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Celular vetado, desaparecimento e indenização de R$ 1 milhão: o que aconteceu na excursão escolar que terminou com aluna morta

Victoria Mafra Natalini morreu aos 17 anos por 'asfixia mecânica, na modalidade de sufocação direta' em uma fazenda de Itatiba, no interior de SP

  • Foto do(a) author(a) Giuliana Mancini
  • Giuliana Mancini

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 08:17

Victoria Mafra Natalini morreu por asfixia durante excursão da escola em 2015; ao lado, policiais atuam no local onde ela foi encontrada
Victoria Mafra Natalini morreu por asfixia durante excursão da escola em 2015; ao lado, policiais atuam no local onde ela foi encontrada Crédito: Reprodução

A morte de Victoria Mafra Natalini, aos 17 anos, durante uma excursão escolar em 2015, voltou ao centro do debate judicial e criminal após decisão do Superior Tribunal de Justiça. Nesta semana, a 4ª Turma do STJ condenou a Escola Waldorf Rudolf Steiner, de São Paulo, ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 1 milhão ao pai da estudante.

Victoria participava de uma excursão escolar pelo interior de São Paulo quando morreu. Durante o passeio, os alunos foram proibidos de usar celulares. Segundo as investigações, a jovem, aluna do 10º ano, se afastou do grupo no período da tarde para ir ao banheiro e não retornou. Ela teria sido autorizada a ir sozinha. As informações são dos sites g1 e O Globo.

Local onde seria o banheiro e onde o corpo foi encontrado em Itatiba por Reprodução/TV Globo

O desaparecimento só foi notado cerca de duas horas depois, por volta das 16h30, quando colegas alertaram uma tutora. Testemunhas relataram que Victoria havia saído por volta das 14h30. Mesmo após o alerta, a busca inicial se restringiu aos dormitórios da fazenda. O Corpo de Bombeiros só foi acionado às 18h04, por iniciativa da cozinheira do local, e não dos responsáveis pela excursão.

O corpo da adolescente foi localizado apenas na manhã seguinte, depois que o próprio pai acionou um helicóptero da Polícia Militar para auxiliar nas buscas. Ele mesmo fez o reconhecimento.

O caso chegou ao STJ após João Carlos Siqueira Natalini, pai de Victoria, recorrer da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que havia reduzido o valor da indenização, inicialmente fixado em R$ 1 milhão por um juiz de primeira instância, para R$ 400 mil.

Relator do caso no STJ, o ministro Antônio Carlos Ferreira classificou a conduta da instituição de ensino como gravemente negligente, destacando a sucessão de falhas no dever de guarda e vigilância dos alunos. Para o magistrado, não se tratou de morte acidental ou natural, mas de homicídio consumado, caracterizado como um ato de extrema violência e crueldade.

“Ao chegar ao local, o autor se deparou com a pior cena em que um pai poderia encontrar. Um filho sem vida, abandonado no meio do mato em uma clareira de bruços. O pai, completamente desolado, reconheceu sua filha”, afirmou o ministro em seu voto.

O magistrado também criticou duramente a decisão do TJSP que reduziu a indenização, afirmando que o tribunal utilizou fundamentos "genéricos", sem considerar as particularidades do caso concreto.

“Ao reduzir o valor de R$ 1 milhão para R$ 400 mil, o TJ-SP não fundamentou sua decisão com base nas especificidades do caso. Limitou-se a formular considerações genéricas de que a indenização deve ser equilibrada, levando em conta o evento danoso e a capacidade econômica das partes, de modo a não se mostrar insuficiente nem excessiva, além de ser capaz de inibir condutas semelhantes”, afirmou o ministro. Segundo ele, a decisão deixou de indicar quais aspectos fáticos justificariam a redução de 60% do valor originalmente arbitrado.

Embora o primeiro laudo do Instituto Médico-Legal de Jundiaí tenha apontado causa da morte como indeterminada, uma nova perícia, conduzida no âmbito de investigação do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa, concluiu que Victoria morreu por asfixia mecânica, na modalidade de sufocação direta. Exames descartaram o uso de drogas, ingestão de álcool ou sinais de violência sexual. Peritos também apontaram que o corpo da adolescente teria sido carregado até o local onde foi encontrado.

"O grau de culpa do estabelecimento de ensino foi enorme, e a sucessão de falhas que culminaram com a morte da ofendida é assombrosa. O dever de guarda da instituição de ensino foi flagrantemente violado", afirmou o magistrado.

O inquérito chegou a ser arquivado anos depois sem a identificação de suspeitos, mas foi recentemente reaberto. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a retomada das investigações ocorreu após representação do DHPP, acatada pelo Judiciário e pelo Ministério Público. Segundo a pasta, novas diligências e oitivas já foram realizadas, e detalhes seguem sob sigilo para preservar o trabalho policial.

Em declaração ao site g1, João Carlos Siqueira Natalini, pai de Victoria, afirmou que a decisão do STJ representa um marco jurídico. "Embora nenhum valor pague a vida de minha filha, essa vitória suplanta o aspecto financeiro", disse.

"Enquanto a escola mobilizava bancas para se defender, sem se preocupar em colaborar com a apuração da verdade, me desdobrei para buscar a verdade e produzir prova técnica. Foram onze anos custeando perícias independentes, especialistas no Brasil e no exterior, em verdadeira subversão do dever que deveria competir ao Estado", afirmou o pai ao g1.

"Espero a solução do caso com a responsabilização de quem falhou e pela punição dos prepostos da escola, na esfera criminal e também a responsabilização rigorosa e rápida de quem assassinou minha filha", completou.

A Escola Waldorf Rudolf Steiner não se manifestou.

Tags:

Morte Escola são Paulo Victoria Mafra Natalini