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Maria Raquel Brito
Publicado em 10 de março de 2026 às 05:00
Um item comum na mesa dos baianos tem pesado mais no bolso. Nas últimas semanas, o quilo da batata-inglesa saltou de R$ 4,99 para R$ 10 nos centros de distribuição de Salvador – um aumento de 100%. >
A cozinheira Janete Sarquis, de 58 anos, foi uma das pessoas que se assustaram ao ir às compras nas últimas semanas. Ela, que trabalha com a venda de lanches e almoço na Universidade Federal da Bahia (Ufba), optou por suspender a maioria dos pratos com o tubérculo. “Deixei de fazer purê de batata, batata gratinada, até nos legumes com frango eu diminuí bastante”, conta.>
De acordo com os comerciantes, o reajuste é reflexo das fortes chuvas que assolaram regiões de todo o país no início de março. As sacas de 50kg, que eram comercializadas para os mercados e feiras a R$ 50 em 9 de fevereiro, passaram a custar R$ 330 em um mês, de acordo com os boletins informativos de preço dos Centros de Abastecimento da Bahia (Ceasa).>
“A gente compra o mínimo do mínimo possível. Compra duas sacas grandes, que são cem quilos. Aqui estou negociando o quilo por R$ 10,99, mas nos mercados está mais caro ainda. Os clientes reclamam, dizem que os produtos ficam fora do orçamento”, diz o vendedor Luiz Ribeiro, que trabalha há 46 anos no Ceasa do Ogunjá.>
Os maiores produtores de batata são Minas Gerais (produção de 1,43 milhão de toneladas em 2024), Paraná (699 toneladas), São Paulo (648.5 toneladas) e Bahia (510.7 toneladas), apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).>
Conforme indicativo de procedência da Ceasa, a batata consumida pelos baianos vem do próprio estado, de Goiás e de Minas Gerais. No box de seu Luiz, todos os produtos vêm da Bahia. As batatas são da Chapada Diamantina, onde foram registrados volumes expressivos de chuva entre o fim de fevereiro e o início de março. >
Em mais de quatro décadas como permissionário, Luiz Ribeiro já viu outras tempestades causarem altas nos preços de seus produtos, mas afirma que nenhum aumento foi tão expressivo quanto o atual. “Desta vez foi demais. E, consequentemente, vem menos batata, porque não pode colher”, diz.>
Batata é um alimento versátil e delicioso
A alta começou no fim de fevereiro, quando o preço da saca passou de R$ 60 (23/02) para R$ 125 (25/02) e depois saltou para R$ 340 (27/02). >
Ilza Fernandes também vende frutas e hortaliças no Ceasa. A experiência de 45 anos faz com que ela saiba que a variação é comum e não se desespere ao ver os preços aumentarem, mas, assim como seu Luiz, ela estranhou a alta desta vez. >
“Aumentou cem por cento. Devido às chuvas, ficou escasso. E afeta as pessoas: quem costuma levar três quilos só leva um quilo, quem costuma levar um quilo só leva duas ou três unidades, porque é um absurdo”, afirma a vendedora, cujos produtos vêm de São Paulo. >
A batata não é a única hortaliça que se tornou vilã nos pratos ultimamente. De acordo com os boletins do Ceasa, uma caixa de tomate de 20 kg a 22 kg passou de R$ 90 há um mês para R$ 140 no informativo mais recente, divulgado nesta segunda-feira (9). Ou seja, um incremento de 55% no custo.>
Esse valor também foi repassado para o consumidor final, que costumava encontrar o quilo do tomate por R$ 3,99 e se deparou nas últimas semanas com um aumento de R$ 5, para R$ 8,99. >
Foi o caso do professor Jones Oliveira, de 52 anos, que descobriu a alta enquanto comprava os ingredientes para uma receita do almoço de domingo da família. O aumento não passou despercebido, mas, por falta de opção, resolveu pegar mesmo assim. >
“Vamos ver se vai aumentar ainda mais. Tem coisa que quando aumenta muito a gente já deixa de comprar ou compra menos, ou, quando é algo que dá para substituir, já substitui. Mas, acho que ainda não chegou nesse patamar”, diz.>