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Carol Neves
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 10:39
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia revelam os últimos momentos de vida de Anderson Aguiar do Prado, chefe da segurança do Shopping Tijuca, no Rio de Janeiro. Ele morreu após entrar diversas vezes na área tomada pela fumaça durante o incêndio ocorrido em 2 de janeiro, na tentativa de resgatar brigadistas e proteger funcionários e clientes. Uma brigadista também morreu. As cenas foram divulgadas pelo portal G1.>
O shopping tem dez andares e, segundo a administração, cerca de 7 mil pessoas estavam no local quando o fogo começou. Mesmo assim, registros mostram que clientes continuaram circulando no interior do centro comercial até pelo menos uma hora após o início do incêndio. A polícia investiga por que o estacionamento permaneceu aberto e por que pedestres ainda conseguiam acessar o shopping cerca de 40 minutos depois das primeiras chamas.>
Incêndio em shopping deixou dois mortos
O incêndio teve início por volta das 18h04, na loja Bellart, no subsolo. Poucos minutos depois, Anderson já aparecia correndo pelos corredores com uma mangueira de incêndio, tentando conter o avanço do fogo. As imagens mostram o chefe da segurança atuando praticamente sozinho, desenrolando equipamentos e enfrentando fumaça intensa em meio ao público.>
Às 18h12, ele retorna com uma segunda mangueira e, na sequência, auxilia na entrada da primeira brigadista no local. Três minutos após a chegada de Emellynn Silvia Aguiar, que posteriormente morreria por asfixia, a fumaça já se espalhava rapidamente pelo subsolo. Anderson ainda foi visto orientando colegas que deixavam o local com dificuldade.>
Mesmo sem equipamentos adequados, ele voltou diversas vezes à área atingida. Às 18h31, decidiu entrar novamente para tentar resgatar duas brigadistas que haviam ficado para trás. Segundo o chefe da equipe de brigadistas, Anderson conseguiu indicar a saída para uma delas antes de desmaiar, enquanto tentava alcançar Emellynn. Esses foram os últimos registros dele consciente.>
O corpo de Anderson só volta a aparecer nas imagens cerca de duas horas depois, já no térreo, sendo retirado por bombeiros com máscara de oxigênio. Ele foi levado ao hospital, mas não resistiu. O corpo de Emellynn foi encontrado na madrugada seguinte e retirado às 1h25 pela escada rolante. A perícia apontou asfixia como causa da morte.>
Suspeita de fim de oxigênio>
Colegas levantaram a suspeita de que o oxigênio do cilindro usado pela brigadista Emellynn tenha acabado. Em depoimento à polícia, a mãe da vítima disse que a filha demonstrava preocupação com a quantidade de oxigênio nos equipamentos e relatou que um dos cilindros estava “leve”, além de reclamar de defeitos na máscara de proteção e de falhas no sistema de combate a incêndio.>
A empresa responsável pela brigada afirmou à polícia que os cilindros passaram por supervisão recente, tinham menos de três anos de uso e contavam com dispositivo de alerta para baixa carga. O Shopping Tijuca informou que os protocolos de emergência foram cumpridos, que 7 mil pessoas foram evacuadas e que segue colaborando com as investigações. O shopping também destacou que a manutenção de hidrantes dentro das lojas é responsabilidade dos lojistas e que os equipamentos da brigada são fornecidos e supervisionados pela empresa terceirizada. “O shopping reafirma sua colaboração permanente com as investigações.”>
O centro comercial será reaberto ao público nesta sexta-feira (16). O subsolo e parte do primeiro piso, áreas mais afetadas pelo incêndio, seguem interditados pela Defesa Civil. A 19ª DP (Tijuca) apura o caso.>