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Carol Neves
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 13:56
A Justiça de São Paulo determinou a apreensão do passaporte de João Appolinário, fundador e presidente da Polishop, por um período de dois anos. A medida atende a um pedido do banco Itaú, que cobra do empresário uma dívida estimada em cerca de R$ 1,9 milhão.>
A ordem foi assinada pelo juiz Douglas Ravacci. Segundo o processo, a Polishop contratou em 2020 um empréstimo de R$ 5 milhões, parcelado em 42 prestações mensais, com vencimento final previsto para dezembro de 2024. O banco afirma que os pagamentos deixaram de ser feitos em abril de 2024, o que levou ao ajuizamento da ação no ano passado.>
Appolinário assinou o contrato como devedor solidário, assumindo responsabilidade direta pelo débito. Diante da inadimplência, o Itaú pediu a apreensão do passaporte como forma de pressionar o cumprimento da obrigação financeira, medida que também foi aplicada a outro sócio da empresa.>
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Segundo o Uol, na ação o banco destacou o perfil patrimonial do empresário. “Estamos diante de uma execução movida em face de ninguém menos do que o ‘tubarão’, João Appolinário, que declarou ao Fisco patrimônio superior a R$ 170 milhões”, afirmou a instituição, citando a participação dele no programa “Shark Tank Brasil”.>
O Itaú alegou ainda que, apesar da adoção de medidas tradicionais de cobrança, não houve pagamento de “um único real”. Para o banco, “a ausência de satisfação da dívida não é uma coincidência qualquer, mas sim decorrência do animus dos devedores em perpetrarem manobras para fins de frustrar a recuperação do crédito”.>
Ao autorizar o bloqueio do passaporte, o juiz considerou a providência “adequada, necessária e proporcional”, destacando que a decisão pode ser revista caso haja cooperação dos executados ou indicação de bens suficientes para garantir o crédito. A defesa do empresário pode recorrer. Ele não comentou o caso.>
Outro processo>
Além dessa ação, Appolinário também enfrenta um processo movido pela Versuni Brasil Ltda., que cobra da Polishop uma dívida calculada em R$ 24,9 milhões. O caso tramita desde 2024 e levou a Justiça a autorizar a penhora de bens pessoais do empresário.>
A decisão foi tomada pelo juiz Renan Jacó Mota. Conforme o processo, Appolinário foi um dos avalistas de um instrumento particular de confissão de dívida firmado pela Polishop com a Versuni em julho de 2023.>
A ordem de penhora atinge dois imóveis residenciais do empresário localizados no Jardim Paulista, bairro nobre da capital paulista. Um oficial de Justiça, acompanhado de um advogado da credora, deverá comparecer aos endereços para verificar a existência de bens de valor relevante e efetuar a penhora.>
No pedido apresentado à Justiça, a Versuni argumentou que, “dada a luxuosidade [dos imóveis], certamente serão localizados artefatos relevantes financeiramente que auxiliarão na quitação, mesmo que parcial, da dívida”.>
O escritório de advocacia que representa João Appolinário informou que não comenta processos em andamento. Em fevereiro de 2025, após outra determinação judicial envolvendo penhora patrimonial, a defesa havia se referido a um “suposto inadimplemento” e afirmado que as medidas adotadas “ultrapassavam o limite da proporcionalidade e da razoabilidade”.>
Appolinário fundou a Polishop em 1995 e ganhou projeção nacional também como um dos investidores do programa “Shark Tank Brasil”, exibido pelo Sony Channel, no qual empreendedores apresentam ideias de negócios a potenciais investidores.>