Campanha do governo a favor da imigração causa polêmica nas redes sociais

Seguidores criticaram a campanha no Facebook e afirmaram e lembraram a escravização de africanos

Publicado em 14 de outubro de 2015 às 15:44

- Atualizado há 10 meses

Uma campanha do Ministério das Justiça a favor da imigração no Brasil causou polêmica nas redes sociais. Postada no Facebook, a peça apresenta um jovem negro que diz: "Meu avô é angolano, meu bisavô é ganês. Brasil, a imigração está no nosso sangue". Na legenda do post, o texto afirma que "há cinco séculos, imigrantes de todas as partes ajudam a construir nosso país". 

Porém, a campanha recebeu críticas dos seguidores que afirmaram que os imigrantes das nacionalidades citadas vieram para o brasil "escravizados e traficados". "Tráfico de pessoas como mercadoria não é imigração", escreveu uma seguidora. "Pátria educadora apaga a História real de seus colonizadores. Coloca escravidão como imigração e chama todo afrodescendente de trouxa", postou outro.Peça do Ministério da Justiça causou polêmica entre os seguidores do Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)No próprio perfil, o Ministério da Justiça rebateu as críticas e afirmou que o objetivo da campanha é enfrentar a xenofobia e toda forma de ódio, preconceito e intolerância, inclusive o racismo. Já em comunicado, o órgão agradeceu as contribuições e comentários e afirmou que apoia a discussão sobre escravidão na nossa história. Confira o comunicado na íntegra: 

"O Ministério da Justiça agradece as contribuições dos comentários, e apoia a importante discussão sobre a escravidão na nossa história. Esclarecemos que o foco da campanha é enfrentar a xenofobia e toda forma ódio, preconceito e a intolerância, inclusive o racismo, e também mostrar que a sociedade brasileira é composta de descendentes de migrantes de todas as partes do mundo.

A campanha contra a xenofobia abordará várias histórias de brasileiros e brasileiras que são descendentes de nacionalidades as mais diversas - incluindo africanas, latino-americanas, europeias, asiáticas. São pessoas que ajudaram a construir o país que conhecemos hoje. Queremos mostrar que o encontro de culturas é a riqueza de nosso país, e desestimular qualquer manifestação discriminatória.De todo modo, é muito importante lembrar que o governo promove diversas medidas de inclusão para reverter essa triste herança, como é o caso das políticas de ações afirmativas, e de enfrentamento ao preconceito, como o Disque 100. Além disso, o Ministério da Justiça participa da coordenação da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas".