet do mundo.

Pet Care do Legacy, empreendimento da OR por Divulgação

Na Bahia, a situação não é diferente. Em 2024, segundo a Pnad Contínua do IBGE, o estado tinha 2,7 milhões de pessoas com idades até 13 anos. Por outro lado, um dado anterior já indicava mais animais há mais tempo: em 2019, na Pesquisa Nacional de Saúde, 2,9 milhões de domicílios baianos já tinham cachorro ou gato. O número de pets, contudo, já podia ser bem maior, uma vez que o levantamento não considerava quantos animais viviam em cada casa.

Apesar das novas dinâmicas familiares, as estimativas do setor imobiliário indicam que menos de 1% dos condomínios contam com espaços adequados e exclusivos para os bichinhos. Enquanto isso, o espaço pet é uma das cinco áreas de lazer preferidas de 27% dos clientes que buscam um lugar para morar, segundo uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica de 2024. No Nordeste, 26% dos entrevistados elegeram a infraestrutura pet como uma das comodidades preferidas. O maior percentual foi na região Sul do país, onde atingiu 73%.

De acordo com o psicólogo e professor Jonatas Tourinho, coordenador do curso de Psicologia da Afya Salvador, as moradias eram projetadas anteriormente com uma lógica antropocêntrica - considerando apenas as necessidades. Porém, com o crescimento das famílias multiespécie, o modelo ficou limitado. 

“Quando os espaços residenciais incorporam o pet de maneira planejada, considerando circulação, ventilação, iluminação, áreas de descanso e locais apropriados para alimentação e higiene, há uma redução importante de conflitos no cotidiano doméstico", explica. A psicologia ambiental, segundo o professor, indica que ambientes organizados, previsíveis e ajustados às necessidades dos seus usuários favorecem o bem-estar psicológico, reduzem níveis de estresse e ampliam a sensação de conforto. “Assim, pensar a moradia incluindo o animal não beneficia apenas o pet, mas qualifica a experiência de habitar para todos os moradores”.

Empreendimentos

Por isso, incorporadoras têm investido na infraestrutura pet, em empreendimentos lançados na Bahia. Esse é o caso do Legacy, residencial de alto padrão no Caminho das Árvores, lançado pela OR Construtora (Grupo Novonor). Premiado como o melhor arranha-céu das Américas pelo International Property Awards e com a torre mais alta de Salvador (54 pavimentos e 180 metros de altura), o empreendimento foi concebido para oferecer um Pet Place destinado ao lazer e à socialização, totalmente cercado para a segurança dos animais e equipado com brinquedos, lixeira e bebedouro pet. Além disso, haverá um Pet Care, que é um ambiente interno para o bem-estar e conforto dos bichos e que deve contar com infraestrutura para banho e tosa dentro do próprio edifício.

De acordo com o diretor superintendente da OR na Bahia, Daniel Sampaio, a incorporadora OR fez uma análise das tendências de comportamento e de experiência para identificar quais ambientes poderiam trazer mais conforto a esses moradores. “Os tutores de pets buscam, para seus animais de estimação, o mesmo conforto e bem-estar oferecido para eles. Por isso, priorizam áreas de lazer e convivência para que os pets possam se exercitar e socializar, além de espaços voltados a serviços específicos, que facilitem o dia a dia", avalia.

Ele adianta que a receptividade dos clientes tem sido positiva até o momento, já que muitos reconhecem os espaços como um diferencial. Para Sampaio, há uma diferença clara no comportamento de quem comprava um imóvel 10 ou 15 anos atrás com quem busca um empreendimento hoje.

“Se antes a busca estava muito mais concentrada na unidade em si, hoje os clientes valorizam cada vez mais as áreas comuns e a experiência de vivenciar o empreendimento como um todo. Os pets, que antes dificilmente eram considerados nas decisões de compra, passaram agora a integrar o núcleo familiar e, consequentemente, a influenciar diretamente na escolha do novo lar", pontua.

Funcional

Projetos do Minha Casa, Minha Vida também têm investido em empreendimentos com áreas funcionais e bem delimitadas. Na Direcional Engenharia, os espaços pet têm sido pensados para unir organização, segurança e convivência em empreendimentos populares de Lauro de Freitas, Camaçari e Salvador.

Mesmo dentro das faixas do programa de habitação, é possível incluir a infraestrutura para animais de estimação. “Adaptar a demanda dos pet spaces é totalmente possível, sem gerar impactos significativos no custo final do empreendimento. A ideia está em adequar os mobiliários e equipamentos à realidade de cada faixa, mantendo o foco no bem-estar animal e na convivência", diz o superintendente da Direcional Engenharia na Bahia, Rodrigo Raynal.

Ele também acredita que, em alguns casos, o bem-estar dos pets vai ser um fator decisivo na escolha de um empreendimento. Ele elenca comodidade, conforto, praticidade e segurança como alguns dos principais atrativos dos empreendimentos da incorporadora, em meio à vida corrida de muitos clientes. Por isso, a estrutura dos pet spaces deve ser ampla, funcional, acessível e segura. “Nos nossos espaços, entregamos brinquedos como rampas, barras, cones e obstáculos que estimulam tanto o físico quanto o mental dos animais, estações de descarte com sacos de lixo e lixeiras para manter o local limpo organizado, além de bancos para que os tutores acompanhem seus pets de forma confortável", cita.

Para Raynal, a tendência no futuro é que a infraestrutura pet deixe de ser um diferencial para ser um item básico, como já acontece com áreas de convivência como piscinas e parquinhos. Assim, mais espaços podem ser ampliados para incluir estações de cuidado e banho e parcerias com petshops e que mesmo móveis e espaços do condomínio sejam adaptados para otimizar o tempo e estimular o comportamento natural dos animais, com enriquecimento ambiental.

“Para se adaptar a essas demandas, é importante planejar e prever espaços flexíveis que possam evoluir junto às tendências, entender e escutar a demanda do mercado para o nicho e integrar o pet ao conceito do empreendimento, o tratando também como parte importante para a convivência dos moradores", acrescenta.

Para o coordenador do curso de psicologia da Afya Salvador, Jonatas Tourinho, equilibrar as necessidades dos pets com as da família passa por planejamento e organização, além de compreender que o animal é um membro do sistema familiar com demandas específicas. Por isso, definir rotinas, responsabilidades e espaços adequados pode contribuir para que a convivência seja mais harmoniosa.

Ele lembra que a literatura científica tem indicado que a convivência com os pets está associada a benefícios para a saúde mental, a exemplo de diminuição de sintomas de estresse, ansiedade e solidão, além de estimular sentimentos de afeto, companhia e apoio emocional. “Mesmo na ausência de comunicação verbal, os gestos, comportamentos e a presença constante do animal funcionam como formas de acolhimento emocional. Essa relação é marcada por uma amizade genuína, baseada na previsibilidade, na lealdade e na aceitação, elementos que contribuem para o fortalecimento do bem-estar psicológico e emocional, especialmente em contextos de vulnerabilidade afetiva”.