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Por que dormir mal aumenta ansiedade, depressão e o risco de infarto, AVC e morte súbita

Psiquiatra Kayo Barboza explica como a insônia e a apneia agravam doenças mentais e quando buscar tratamento especializado

  • Foto do(a) author(a) Saulo Miguez
  • Saulo Miguez

Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 05:00

Medicina do sono
Medicina do sono Crédito: Mkt da Clínica Holiste Psiquiatria/Divulgação

Fundamental para a regulação emocional e dos processos cognitivos, a tão desejada boa noite de sono está se tornando algo cada vez mais raro. Dentre outras coisas, dormir pouco e mal pode ser um gatilho para agravar ou, até mesmo, desencadear uma série de problemas mentais. Esses, por sua vez, em muitos casos, têm impulsionado o consumo, sem orientação profissional, de medicamentos controlados.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), 8,5% dos brasileiros relataram ter tomado medicamentos indutores do sono nas duas semanas anteriores à enquete. O percentual corresponde a cerca de 17 milhões de adultos. Mulheres, idosos e portadores de doenças crônicas apresentaram os índices mais altos de utilização.

Diante desse quadro, chegou a Salvador um trabalho pioneiro no Brasil que promete ser um alento na vida daqueles que sofrem com o problema. A Clínica Holiste Psiquiatria inova ao aliar a medicina do sono ao tratamento de problemas mentais. O centro médico utiliza o exame de polissonografia para identificar padrões de sono alterados e frequentemente associados a transtornos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia.

O médico psiquiatra Kayo Barboza, coordenador do serviço de medicina do sono da Clínica Holiste Psiquiatria, em Salvador, explica que a normalização da arquitetura do sono auxilia na melhora do humor e dos sintomas ansiosos, além de impactar positivamente a resposta ao tratamento medicamentoso.

Kayo Barboza, coordenador do serviço de Medicina do Sono da Clínica Holiste Psiquiatria por Mkt da Clínica Holiste Psiquiatria/Divulgação

Em entrevista ao CORREIO 24 Horas, o Dr. Kayo falou sobre essa novidade e tirou dúvidas a respeito dos distúrbios do sono, problema considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma epidemia global e que afeta a qualidade de vida de 45% das pessoas em todo o mundo. Ele ainda deu dicas muito importantes para uma boa noite de sono.

Quais motivos levam uma pessoa a não dormir?

As causas que levam uma pessoa a não dormir são múltiplas. Apneia obstrutiva do sono e problemas psiquiátricos como transtorno de ansiedade e depressão, estão entre as causas mais frequentes. Outros problemas médicos como refluxo gastroesofágico e dor crônica também acabam prejudicam muito a qualidade do sono. Somam-se a isso hábitos ruins que são comuns no cotidiano como usar celular antes de dormir, horários irregulares, consumo de cafeína e drogas que também estão entre os maiores vilões do sono. Os distúrbios do sono têm várias portas de entrada e, por isso, criamos um Serviço de Medicina do Sono na Clínica Holiste que é pioneiro no Brasil fornecendo um cuidado integrado e especializado em diagnóstico e tratamento dos distúrbios do sono em pacientes portadores de algum transtorno mental.

Dentro desse contexto, qual a inovação trazida pela Clínica Holiste Psiquiatria?

A Clínica Holiste Psiquiatria, localizada em Salvador, na Bahia, é pioneira no Brasil. Somos a primeira clínica de psiquiatria a oferecer um serviço completo de Medicina do Sono com acompanhamento multidisciplinar.

Temos equipe multidisciplinar formada por especialistas em sono e saúde mental. Isto garante maior segurança e oferece serviço completo nunca disponibilizado desta forma em uma clínica psiquiátrica no Brasil.

A inovação do serviço consiste, sobretudo, em aliar mais de 25 anos de experiência em saúde mental com os conhecimentos mais atuais em medicina do sono, fornecendo um cuidado individualizado e especializado aos pacientes portadores de distúrbios do sono e que também possuem algum transtorno mental. ?

Desvio de septo é um fator? Quando é recomendada a cirurgia?

Sim, definitivamente. O desvio de septo causa obstrução da via aérea crônica que prejudica a respiração durante o sono, podendo levar à apneia e ronco. A cirurgia é indicada quando o desvio causa sintomas significativos — dificuldade para respirar pelo nariz, sangramento nasal recorrente, infecções sinusais frequentes. Especialmente quando está associado a alguns distúrbios do sono.

Quais são os prejuízos causados pelo transtorno do sono?

De modo mais imediato, os distúrbios do sono provocam cansaço, prejuízo da memória, concentração, irritabilidade, prejuízos funcionais e aumento do risco de acidentes. Mas os prejuízos não param aí.

Quando falamos de saúde mental, o paciente pode apresentar piora da ansiedade e depressão, podendo ser causa ou fator agravante do desenvolvimento desses transtornos.

E por fim, a privação crônica de sono causa problemas sistêmicos severos como impotência, aumento do risco de hipertensão, infarto, AVC, além de alterações metabólicas que levam a diabetes tipo 2 e obesidade.

Por isso é muito importante o diagnóstico precoce por uma equipe especializada multidiscipliplinar como a que dispomos no Serviço de Medicina do Sono na Clínica Holiste, uma vez que os distúrbios do sono causam prejuízos sistêmicos e globais.

O que tem motivado o aumento do número de casos de transtorno do sono?

Os números são alarmantes, segundo a FioCruz, mais de 70% dos brasileiros sofrem com distúrbios do sono. O aumento acelerou especialmente após a pandemia de COVID-19.

