Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Batata dobra de preço em Salvador e quilo chega a R$ 10 após chuvas

Produção afetada pelas chuvas diminui disponibilidade e encarece hortaliça nas feiras; tomate também sobe

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 10 de março de 2026 às 05:00

Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada é de 58%
Saca de 50kg de batata inglesa apresentou aumento de 560% em um mês Crédito: Shutterstock

Um item comum na mesa dos baianos tem pesado mais no bolso. Nas últimas semanas, o quilo da batata-inglesa saltou de R$ 4,99 para R$ 10 nos centros de distribuição de Salvador – um aumento de 100%.

A cozinheira Janete Sarquis, de 58 anos, foi uma das pessoas que se assustaram ao ir às compras nas últimas semanas. Ela, que trabalha com a venda de lanches e almoço na Universidade Federal da Bahia (Ufba), optou por suspender a maioria dos pratos com o tubérculo. “Deixei de fazer purê de batata, batata gratinada, até nos legumes com frango eu diminuí bastante”, conta.

De acordo com os comerciantes, o reajuste é reflexo das fortes chuvas que assolaram regiões de todo o país no início de março. As sacas de 50kg, que eram comercializadas para os mercados e feiras a R$ 50 em 9 de fevereiro, passaram a custar R$ 330 em um mês, de acordo com os boletins informativos de preço dos Centros de Abastecimento da Bahia (Ceasa).

“A gente compra o mínimo do mínimo possível. Compra duas sacas grandes, que são cem quilos. Aqui estou negociando o quilo por R$ 10,99, mas nos mercados está mais caro ainda. Os clientes reclamam, dizem que os produtos ficam fora do orçamento”, diz o vendedor Luiz Ribeiro, que trabalha há 46 anos no Ceasa do Ogunjá.

Os maiores produtores de batata são Minas Gerais (produção de 1,43 milhão de toneladas em 2024), Paraná (699 toneladas), São Paulo (648.5 toneladas) e Bahia (510.7 toneladas), apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme indicativo de procedência da Ceasa, a batata consumida pelos baianos vem do próprio estado, de Goiás e de Minas Gerais. No box de seu Luiz, todos os produtos vêm da Bahia. As batatas são da Chapada Diamantina, onde foram registrados volumes expressivos de chuva entre o fim de fevereiro e o início de março.

Em mais de quatro décadas como permissionário, Luiz Ribeiro já viu outras tempestades causarem altas nos preços de seus produtos, mas afirma que nenhum aumento foi tão expressivo quanto o atual. “Desta vez foi demais. E, consequentemente, vem menos batata, porque não pode colher”, diz.

Batata é um alimento versátil e delicioso por Shutterstock

A alta começou no fim de fevereiro, quando o preço da saca passou de R$ 60 (23/02) para R$ 125 (25/02) e depois saltou para R$ 340 (27/02).

Ilza Fernandes também vende frutas e hortaliças no Ceasa. A experiência de 45 anos faz com que ela saiba que a variação é comum e não se desespere ao ver os preços aumentarem, mas, assim como seu Luiz, ela estranhou a alta desta vez.

“Aumentou cem por cento. Devido às chuvas, ficou escasso. E afeta as pessoas: quem costuma levar três quilos só leva um quilo, quem costuma levar um quilo só leva duas ou três unidades, porque é um absurdo”, afirma a vendedora, cujos produtos vêm de São Paulo.

Tomate também está em alta

A batata não é a única hortaliça que se tornou vilã nos pratos ultimamente. De acordo com os boletins do Ceasa, uma caixa de tomate de 20 kg a 22 kg passou de R$ 90 há um mês para R$ 140 no informativo mais recente, divulgado nesta segunda-feira (9). Ou seja, um incremento de 55% no custo.

Esse valor também foi repassado para o consumidor final, que costumava encontrar o quilo do tomate por R$ 3,99 e se deparou nas últimas semanas com um aumento de R$ 5, para R$ 8,99.

Foi o caso do professor Jones Oliveira, de 52 anos, que descobriu a alta enquanto comprava os ingredientes para uma receita do almoço de domingo da família. O aumento não passou despercebido, mas, por falta de opção, resolveu pegar mesmo assim.

“Vamos ver se vai aumentar ainda mais. Tem coisa que quando aumenta muito a gente já deixa de comprar ou compra menos, ou, quando é algo que dá para substituir, já substitui. Mas, acho que ainda não chegou nesse patamar”, diz.