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Galinhas põem menos ovos na Quaresma? Especialistas explicam mito

Preço da placa aumentou nos últimos meses

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 19 de março de 2026 às 05:00

Placa de ovo em Salvador
Placa de ovo em Salvador Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Da omelete àquela sobremesa elaborada, o ovo é um alimento essencial no prato dos brasileiros. E tem ficado mais salgado: nos últimos dois meses, o preço da placa com 30 ovos aumentou mais de 4% em Salvador, como mostrou o CORREIO nesta semana.

Boletins informativos de preço dos Centros de Abastecimento da Bahia (Ceasa) apontam que a caixa com 30 dúzias de ovos brancos extra, que era comercializada para mercados e feiras a R$ 150 em 21 de janeiro, passou a custar até R$ 145 no mês seguinte e, na atualização desta quarta-feira (18), atingiu R$ 220 – um aumento de 46.6% em dois meses.

Há uma combinação de fatores para o registro desse aumento (Passe para saber mais) por Arisson Marinho/CORREIO

Entre as causas do aumento, estão fatores como o “efeito Quaresma” (em referência ao período em que católicos evitam o consumo de carne) e as altas da soja, que compõe a alimentação das galinhas, e do combustível.

Mas aqui entra também uma história conhecida: a de que a oferta cai porque as galinhas põem menos ovos durante a Quaresma. A afirmação tem certo fundamento, mas a motivação dos galináceos não é lá religiosa.

“A ovulação da galinha é estimulada pela luz. De janeiro a junho, o tempo de horas de luz no dia diminui e isso provoca uma diminuição progressiva na produção”, explica Patrícia Tanner. As aves precisam de 14 a 16 horas de luz por dia para manter uma produção regular.

Produtora de ovos caipiras, Edna Santos não pretende aumentar o valor dos seus produtos neste mês. A granja dela, em Serrinha, no centro norte da Bahia, trabalha com criação de ovos do tipo caipira em processo manual, e não reduz a produção nos primeiros meses do ano. Isso por conta do programa de luz utilizado, que prolonga o tempo de claridade mesmo no período em que os dias são mais curtos. Segundo ela, o uso segue a orientação da veterinária da granja.

“Ovo aguado”

Ao mesmo tempo que o preço cresce, os consumidores percebem mudanças na qualidade dos ovos. Sidnei Almeida, vendedor da Feira de São Joaquim, tem escutado de seus clientes o mesmo comentário: que os ovos que compram estão aguados.

“O pessoal reclama muito quando pega em mercado, diz que é aguado, que o ovo é fraco”, diz o permissionário.

O maior motivo desse enfraquecimento é o calor. É o que explica Edna Souza. “Geralmente o ovo aguado está relacionado a temperaturas altas. Ambientes quentes e mais tempo de prateleira contribuem para que a clara vá perdendo aos poucos a sua consistência”, diz.

Como escolher?

Alguns cuidados são essenciais na hora de comprar ovos. Aspectos como as condições da casca – sem sujidades ou trincas – e a presença de selo de inspeção e data de validade devem estar no topo da lista de prioridades. E outro ponto essencial é entender que não, tamanho não é documento aqui.

“O importante é conhecer a procedência e o manejo que o criador tem. O tamanho do ovo está mais ligado à fase de vida da galinha: no início da postura os ovos são menores e com o passar do tempo ficam maiores”, afirma a produtora Patrícia Tanner.

Quando a dúvida é entre comum e orgânico, as maiores diferenças são o preço e as condições de criação dos animais, uma vez que no último as galinhas são criadas livres, com área de pasto, e os insumos são mais caros.

“Em termos de bem estar animal, não tem comparação. As galinhas das granjas de produção convencional, mantêm as galinhas em pilhas de gaiolas pela vida quase toda. Isso gera um risco maior de doença e eles usam antibióticos preventivos para evitar”, diz Tanner.