Os fatores agravantes estão relacionados ao estilo de vida acelerado, pressão constante, uso contínuo de telas mantendo a mente em estado de alerta permanente. Estamos hiperconectados, preocupados demais.

Estamos no Janeiro Branco, mês que reforça estas questões. Consequências: os dados mostram que 26,8% dos brasileiros sofrem de ansiedade, 12,7% de depressão. O Brasil é o país mais ansioso do mundo. Isso tudo está relacionado. É uma epidemia de saúde mental que impacta diretamente o sono. Olhamos para a saúde mental não mais como luxo, mas sim como uma necessidade e por isso é essencial os serviços especializados e multidisciplinares que possam cuidar não apenas da saúde mental, mas também dos distúrbios do sono provocados por esses transtornos.

Há risco de morte em situações como apneia do sono, por exemplo?

Embora a morte diretamente relacionada à apneia seja rara, esse quadro aumenta muito o risco de outras comorbidades clínicas potencialmente fatais. O problema é que, durante cada episódio de apneia, há uma pausa respiratória que reduz drasticamente o oxigênio no sangue. Isto desencadeia inflamação e aumenta risco de trombose, AVC e infarto.

Cada episódio causa descarga de adrenalina, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca bruscamente. Uma pessoa com apneia moderada pode ter centenas desses episódios em uma noite. Isto causa desequilíbrio no sistema nervoso, deixa o coração "hiperativado", podendo inclusive desenvolver arritmias.

Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces em clínicas especializadas são fundamentais para a análise e a prevenção de desfechos clínicos desfavoráveis. Felizmente, quando tratada de maneira adequada, a apneia deixa de ser risco para esses eventos.

Existem hábitos, como, por exemplo, não usar o celular algumas horas antes de dormir, que podem melhorar a qualidade do sono?

Muitos! A higiene do sono é fundamental.

Mantenha sempre horários regulares, dormir e acordar continuamente no mesmo horário, inclusive nos fins de semana, ajudam muito a manter uma regularidade do sono.

Evite o uso de celular, tablet e computador pelo menos uma até duas horas antes de dormir. A luz azul prejudica a liberação de melatonina, além do estímulo de excesso de informações causado por esses dispositivos.

Crie um ritual relaxante antes de dormir: banho morno, leitura, música, meditação.

Mantenha o quarto ventilado, silencioso, escuro, com temperatura confortável.

Exercício físico ajuda, mas, de preferência, pela manhã ou até três horas antes de dormir.

Evite cafeína à noite, refeições pesadas, álcool.

Limite os cochilos a, no máximo, 30 minutos após o almoço.

Durma apenas quando estiver com sono e não fique na cama trabalhando ou olhando as redes sociais.

Essas são pequenas mudanças, mas que fazem uma grande diferença na qualidade do sono.

Aprendemos que o ideal é dormir oito horas por dia. Isso é uma verdade?

Mito. A recomendação não é dormir oito horas especificamente, pois a Academia Americana de Medicina do Sono diz "sete ou mais horas", não oito horas. O que realmente importa é a regularidade e a qualidade, de acordo com a necessidade fisiológica de cada um. O que sabemos e a ciência não deixa margem para dúvidas é que dormir menos de quatro horas por noite de forma consistente gera prejuízos graves à saúde em longo prazo.

Outra coisa é em relação à alimentação. Existe algum alimento proibido para quem tem problema para dormir?

Sim, deve-se evitar à noite alimentos que contenham cafeína — café, chá mate, chá preto, chocolate, guaraná; alimentos gordurosos como carnes vermelhas, frituras, fast food, pois exigem esforço digestivo que mantém o corpo acordado; açúcar em excesso, como doces, bolos, sorvete, pois estimula a insulina que atrapalha os hormônios do sono; e bebidas alcoólicas porque, apesar de “induzir” o sono, prejudicam a qualidade dele.

O que é a Medicina do Sono?

É uma especialidade médica que diagnostica e trata distúrbios relacionados ao sono. É um ato médico exclusivo (só médicos podem fazer diagnóstico de doenças do sono, conforme o Conselho Federal de Medicina - CFM) e que envolve várias especialidades: Neurologia, Otorrinolaringologia, Pediatria, Pneumologia e Psiquiatria. Essa é uma área ainda pouco conhecida pelo público, mas essencial para a qualidade de vida da população.

Qual a relação entre os distúrbios do sono e a saúde mental?

É uma relação bidirecional e recíproca. Não é mão única — distúrbios do sono causam problemas mentais, e vice-versa. Durante o sono, o cérebro “limpa” substâncias tóxicas, incluindo beta-amiloide (ligada ao Alzheimer). Sono é essencial para cognição, memória, regulação emocional. Sem um sono de qualidade, o cérebro e a mente não conseguem funcionar bem.

Mais de 90% dos pacientes com depressão têm problemas de sono. Insônia aumenta o risco de depressão, ansiedade e outros transtornos mentais. Outros problemas psicológicos frequentemente associados ao sono são: TDAH, TEPT, transtorno bipolar, dependência química e esquizofrenia.

Por isso, a abordagem integrada é tão importante. Tratar só a mente ou só o sono é insuficiente. É preciso tratar ambos simultaneamente, exatamente como fazemos na Clínica Holiste Psiquiatria.

Como podemos definir um sono saudável?

Um sono saudável é um padrão de sono adaptado às exigências individuais que promove bem-estar físico e mental. A partir desse aspecto, podemos considerar como um sono saudável aquele que promove satisfação ao acordar, fazendo o indivíduo se sentir restaurado e revigorado, que ocorre na hora certa dentro do ciclo de 24 horas, que seja eficiente e que mantenha a pessoa desperta e disposta durante o dia.

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