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Queimadura é a principal causa de atendimento médico em junho

Manejo indiscriminado de bombas e espadas é causa dos acidentes

  • D
  • Da Redação

Publicado em 13 de junho de 2009 às 16:35

 - Atualizado há 2 anos

Tão tradicional quanto as comidas típicas, osomdo forró e o clima frio natural do período de festas juninas, são as filas de pessoas que lotam postos e hospitais com queimaduras ocasionadas pela uso de fogos de artifício.

Somente no período de 21 a 24 de junho do ano passado, 44 atendimentos relacionados aos festejos juninos foram registrados no Hospital Geral do Estado (HGE).

O número foi menor do que o registrado em 2007. Naquele ano, foram 65 atendimentos, sendo 38 de queimaduras e 27 de vítimas de explosão de bombas.

O hospital possui um setor específico para atendimento de pessoas vítimas de queimaduras. O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) tem 42 leitos e é referência em todo estado.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica na Bahia, César Kelly, os acidentes mais comuns durante este período do ano são as queimaduras com pólvora, decorrentes do uso de bombas e outros fogos, e com álcool, utilizado para acender fogueiras. “Esses ferimentos são muito comuns nesta época e as consequências são graves. Em alguns casos, podem levar até à morte”, afirma.

EspadasKelly explica ainda que as espadas são os mais perigosos dos fogos de artifício. “A espada pode causar os chamados ferimentos explosivos, que unem as queimaduras e a destruição dos tecidos. Os resultados do manejo da espada podem levar até à amputação de membros, inclusive da genitália”, declara.

Em Cruz das Almas, município do recôncavo baiano, são registrados os maiores números de queimados do estado. Segundo cálculos da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), cerca de 30% dos queimados que chegam ao HGE são da região do recôncavo baiano.

Por conta da alta demanda, em 2007, foi criada na cidade uma Unidade de Queimados no Hospital Municipal Dr. Fernando Carvalho de Araújo. São 18 leitos, sendo que cinco são pediátricos.

De acordo com Kelly, as crianças ainda representam cerca de 70% das vítimas dos artefatos. “A maioria dos acidentes acontece em decorrência da questão cultural: alguns pais acreditam que dar bombas para os filhos soltarem significa uma autoafirmação infantil. Na minha opinião, é justamente o contrário porque as crianças queimadas podem ficar com sequelas para o resto da vida”, explica.

No caso das espadas, o maior número de acidentados é de adultos. “Normalmente, as queimaduras de espada são classificadas como de terceiro grau e podem atingir todas as camadas da pele, incluindo o osso”, esclarece o especialista.

As queimaduras são divididas em três categorias. As classificadas de primeiro grau são superficiais e causam um leve escurecimento da pele. Já as de segundo grau significam que o fogo teve contato com a pele por mais tempo. Nesse estágio é comum o aparecimento de bolhas no local das queimaduras.

Segundo dados da Sesab, somente em Cruz das Almas, durante o período de festas juninas, em 2004 foram registrados, 950 atendimentos. No ano seguinte, o número caiu para 650 e em 2006, 380 pessoas foram atendidas.

O médico orienta que o ideal é que sejam escolhidos fogos mais leves para manejar.“É preciso que exista um controle dos pais para evitar acidentes maiores”, lembra Kelly.

Além do HGE e da unidade de Cruz das Almas, as pessoas vítimas de queimaduras podem encontrar atendimento no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital São Rafael. No Hospital São Camilo, no município de Candeias, região metropolitana de Salvador, os queimados também podem encontrar assistência.

Queimadura: mitos e verdades As vítimas de queimaduras têm que tomar cuidado para não cair em receitas da crendice popular que em nada ajudam no tratamento. César Kelly descarta por exemplo, o uso de óleo de cozinha, pasta de dente ou manteiga para cicatrizar os ferimentos.

“A utilização dessas medidas pode agravar as feridas porque elas podem ficar contaminadas”, afirmou. Ele contou outros casos mais absurdos.“Já vi casos de pessoas me contarem que usaram teia de aranha e lama para as queimaduras. Esses artifícios também podem causar problemas nas feridas”.

Segundo Kelly, o procedimento correto para tratar da vítima de queimadura é lavar o local queimado com soro fisiológico ou água, para resfriar o local. O uso de gelo não é recomendado. “Depois é só colocar um pano limpo na região e seguir para um hospital para atendimento adequado”, afirmou o médico.

Ele orienta ainda que as bolhas não devem ser furadas, a pele morta também não pode ser removida.Caso a roupa esteja colada à área queimada, ela não deve ser retirada. Caso contrário, todas as vestimentas devem ser retiradas porque a pele ficará inchada.

O local da queimadura também não pode ser apertado. Nos casos de queimaduras de terceiro grau, em que a vítima foi atingida em grande parte do corpo, é necessário mantê-la aquecida até o atendimento médico.

(notícia publicada na edição impressa do dia 13/06/2009 do CORREIO)