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Só de toalha: bloco transforma a Barra em banho coletivo de glitter e folia no pré-Carnaval

Bloco Chuveirão ocupa o bairro de folia com fanfarra com mais de mil adeptos e irreverência no “Habeas Corpus”

  • Foto do(a) author(a) Moyses Suzart
  • Moyses Suzart

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 05:00

Bloco Chuveirão
Bloco Chuveirão Crédito: Divulgação

Com esse calor que mais parece uma sucursal do inferno, sair só de toalha nas ruas de Salvador é um convite tentador. Claro, em dias comuns da capital, vão te chamar de maluco. Mas se você ver alguém de toalha e touca no próximo dia 11 de fevereiro, na Barra, com fanfarra puxando o cortejo, glitter caindo do alto e um chuveiro cenográfico espalhando brilho no meio da rua, pode ir atrás. Com certeza é o Bloco Chuveirão abrindo o pré-carnaval do “Habeas Corpus”.

Lógico, não se trata de um banho coletivo. É o Bloco Chuveirão, que há sete anos transforma a última noite antes da abertura oficial do Carnaval de Salvador em um ritual próprio de alegria, memória e ocupação popular do espaço urbano. O bloco já é considerado tradição. A concentração acontece a partir das 19h, na Rua Marques de Leão, de onde o cortejo segue pelas ruas Miguel Burnier e Airosa Galvão, passa pela Avenida Oceânica e chega ao Farol da Barra, ao menos quem consegue chegar até o final depois de tanto goró no juízo, já que seus ‘sócios’, ou melhor, banhistas têm open bar.

“A ideia do bloco surgiu entre amigos do Imbuí. A gente queria sair junto no Carnaval, fazer uma fantasia, brincar na rua. Resolvemos criar algo diferente: montar um chuveiro móvel e empurrar ele pela rua, dizendo que estava vindo o Chuveirão. O nome nasceu dessa brincadeira. Tudo foi feito de forma voluntária, sem fins lucrativos. A gente comprou as toalhas, mandou bordar, fez o projeto do chuveiro, comprou o material e montou tudo. No primeiro ano, saímos do Shopping Barra até perto do Farol da Barra. Foram mais de duas horas de cortejo e, antes de chegar lá, o chuveiro já tinha quebrado, mas a gente continuou a brincadeira”, lembra Ícaro Ambrozi, um dos idealizadores.

No primeiro ano, foram 50 amigos. No ano seguinte, já eram 128 pessoas. Hoje o bloco reúne entre 1.200 e 1.500 foliões antes mesmo do carnaval começar. “A gente nunca imaginou que o bloco ia tomar essa proporção toda, um bloco que começou ali pra 50 pessoas que eram só amigos. É surreal esse projeto. Esse ano, pela primeira vez, vamos ter um open bar com open drinks em parceria com a Oxe drinks”, conta Everton Nascimento, também fundador deste suco de confusão.

O bloco abriu recentemente o quarto lote, que custa R$ 260, com open bar de bebidas, mais a fantasia, que engloba logicamente uma toalha estampada para você enrolar na cintura e um copo personalizado. A venda acontece por meio do site Bilheteria Digital. O link está no perfil do Instagram do bloco (@blocochuveirao). É na concentração que acontece o open drink, que será uma novidade este ano. No trajeto, cerveja, água e refri estão no pacote.

“O Bloco Chuveirão esgota todos os anos. A gente tem um público muito fiel, muitos já estão com a gente desde a primeira edição. Tem uma galera que já espera a abertura das vendas para garantir, porque o bloco já faz parte da programação do pré-Carnaval dessas pessoas”, disse Miqueias Nunes, também idealizador. “Essa conexão vem do fato de que o público participa da construção do Chuveirão. Eles dão sugestões de toalha, opinam sobre o open bar, acompanham tudo de perto. Não é só um bloco, é uma experiência construída junto com quem curte com a gente”, completa.

Bloco Chuveirão por Divulgação

A trilha sonora da noite não vem de trios elétricos nem de playlists digitais. Quem comanda o ritmo é uma banda de fanfarra, o tradicional “chupa catarro”. Trompetes, tambores e metais conduzem o desfile e dão o tom do cortejo, criando uma atmosfera que lembra os carnavais de antigamente, quando a rua era palco, arquibancada e camarote ao mesmo tempo.

Se a música puxa o passo a animar este pré-carnaval na Barra, é a irreverência que define a identidade do Chuveirão. O kit do folião inclui uma toalha, usada como fantasia e abadá improvisado, em referência direta ao nome do bloco. O já famoso chuveiro cenográfico completa a experiência, “banhando” os participantes com glitter. Todo mundo vira parte da cena. E muita gente parece preparar o corpo o ano todo para poder sair só de toalha na rua.

“A gente mantém essa tradição (da toalha) porque o abadá sempre foi mais do que uma camisa, no bloco chuveirão a toalha já vira um acessório para o restante do ano, já virou uma é identidade do bloco durante o carnaval. O preparo começa cedo, com muita conversa, referência e cuidado nos desenhos”, conta Helen Nascimento, também organizadora da trupe.

Além da diversão, o Chuveirão também nasce como resposta às transformações recentes do Carnaval de Salvador. Com a perda gradual de protagonismo do axé no cenário nacional e o crescimento dos blocos de rua e circuitos alternativos em várias cidades do país, o grupo enxergou uma brecha para resgatar elementos da memória da festa.

Esse espírito tem feito do Chuveirão um dos momentos mais aguardados do calendário pré-carnavalesco da Barra. A cada edição, moradores, turistas, foliões experientes e estreantes se misturam no mesmo fluxo e fazendo o bloco crescer todo ano.

“Para a gente é muito gratificante ver o crescimento do bloco. O retorno da galera é impressionante. A gente consegue reunir casais, solteiros, idosos, pessoas mais velhas, todo mundo junto em um ambiente confortável, tranquilo e de muita diversão, cantando com a banda de sopro, dançando e se divertindo. Ver essa adesão do público, esse crescimento de sair de 50 pessoas para quase 1.500 em 2026, é algo que dá muita felicidade. Representa esse espírito de comunhão e celebração, de viver o Carnaval de Salvador com os amigos. Eu sempre brinco que é uma festa nossa, dos nossos amigos, dentro da maior festa popular do mundo, e isso é motivo de muito orgulho para a gente”, completa Ícaro Ambrozi, que lembra também da turma da manguaça.

“Rapaz, tem gente que no outro dia me pergunta como conseguiu chegar até o Farol pelo nível da cachaça que tomou”, brinca. Aí só um chuveirão frio na cabeça mesmo para ver se cria juízo…

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