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Maria Raquel Brito
Publicado em 25 de março de 2026 às 17:31
A avaliação dos adolescentes baianos em relação do próprio emocional chama atenção. Em 2024, 15,2% dos estudantes de 13 a 17 anos na Bahia avaliavam negativamente sua saúde mental. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).>
O percentual representa uma leve queda comparado a 2019, quando era 16,3%, mas, ainda assim, passou a ficar acima do nacional (14,9%, frente a 17,7% em 2019) e subiu, entre os estados, de 20º para 11º maior. >
Veja dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024
Dois em cada dez estudantes também disseram sentir que a vida não valia a pena ser vivida na maioria das vezes ou sempre (19,9%).
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Em 2024, a PeNSE investigou pela primeira vez se os estudantes tinham sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. Na Bahia, três em cada dez adolescentes disseram ter tido vontade de se machucar (31,9%), um percentual quase idêntico ao nacional (32,0%). Em Salvador, a proporção foi um pouco maior, 35,8%, e a 7ª mais alta entre as capitais.>
Um ponto comum entre os indicadores de saúde mental é a predominância dos sentimentos negativos entre as mulheres. A tristeza é mais frequente, afetando quatro em cada dez estudantes do sexo feminino (41,9%), muito mais que o dobro do percentual de homens (15,6%). >
Quando o assunto foi sentir que a vida valia a pena, 27,1% das mulheres baianas disseram que não, frente a 12% dos homens, e a vontade de se machucar de propósito foi muito mais relatada pelas mulheres. No estado, 42,5% das adolescentes do sexo feminino disseram ter sentido vontade de se machucar em 2024, frente a 20,3% dos homens. Em Salvador, quase metade das estudantes mulheres disseram ter tido vontade de se machucar (48,5%), frente a 23,5% dos homens.>
Segundo Flávia Gomes, advogada, mestra e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba), esses dados podem ser relacionados a um conjunto de fatores estruturais que atravessam a experiência das meninas desde muito cedo. >
“Em uma sociedade fortemente marcada por valores patriarcais, as mulheres são socializadas em contextos que impõem o cumprimento de determinados papéis sociais: maiores exigências emocionais, comportamentais e estéticas, ao lidarem com pressões relacionadas ao corpo, à sexualização precoce e à necessidade de corresponder a expectativas sociais muitas vezes contraditórias. Soma-se a isso a maior exposição a diferentes formas de violência: simbólica, psicológica e, por vezes, física, que impactam diretamente a saúde mental”, diz.>
Agora, com a divulgação dos números, a expectativa é que esses dados repercutam entre secretarias de educação, instituições e professores. “Não tem dados por município, mas é importante olhar esses dados do estado como um todo, tomar conhecimento desses dados e agir, adequar políticas que já existam e rever outras. Focar esforços em áreas que precisam de esforços”, diz Viveiros. >