Em 2008, governo pagou cerca de 60% do previsto para o PAC

Após metade do prazo estabelecido, só 15% da meta foi atingida

Publicado em 5 de janeiro de 2009 às 00:22

- Atualizado há 9 meses

Do total de dinheiro público previsto para ser investido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2008, o governo federal pagou efetivamente apenas 60% do previsto - embora 90% do valor tenha sido empenhado no orçamento, ou seja, foi autorizado e deve ser pago posteriormente.

De acordo com números oficiais do governo, até dezembro de 2008, metade do prazo previsto , somente 15% da meta do programa foi cumprida. Continuando neste ritmo, as obras seriam concluídas somente em 2019, nove anos depois do fim da governo Lula.

Neste 2008, dos R$ 18,8 bilhões previstos para o programa, R$ 11,3 bilhões foram desembolsados e deste cerca de R$ 7,5 bilhões (67%), são relativos a pagamento de 'sobras' (dívidas de anos anteriores). Para 2009, o PAC ainda deixou a pagar cerca de R$ 18,1 bilhões, valores que foram reservados em orçamentos de 2007 e 2008 mas não foram efetivamente pagos.

Em 2008, entretanto, a execução orçamentária do PAC foi maior do que em 2007. Os valores pagos, incluindo aí as dívidas anteriores, mostraram aumento de 55% - de R$ 7,3 bilhões de 2007 a R$ 11,3 bilhões em 2008. Os valores empenhados também mostraram crescimento de 6,3%.

Divisão entre os ministérios

Em 2008, quase 80% do total aplicado com o PAC foi para os ministérios dos Transportes e das Cidades, cerca de R$ 8,9 bilhões. O Ministério dos Transportes recebeu quase R$ 5,3 bilhões, cerca de 47% do orçamento do PAC, contra R$ 3,7 bilhões (33%) para o Ministério das Cidades.

Na outra ponta aparecem os ministérios da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário: juntos, os quatro receberam R$ 15,7 milhões em recursos, apenas 0,001% do total.

A obra do PAC que mais recebeu recursos no último ano foi a construção da ferrovia Norte-Sul, em Tocantins: R$ 545,6 milhões, dos quais 86% são de restos a pagar. O Rodoanel, em São Paulo, recebeu cerca de R$ 284,1 milhões.

O PAC prevê, ao todo, um gasto de R$ 636,2 bilhões de reais em obras de transporte e infraestrutura, principalmente. O valor é superior ao do PIB da Argentina.