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Praia sem perrengue: Descubra onde ainda dá para curtir uma prainha com preço justo, sem assédio e com sua cadeirinha

Guia do CORREIO mostra quanto custam cadeira, sombreiro, comida e bebida nas principais praias de Salvador e revela onde o verão segue tranquilo, barato e sem o perigo de um Porto de Galinhas

  • Foto do(a) author(a) Moyses Suzart
  • Moyses Suzart

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 05:00

Praia sem perrengue
Praia sem perrengue Crédito: Sora Maia

Na moral, bicho. Só passa perrengue em praia quem quer, ao menos em Salvador. A capital baiana tem uma extensão de litoral que chega a 105 km, 64 km só na zona urbana. E nessa imensidão, existem paraísos como a Penha, em que uma pessoa com seu cooler, cadeira de praia e sombreiro não precisa travar guerra com ninguém. Mas sabemos que o bicho está pegando lá fora e estamos aqui para ajudar.

De fato, não está sendo fácil colocar o pé na areia. Imagine então apreciar uma caipirinha, água de coco ou uma cervejinha na beira do mar. Em Porto de Galinhas, Pernambuco, turistas são agredidos por barraqueiros que cobram taxas de consumação e tomam a faixa de areia com seus sombreiros e cadeiras. No Guarujá, litoral sul de São Paulo, barraqueiros fixaram em R$ 380 o valor para quem quiser utilizar as mesas e cadeiras que já ocupam um local que, pasmem, é público. Em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, um peixe frito, daqueles de bandeja de isopor, custa R$ 450. Em Porto de Galinhas, um filé de frango sai por R$ 470. No mesmo lugar, para quem quer só alugar uma cadeira: R$ 350.

O que era para ser um momento de lazer virou um caos no verão deste Brasil. Uma singela ida à praia pode ser tão dolorosa quanto uma dor de dente. E em Salvador? Será que o perrengue é o mesmo? Será que ainda dá para levar seu cooler, cadeira de praia e sombreiro para uma praia da capital? Dá, e muito. Mas também depende. De que Salvador, ou melhor, de que praia de Salvador estamos falando?

O CORREIO rodou as principais faixas de areia da Boa Terra, da Ribeira a Stella, disfarçado de banhista, à procura de um local sem perrengue, com preço justo e a calmaria que uma praia de verão deveria ter. Confira este guia, separado por regiões, para que o seu pé na areia possa ser só um pé na areia mesmo, e não um passo em falso na fatura do cartão. Ou pior: um olho roxo e confusão com barraqueiros.

Praia sem perrengue por Sora Maia

Cidade Baixa - No precinho e na paz

Se o mar já é calmo, o atendimento segue o mesmo contexto. De toda extensão que visitamos, sem dúvida a cidade baixa foi o local com preços mais acessíveis e pouco assédio dos barraqueiros. Na verdade, nenhum. Na Penha, a faixa de areia é tão grande que muita gente vai com seu cooler, sombreiro e cadeira de praia sem precisar se estapear com os barraqueiros e suas mesas. Existe uma consumação mínima para quem quer utilizar uma mesa com sombreiro e cadeiras de plástico: R$ 70. Contudo, os preços nem chegam aos pés de Porto de Galinhas, lá em Pernambuco, ou em outras praias que vimos nos noticiários neste verão. Um peixe frito, com vinagrete e farofa, custa entre R$ 35 e R$ 45, dependendo do tamanho. É exatamente o mesmo em que turistas reclamaram de terem pago R$ 450 em Cabo Frio, no Rio. Água de coco, R$ 7, o mesmo preço da cerveja em lata. Camarão a alho e óleo? 50 conto.

Mais adiante, em Boa Viagem, surpreendeu ainda mais a receptividade. Custamos a acreditar, mas vale lembrar que fomos disfarçados, ninguém sabia que éramos do CORREIO. Lá, não tem sequer consumação mínima. Você pode sentar na mesa para beber uma água de coco (R$ 8) ou encher a cara de cerveja (R$ 15, a garrafa), que dá no mesmo. A mesa com quatro cadeiras plásticas, com sombreiro, sem consumação mínima. Um grupo de turistas de Luís Eduardo Magalhães se surpreenderam com a beleza da praia e dos preços. “A Cidade Baixa é perfeita. A praia lembra o Porto, mas os preços são bem melhores e sem confusão. Se soubesse antes, nem iria lá”, disse uma das turistas.

Porto e Barra - o suco de caos

Buscar paz e sossego na praia não é sinônimo de Porto da Barra. Lá é o epicentro da confusão, onde toda teoria do caos se expande no vai e vem do mar. É preciso ser muito guerreiro para encarar aquela curta faixa de areia com um sombreiro e sua cadeira de praia. Achar um lugar para pisar na areia já é difícil, imagina se instalar. Como de costume, os barraqueiros tomam toda praia e não cobram barato. Um sombreiro, neste verão, custa R$ 80, sem as cadeiras. Para sentar, cada uma sai por R$ 30, para o dia todo. Ou seja: se duas pessoas vão juntas ao Porto, gastam, apenas para se instalarem, R$ 140. Se for comprar no Mercado Livre o mesmo kit, a pessoa gasta cerca de R$ 200 (um sombreiro e duas cadeiras. Apenas 60 reais a mais.

