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Criadouro rebate acusações após ararinhas-azuis ameaçadas de extinção desenvolverem vírus letal na Bahia

As ararinhas azuis são originárias do sertão baiano e não eram encontradas havia 20 anos quando foram levadas para criadouro no norte baiano

  • Foto do(a) author(a) Wladmir Pinheiro
  • Wladmir Pinheiro

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 14:36

Araras-azuis gostam de fazer seus ninhos em ocos de árvores grandes (Imagem: Ondrej Prosicky | Shutterstock)
11 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) foram recapturadas no início de novembro por suspeita de infecção por circovírus testaram positivo para o vírus, considerado letal Crédito: Imagem: Ondrej Prosicky | Shutterstock

O Criadouro Ararinha-azul, em Curaçá, no Norte da Bahia, contestou as acusações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sobre negligência, desleixo e falhas de biossegurança na unidade responsável pela conservação da espécie. Segundo o ICMBio, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, as 11 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) recapturadas no início de novembro, no criadouro, por suspeita de infecção por circovírus testaram positivo para o vírus, considerado letal.  As ararinhas azuis são originárias do sertão baiano.

A instituição, porém, afirma manter 103 ararinhas-azuis, das quais 98 não apresentaram detecção de circovírus nos exames mais recentes e 5 tiveram resultado positivo. A doença não tem cura e mata a ave na maior parte dos casos. 

Espécie ameaçada de extinção: ararinhas-azuis soltas na Bahia testam positivo para vírus letal por Miguel Monteiro

O criadouro diz seguir normas sanitárias internacionais e adotar protocolos rígidos de manejo. Em nota divulgada neste domingo (30), o criadouro afirmou que: 'em vez de atuar em cooperação para enfrentar um problema sanitário que existe no Brasil há mais de 30 anos, o Estado prefere transferir a culpa e buscar punições contra uma entidade privada que investe recursos próprios na conservação de uma espécie ameaçada'.

A instituição também contesta a interpretação do ICMBio sobre as 11 ararinhas recapturadas no início de novembro por suspeita de infecção por circovírus. Segundo o órgão federal, todas testaram positivo para o vírus, considerado letal e associado à doença do bico e das penas, reforçando a necessidade de ampliar medidas de contenção.

O criadouro, porém, afirma que 'há divergência nos testes, além de que elas contraíram o vírus fora do local (em vida livre na natureza)'. A empresa afirma que exames mais recentes identificaram vírus em apenas 5 aves no total (três do plantel e duas recapturadas) e que metodologias laboratoriais diferentes geraram resultados contraditórios. As aves recapturadas estão isoladas e sem contato com o restante do plantel.

A direção também questiona a multa de R$ 1,8 milhão aplicada pelo ICMBio por descumprimento de protocolos de biossegurança, alegando que não teve acesso ao laudo técnico completo que embasa a autuação.

'Solicitamos integral ao processo e uma reunião técnica com os laboratórios e autoridades para reavaliar os exames de forma conjunta', afirma a entidade.

Na nota, o criadouro reforça o compromisso com a transparência e afirma que decisões sobre a situação sanitária devem ser baseadas em critérios técnicos para garantir a proteção da população de ararinhas-azuis na Caatinga.

O destino das ararinhas

Em março de 2020 desembarcaram em solo brasileiro, no Criadouro para fins conservacionistas do Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul, em Curaça, 52 ararinhas originárias de criatórios na Alemanha e na Bélgica. Foram 26 machos e 26 fêmeas. Desde aquela época, elas foram preparadas para o retorno à natureza. Antes dessas aves serem repatriadas da Europa, a última aparição da espécie na natureza havia 20 anos.

No momento, investigações são realizadas para identificar a origem do vírus nas ararinhas. O próximo passo é a separação segura entre animais positivos e negativos, para garantir que as medidas de biossegurança sejam incorporadas à rotina de manejo dessas aves. Oriundo da Austrália, o circovírus dos psitacídeos é o principal causador da doença do bico e das penas em psitacídeos (grupo de aves que inclui araras, papagaios e periquitos). Os sintomas incluem a alteração na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. No entanto, este vírus não infecta humanos nem aves de produção.

Após a detecção de circovírus em uma ararinha-azul, em maio deste ano, o ICMBio instaurou o Sistema de Comando de Incidente para gerenciar a Emergência Circovírus, cujo objetivo tem sido impedir a disseminação do vírus para os indivíduos de ararinha-azul e demais psitacídeos da região. Após várias vistorias técnicas do ICMBio em parceria com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) e a Polícia Federal, foi constatado que os protocolos de biossegurança não estavam sendo seguidos pelo Criadouro para fins Científicos do Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul. Isso resultou em uma notificação e, após constatação de seu descumprimento, o Criadouro Ararinha Azul e o seu diretor foram multados no valor de, aproximadamente, R$ 1,8 milhão.