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Esther Morais
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 13:05
Foram seis anos de dedicação aos estudos até a conquista do primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Aos 23 anos, a estudante Ana Luiza Teixeira, natural de Valente, no interior do estado, finalmente celebrou a aprovação. “Foi uma sensação muito boa. Fiquei muito orgulhosa por tudo que isso representa”, disse. >
Apesar do resultado expressivo, o sonho da Medicina não esteve presente desde o início. Filha de uma enfermeira com mais de 30 anos de atuação, ela conta que, durante muito tempo, tentou se afastar da área da saúde.>
“Por incrível que pareça, eu nunca quis Medicina. Eu não queria seguir a área da saúde porque minha mãe sempre trabalhou muito, então eu pensava em fazer Direito ou Engenharia, sempre tentando fugir”, conta. >
“No ensino fundamental, fui gostando mais das matérias e pensei que, se fosse escolher, seria Medicina, principalmente pela ampla oportunidade e pelas possibilidades de carreira", explica. >
A trajetória até a aprovação também foi diferente da maioria dos estudantes. A jovem concluiu o ensino médio em 2019 e fez cursinho até 2022. Cansada da rotina intensa, decidiu tentar o Bacharelado Interdisciplinar (BI) em Saúde, na Ufba.>
“Eu estava muito cansada do cursinho e resolvi tentar o BI. Passei e fiquei três anos no curso. Desde o início, sabia que precisava ter um desempenho excelente”, revela.>
No BI em Saúde, a estudante manteve um rendimento acadêmico elevado, com mais de 30 disciplinas concluídas com nota máxima - vale ressaltar que o processo de ingresso em Medicina ocorre a partir de um cálculo feito pela própria universidade, com base nas médias das disciplinas cursadas.>
“Eu tinha uma planilha com todas as minhas notas desde o início. Como tive um desempenho muito alto, meu cálculo ficou entre os maiores”, contou. Atualmente, a Ufba oferta 32 vagas anuais para Medicina destinadas a estudantes do BI, disputadas por centenas de candidatos.>
Formada no BI em Saúde em 2025.1, ela conquistou a aprovação em primeiro lugar. “Foi uma felicidade enorme”, disse. “A Faculdade de Medicina da Ufba foi a primeira do Brasil e, historicamente, teve poucos estudantes negros. Isso torna tudo ainda mais significativo.”>
A aprovação também foi motivo de forte emoção para a família. “Meus pais ficaram muito felizes, choraram bastante. Minha mãe ficou muito emocionada. Acho que foi uma realização para eles”, declara.>
Para a estudante, seguir na área da saúde também representa dar continuidade a um legado familiar. “Minha mãe sempre foi vista como uma pioneira. Acabar seguindo essa carreira e carregar esse título tem um significado muito grande pra mim.”>