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Maria Raquel Brito
Publicado em 25 de março de 2026 às 11:20
A proporção de adolescentes que já foram forçados a fazer sexo cresceu na Bahia. Em 2024, 8,6% dos estudantes entre 13 e 17 anos declararam já ter sido ameaçados, intimidados ou obrigados a fazer algum ato sexual contra a própria vontade, aponta a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação.. >
O resultado de 2024 apontou um aumento de mais de três pontos percentuais em relação à edição anterior, em 2019, quando 5,1% dos estudantes baianos disseram que já haviam sido forçados a fazer sexo. >
Veja dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024
A pesquisa, que funciona como um raio-X da adolescência, mapeou na Bahia 192 escolas públicas e privadas e tem como base as respostas de 6.758 estudantes a temas como sexo, saúde mental e consumo de drogas. >
Na edição mais recente, sete a cada dez (70,4%) jovens afirmaram que a violência ocorreu antes dos 13 anos de idade. O agressor era quase sempre alguém conhecido (76,8% das situações) e, em um terço dos casos (34,2%), a agressão foi cometida por algum familiar. >
Além disso, o levantamento reforçou ainda que as mulheres são proporcionalmente muito mais vítimas de violência sexual do que os homens. Na Bahia, 10,2% das estudantes relataram ter sido forçadas a algum ato sexual, frente a 6,9% dos rapazes.>
De acordo com Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de informações do IBGE na Bahia, os dados ressaltam que as adolescentes mulheres estão muito mais sujeitas a riscos do que os homens, tanto em violência sexual como em questões como bullying, saúde mental e consumo de álcool. >
“É como se a adolescência fosse mais perigosa, mais arriscada para as meninas do que para os meninos. Isso a gente já tinha percebido em 2019, já era uma realidade, e continua sendo uma realidade. Não muda e em alguns casos é pior. Nos casos em que é pior para todo mundo, também é pior para as mulheres, mostrando justamente como é preciso um olhar específico, mais atento e cuidadoso, em relação às moças”, diz.>
Os números de 2024 fizeram com que a Bahia saísse do 2º menor para o 10º menor percentual de adolescentes vítimas de atos sexuais forçados. Os percentuais mais elevados, em 2024, estavam em Amazonas (14,0%), Amapá (13,5%) e Tocantins (13,0%).>
Agora, com a divulgação dos números, a expectativa é que esses dados repercutam entre secretarias de educação, instituições e professores. “Não tem dados por município, mas é importante olhar esses dados do estado como um todo, tomar conhecimento desses dados e agir, adequar políticas que já existam e rever outras. Focar esforços em áreas que precisam de esforços”, diz Viveiros. >