“Eu estou queimando no sol aqui, pois não vou dar R$ 80 num sombreiro. Quando começar a incomodar, eu saio”, disse um banhista, que estava tostando na areia. Mas o preço, inclusive, pode variar ao longo da praia. Um barraqueiro chegou a nos oferecer um sombreiro a R$ 100, com um banquinho de plástico incluído. Os preços também variam. No Forte de Santa Maria, uma água de coco custa R$ 8. Na escadaria do Porto, custa R$ 12. Quando perguntamos a uma turista sobre os preços, quase sai briga. “Me sinto roubada. Uma latinha, R$ 15. O sombreiro, aqui no aperto, R$ 90 e cada cadeira R$ 25. Isso é um abuso!”, disse a turista, quando perguntamos quanto ela pagou pelas coisas. O problema é que a barraqueira escutou. “Não gostou, saia. Pagamos caro pra ficar aqui, damos duro, fica quem quer”, rebateu. É impossível competir com os sombreiros dos barraqueiros. As extremidades da praia são livres para pessoas que não querem o serviço dos barraqueiros, mas o espaço é muito pequeno. Ou dá, ou desce…

No Farol o clima é o mesmo. E o preço depende de sua cara de besta. Em uma barraca, me cobraram R$ 100 para sentar numa mesa e consumir, ao menos, mais R$ 100. Logo ao lado, foi cobrado R$ 150, sem consumação. Se quiser só a cadeira, o mesmo valor da maioria no Porto: R$ 30. Comida e bebida também variam muito. Uma long neck da Heineken chegou a ser oferecida por R$ 22, outros R$ 12.

Praia sem perrengue
Praia sem perrengue Crédito: Sora Maia

Rio Vermelho - Nível subindo…

Diferente da Cidade Baixa, os preços são mais salgados na Praia da Paciência. Enquanto a média de uma porção de acarajé é de R$ 25 em Boa Viagem e R$ 30 no Porto, no Rio Vermelho custa R$ 50, com 20 mini-acarajés. Mas o valor das cadeiras é mais em conta. Duas cadeiras com sombreiro custam R$ 30, mas com um detalhe: precisa consumir na barraca. Caso queira o aluguel do kit, mas esteja com seu próprio cooler, o preço pode variar entre R$ 50 ou R$ 70. O peixe frito sai por R$ 60.

Apesar do mar não ser tão calmo, a praia passa um clima bem tranquilo, porém tudo pode mudar quando a relação entre barraqueiro e banhista entrar em choque. “Mandei agora o rapaz enfiar o dinheiro dele no… Ele me perguntou quanto era somente a cadeira, eu disse que era R$ 20. Ele disse que era para aluguel, não era para levar não. Não aguento mais trabalhar na praia, por isso que o povo lá de Pernambuco desceu a porrada”, reclamou uma barraqueira, enquanto eu perguntava quanto era a cerveja. “olha aí no cardápio”, me respondeu, numa delicadeza de um jumento, como diz o ditado.

Zona Norte de Salvador - Do assédio ao luxo

Salvador tem muitas faces e facetas. De Jaguaribe a Itapuã, barraqueiros abordam os banhistas antes mesmo de saírem do carro ou do Uber. E se você é fisgado pela primeira abordagem, pode pagar caro e levar toco. Quando cheguei com a cadeira de praia em Piatã, o primeiro barraqueiro me ofereceu “no precinho”: “Tá com cooler? Se consumir comigo, pode sentar na mesa de graça, mas consumindo

R$ 100 comigo. Não vai achar mais barato aqui”, disse. Era uma mesa plástica, sombreiro e cadeira de bar. Quando disse que iria dar uma olhada mais na frente, ele foi mais agressivo. “Vai se lenhar lá, muito mais caro, depois não venha se arrepender”, deu o recado. Mera especulação. Duas barracas depois, a consumação mínima era R$ 70. Com o barraqueiro Joilson, nem isso. “Consumindo comigo, pode sentar aí”, afirmou. Com uma faixa de areia ampla, diferente do Porto e do Farol da Barra, muita gente estava curtindo a praia com seu próprio kit, incluindo cooler com suas próprias bebidas, mas sem clima hostil com os barraqueiros.

“Tô fora de confusão, a praia é de todo mundo. Claro, se for sentar na minha barraca, que consuma comigo, né? Se não quiser, aí eu cobro R$ 70 para usar, aí pode levar seu próprio cooler, ficar à vontade. Tudo tem conversa”, explicou Joilson, que pensava estar conversando com um turista de São Paulo. “Se preocupe não, que aqui você não vai apanhar de barraqueiro”, completa. O preço segue o padrão. A água de coco custa R$ 8. A porção do acarajé com 25 unidades, R$ 37.

Na ponta final desta faixa de areia diversificada, está um lado bem nobre de Salvador. Em Stella Maris, a faixa de areia é um bom lugar para quem quer levar sua cadeira de praia, sobreiro e cooler. Contudo, as barracas castigam no preço e, se pretende ir para uma como a do Louro, é bom ter bala na agulha. Uma cerveja, de garrafa, varia entre R$ 23 e R$ 29. Um peixe frito, R$ 215. Mas o curioso é que são preços já praticados pela barraca. Inclusive a barraca disponibiliza o cardápio online, para evitar surpresas.

Na diversificada e praieira Salvador, dá para colocar o pé na areia sem precisar financiar o peixe frito em 12 vezes no cartão. Basta escolher bem a praia, respirar fundo e, principalmente, alinhar expectativas: se o barraqueiro vier com muita sede ao pote, você finge que não ouviu, dá dois passinhos para o lado e segue sua vida com dignidade, protetor solar e um cooler fiel. Porque praia boa é aquela em que a maior preocupação é desviar da bola da criançada e decidir se hoje vai ser água de coco ou a tradicional geladinha. Já demos todo o caminho e opções. Sua cabeça agora é o seu guia. Boa praia?!

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Praia