Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 8 de abril de 2026 às 13:12
O governo da China se manifestou nesta terça-feira (7) após a inclusão da montadora de carros elétricos BYD na chamada “lista suja” do trabalho escravo no Brasil. O cadastro reúne empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão após conclusão de processos administrativos. >
Por meio do Ministério das Relações Exteriores, o governo chinês declarou que acompanha o tema com atenção e reforçou que as empresas do país devem respeitar a legislação local. “A China sempre exigiu que empresas chinesas operem conforme as leis e regulamentos”, informou o posicionamento oficial. A pasta acrescentou ainda que o país “vê com grande importância a proteção dos direitos e interesses dos trabalhadores”.>
A atualização mais recente da lista incluiu 169 novos empregadores, um aumento de 6,28% em comparação com a divulgação anterior. Entre eles, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas. Com isso, o número total de nomes no cadastro chega a cerca de 613.>
BYD firma acordo com o MPT de R$ 40 milhões após resgate de trabalhadores em fábrica na Bahia
Divulgada semestralmente pelo Ministério do Trabalho, sempre em abril e outubro, a “lista suja” reúne empregadores responsabilizados após decisão administrativa definitiva. A permanência no cadastro é de dois anos, período em que é necessário não reincidir e regularizar a situação para sair da relação.>
Caso BYD>
A inclusão da BYD ocorreu após o resgate de 220 trabalhadores chineses, em dezembro de 2024, durante obras da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.>
Segundo as autoridades, os operários estavam alojados em condições inadequadas de higiene e conforto e eram vigiados por seguranças armados que restringiam a circulação. Também houve retenção de passaportes e contratos com cláusulas consideradas ilegais, como jornadas excessivas e ausência de descanso semanal.>
Um trabalhador ouvido pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia associou um acidente com serra ao cansaço provocado pela falta de folgas. O órgão também apontou que os trabalhadores entraram no país com vistos para serviços especializados incompatíveis com as atividades realizadas na obra.>
Na época, a montadora informou que as irregularidades foram cometidas pela construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda e comunicou o encerramento do contrato com a empresa. A BYD declarou ainda que não tolera desrespeito à legislação brasileira nem à dignidade humana e providenciou a transferência de parte dos trabalhadores para hotéis da região.>
No fim de 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou acordo de R$ 40 milhões com a montadora e duas empreiteiras após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. Após o acordo, a empresa afirmou manter “compromisso inegociável com os direitos humanos” e informou que se manifestaria nos autos do processo.>
A BYD não se manifestou sobre a inclusão na lista. >