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Mulheres avançam no mercado digital e impulsionam empreendedorismo online na Bahia

Alta no estado segue tendência brasileira; negócios digitais liderados por mulheres cresceram 142% em 10 anos

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 5 de março de 2026 às 05:00

Dicas práticas ajudam mulheres empreendedoras a superarem desafios e obterem sucesso com seus projetos (Imagem: Jirapong Manustrong | Shutterstock)
Empreendedorismo feminino cresceu exponencialmente nos últimos 10 anos Crédito: Imagem: Jirapong Manustrong | Shutterstock

O mercado digital está cada vez mais feminino. É o que aponta uma pesquisa da empresa de tecnologia Hotmart, que mostra que os negócios liderados por mulheres na plataforma saltaram de 19% para 46% entre 2015 e 2025 – um crescimento de 142%.

Através de um cruzamento de dados da Hotmart com o Relatório Técnico de Empreendedorismo Feminino, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a empresa apontou ainda que o avanço das mulheres no ambiente digital supera em 35% os índices do empreendedorismo feminino “offline”.

No mercado baiano, o movimento também tem sido esse. De alguns anos para cá, só cresce o número de mulheres que têm apostado em negócios que vão de mentorias on-line à venda de produtos pela internet. Quem afirma é Valquíria de Pádua, coordenadora do Sebrae Delas na Bahia.

“Essa é uma tendência na Bahia, principalmente entre as mulheres. [Os principais formatos são] o e-commerce e a questão dos serviços. A gente está vendo um avanço das mulheres utilizando rede social para divulgar seus serviços, quer sejam prestados no físico ou no digital, como venda de consultorias. E as lojas virtuais, as vendas pelo Instagram e pelo WhatsApp, também tiveram um aumento importante”, diz.

Entre as mulheres que compartilham conhecimento umas com as outras através da internet está a advogada baiana Gabriela Pereira, referência nacional em Direito Imobiliário Extrajudicial. Desde 2018, ela vende o que chama de “advocacia de alto padrão” para advogadas. De lá para cá, passou a falar em eventos on-line e presenciais, além dos cursos. Hoje, são 163 profissionais ativas em sua mentoria e 85% dos clientes vêm do digital, segundo ela.

“Todo o foco do meu ensinamento é transformar advogadas em verdadeiras mulheres de negócios. Eu vim do nada, vim de colégio público, de bairro periférico. Eu não tive ninguém para me dar oportunidades, tive que criar as minhas próprias. E precisando criar as minhas próprias oportunidades, foi o digital que me trouxe a possibilidade de visibilidade, das pessoas saberem exatamente quem eu sou, o que eu faço e o que eu entrego. E isso me proporcionou chegar a transformar mais de 10 mil vidas”, afirma Pereira.

Advogada Gabriela Pereira vende treinamentos na internet e ministra palestras Brasil afora por Divulgação

Um dos atrativos do empreendedorismo digital é a economia na operação quando comparado a um estabelecimento físico. Valquíria de Pádua, do Sebrae Delas, destaca a importância da praticidade e da flexibilidade de horário para as mulheres que começam um negócio. “É um formato muito mais favorável para elas, justamente porque enfrentam as questões da dupla jornada em casa e da economia do cuidado”, diz.

Ela reforça que, para essas mulheres, abrir o próprio negócio significa ter a chance de alcançar independência financeira e trabalhar com o que gosta. A empreendedora Alana Ribeiro pode atestar isso. Hoje com 25 anos, ela comanda desde 2023 a loja virtual Ilume, na qual vende roupas femininas.

Para ela, empreender sempre foi um sonho, mas o medo de dar errado falava mais alto. Foi só depois de se tornar mãe que ela teve coragem de dar o pontapé inicial.

“Eu estava precisando muito de alguma coisa pra ocupar a mente e sentir que eu podia ser algo além de mãe. (...) A maternidade trouxe um renascimento na minha vida, uma força e uma vontade de construir algo meu, e a loja também nasceu nesse momento e veio como um símbolo de coragem, recomeço e também de desejo de renovar a autoestima de outras mulheres através da moda”, conta.

Desafios

Desde o início, Alana faz tudo por conta própria, dos pedidos das mercadorias até as interações com clientes nas redes sociais. A maior rede de apoio é a prima, que a ajuda com fotos e vídeos e fica com sua filha enquanto ela cumpre as demandas da loja.

“⁠Inicialmente, os meus maiores desafios eram conseguir conciliar nova rotina de mãe, dona de casa, estudante e também empreendedora. Hoje essa ainda é uma questão presente, mas já faz parte da minha rotina”, diz.

A realidade de Alana é a mesma de muitas microempreendedoras Brasil afora. Segundo a empresária e estrategista Monique Evelle, essa é uma camada que nunca entra nas discussões de negócios, mas pesa muito: a sobrecarga.

“Muitas mulheres estão empreendendo enquanto continuam sendo as principais responsáveis pelo cuidado da casa, dos filhos e da família. Então, na prática, muitas estão construindo empresas enquanto gerenciam várias outras jornadas ao mesmo tempo. Por isso, quando a gente fala de empreendedorismo feminino, não é só sobre incentivo ou inspiração. É também sobre acesso, estrutura e redistribuição de oportunidades. Porque talento existe. O que ainda precisa ser mais bem distribuído é oportunidade”, defende.

O principal obstáculo, porém, ainda é o acesso a capital. De acordo com Evelle, que também é autora do livro “Empreendedorismo feminino: Olhar estratégico sem romantismo”, negócios liderados por mulheres ainda recebem menos investimento e menos crédito. “Isso não tem a ver com capacidade, tem a ver com como o mercado historicamente distribuiu oportunidade e confiança”, afirma.

Por onde começar

Para aquelas que sonham em ter o próprio negócio, seja no ambiente digital, Monique Evelle enumera algumas dicas. A primeira é entender que não é preciso começar gigante. “Comece com o que você tem hoje: conhecimento, experiência, repertório. Sempre digo: Não compare seu início com o meio de ninguém”, afirma a empresária.

A segunda é testar rápido. “O digital permite validar ideias sem precisar esperar tudo estar perfeito. Coloque a ideia no mundo, entenda se aquilo resolve um problema real e vá ajustando no caminho.”

A terceira é construir rede, de forma a tornar mais fácil o processo de empreender a partir de comunidade, mentoria e troca.

Por último, está aprender sobre dinheiro. “Entender precificação, fluxo de caixa e modelo de negócio é o que transforma uma ideia em um negócio sustentável. Porque no fim do dia, empreender também é sobre criar valor e saber capturar esse valor.”

O Sebrae Delas, voltado para o fortalecimento da cultura empreendedora das mulheres, é um dos canais aos quais essas mulheres podem recorrer para entrar de forma mais competitiva no mercado.

“O Sebrae Delas atua com as mulheres em três pilares: o eu, o meu e o nós. O ‘eu’ são capacitações, encontros voltados para a autoestima da mulher, motivação, produtividade e o posicionamento dela, tanto no meio digital quanto no mercado. No ‘meu’, já atua com questões de gestão: marketing digital, acesso a crédito, finanças, gestão de pessoas. E no ‘nós’, a formação de rede, que para as mulheres é algo muito importante. Formação de redes de apoio, trocas de experiências, networking”, explica Valquíria de Pádua.