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Bruno Wendel
Publicado em 8 de dezembro de 2016 às 14:07
- Atualizado há 2 anos
A dor não ficou contida no peito. Foi preciso externá-la. Na manhã desta quinta-feira (08), o sentimento de luto de moradores do Jardim Nova Esperança estava também nos muros, postes e na calçada ainda com os vestígios de sangue do pedreiro Alan Tosta Pereira, 26 anos, executado na madrugada, com tiros na cabeça. Ele e um amigo, o também pedreiro identificado como Marcos, foram baleados à queima-roupa e morreram no local.Segundo testemunhas, os tiros foram disparados por policiais militares do Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) após uma segunda abordagem. Alan será enterrado às 14h de amanhã, no cemitério municipal de Pirajá. >
Alan e Marcos foram mortos por volta das 2h, no Loteamento Daniel Gomes, também conhecido como Novo Marotinho de Jardim Nova Esperança, às margens da Via Regional. Horas antes do crime, os dois conversavam com vizinhos e amigos em um bar. “Aqui sempre foi um local tranquilo. A maioria das pessoas nasceu e se criou aqui, por isso que tanta gente ficava no lado de fora, batendo papo”, disse uma moradora. De acordo com testemunhas, pelo menos seis policiais militares chegaram ao local distribuídos em um Volkswagen Voyage prata e duas motos padronizadas. “Foi a polícia. Eles não estavam fardados, mas só deu para identificar pelas motos. No bar, chegaram procurando por drogas, revirando tudo”, contou um morador. Como nada encontraram, os policiais liberaram todos e saíram. Acreditando que foi nada demais, Alan chegou a pedir uma dose de cachaça e, em seguida, foi embora junto com Marcos. >
ExecuçãoAlan estava a cerca de 50 metros de casa quando ele e o amigo foram mortos. Antes de chegar à escadaria que dá acesso à sua casa, Alan foi surpreendido, junto com Marcos, pelas mesmas pessoas que realizaram a primeira abordagem. “Desta vez, eles foram revistados e estavam sem documentos porque moravam no bairro”, contou um outro morador. >
Em seguida, houve a execução. “Como não encontraram nada, inclusive os documentos, mandaram eles se ajoelharem e em seguida dispararam. Foram seis tiros no total”, relatou a testemunha. Depois dos tiros, os criminosos recolheram as cápsulas. “Pegaram a grande maioria, mas ficou uma, de pistola ponto 40, que foi recolhida pela perícia”, complementou a testemunha. >
Em nota, a PM informou que policiais da 50ª Companhia Independente de Polícia Militar foram até o local para averiguar a denúncia de que dois homens haviam sido baleados. As viaturas já estavam nas proximidades fazendo rondas e abordagens preventivas contra o tráfico de drogas, segundo a nota, quando foram acionadas. "Os PMs retornaram ao local e encontraram dois indivíduos não identificados, sem sinais vitais", diz o texto.>
Em relação à denúncia de envolvimento de PMs no crime, "a Polícia Militar orienta que as testemunhas efetuem o registro da denúncia de agressão na Ouvidoria da PM por meio do 0800 284 0011, site institucional (www.pm.ba.gov.br - Clica no link Ouvidoria) ou nos postos localizados no SAC do Shopping Barra, SAC Comércio e Quartel do Comando Geral da PM, no Largo dos Aflitos. A PM também dispõe da Corregedoria, que fica na Rua Amazonas, n° 13, Pituba".LutoIndignados com a morte de Alan, moradores escreveram a palavra “luto” em muros de casas, estabelecimentos comercias, postes de iluminação pública e no local onde os dois rapazes foram mortos. >
“Ontem, ele preparou uma laje e ia executar a obra no domingo. Era um rapaz trabalhador e bastante procurado nas obras aqui na comunidade”, contou uma outra moradora. >
Alan morava com a mulher que está grávida de cinco meses. Nascido e criado no bairro, era conhecido desde pequeno pelo apelido de Dufino. Ainda de acordo com moradores, Alan era um rapaz tranquilo e não tinha envolvimento com a criminalidade. “Ele nunca foi preso, sequer se envolvia em brigas. A educação dele era rígida porque o pai dele, já falecido, era um policial militar e na casa dele era como se fosse um quartel, de rígida a educação que era”, disse a moradora. >
Já Marcos era conhecido como Gringo e era natural da cidade de Amargosa, onde moram parentes. Ele estava em Salvador há dois anos.>