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Carol Neves
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 09:48
Mesmo quase três décadas depois do episódio que ficou conhecido como o caso ET de Varginha, a morte do soldado da Polícia Militar de Minas Gerais Marco Eli Chereze continua despertando questionamentos. O militar faleceu em 15 de fevereiro de 1996, aos 23 anos, menos de um mês após os acontecimentos que ganharam repercussão internacional. Jovem, atlético e sem histórico de doenças, Chereze morreu após um rápido agravamento de seu estado de saúde. >
De acordo com a versão oficial, a causa do óbito foi uma infecção bacteriana grave. O laudo de necropsia e documentos posteriores apontam que o policial morreu em decorrência de septicemia, provocada por uma bactéria comum. Ainda assim, a proximidade temporal entre sua morte e o episódio envolvendo relatos de uma suposta criatura não humana alimentou teorias alternativas.>
ET de Varginha
Ufólogos que investigam o caso afirmam que Chereze teria participado de uma operação noturna no bairro Jardim Andere, em Varginha, na noite de 20 de janeiro de 1996. Segundo esses relatos, a ação teria como objetivo capturar um ser descrito por testemunhas como não humano. Nessa versão, o policial teria tido contato direto com a criatura, sem qualquer equipamento de proteção.>
Poucos dias após a suposta abordagem, o soldado começou a apresentar mal-estar, foi internado e teve uma rápida piora no quadro clínico, até morrer. Pesquisadores do caso levantam a hipótese de que o ser teria liberado uma substância tóxica durante o contato, o que explicaria a evolução acelerada da doença.>
Outro ponto frequentemente citado é a forma como ocorreu o sepultamento do militar. Não houve velório público, e o caixão foi lacrado, um procedimento considerado incomum e que contribuiu para aumentar as especulações na cidade à época.>
Autor do livro “Incidente em Varginha”, o ufólogo Vittorio Pacaccini esteve no município logo após os acontecimentos e considera a morte de Chereze um dos aspectos mais sensíveis do caso. “O que nos chamou atenção não foi apenas a morte em si, mas a sequência dos fatos. Um policial jovem, saudável, que participa de uma operação incomum, adoece e morre poucos dias depois. Isso, por si só, já exige uma investigação muito mais transparente”, afirmou ao Estado de Minas.>
Pacaccini ressalta que não sustenta, de forma definitiva, uma ligação direta entre o contato com a suposta criatura e a morte do soldado, mas destaca que as informações disponíveis nunca foram suficientes para encerrar o debate. “Se foi uma coincidência, ela ocorreu em um contexto extremamente atípico. E, quando isso acontece, a dúvida permanece”, diz.>
O que aponta a investigação oficial>
As circunstâncias do óbito foram analisadas no Inquérito Policial Militar instaurado após a publicação do livro de Pacaccini. O relatório final concluiu que a morte ocorreu por causas médicas conhecidas, sem qualquer relação com agentes biológicos desconhecidos ou com contato com criaturas não humanas.>
“Inexiste qualquer ligação entre a morte do referido militar e as supostas operações de captura [...] os laudos médicos indicam que o óbito ocorreu devido a um quadro de insuficiência respiratória aguda, septicemia e choque bacteriano”, afirma um trecho do processo.>
O IPM também sustenta que não foram encontradas evidências, no âmbito das Forças Armadas, que confirmassem a existência de uma operação para capturar uma suposta criatura, nem indícios de contaminação por microrganismos desconhecidos.>
Essa conclusão coincide com o laudo pericial do Instituto Médico Legal de Minas Gerais. Segundo o documento, a causa da morte foi septicemia causada pela bactéria Staphylococcus aureus, normalmente presente na pele humana, mas potencialmente fatal quando atinge a corrente sanguínea.>
“Em conclusão, admitimos que o soldado Marco possa ter sofrido pequena lesão superficial cutânea ao nível do membro superior; no evento dessa lesão foi inoculada a bactéria Staphylococcus schleiferi que, embora rara, estava provida de recursos bioquímicos para sua defesa, mecanismos de resistência a antibióticos e, em termos de virulência, pelos mecanismos locais necrótico-supurativos (segundo relatos orais) e de invasão do sistema circulatório, provocando sua disseminação com suas secreções, fechando o quadro de septicemia grave”, afirma o laudo assinado pelo médico-legista Dr. João Batista de Souza.>
Questionamentos continuam>
Apesar das conclusões oficiais, pesquisadores independentes seguem levantando dúvidas. Um dos pontos citados é o resultado dos exames laboratoriais do soldado, que indicaram uma contagem muito baixa de glóbulos brancos - algo que, segundo os ufólogos, não condiz com o quadro típico da infecção descrita nem com o perfil físico de Chereze.>
A principal hipótese defendida por esses pesquisadores é que o militar teria sido exposto a um agente desconhecido, ou a uma “toxina biológica”, capaz de comprometer o sistema imunológico e permitir que bactérias comuns provocassem a morte em poucos dias.>
Para Edison Boaventura Jr., ufólogo e autor do livro ETs de Varginha: montando o quebra-cabeça, a versão oficial não elimina as incertezas. “Não se trata de negar o laudo médico, mas de questionar o contexto. A morte acontece dentro de um cenário cercado de sigilo, operações não esclarecidas e ausência de documentos públicos”, diz.>