Embratur entra com ação contra editora que promovia turismo sexual

Revista enquadra brasileiras em quatro tipos e carnaval: 'festa com atividades de semi-orgia'

Publicado em 12 de janeiro de 2009 às 21:16

- Atualizado há 9 meses

A Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) entrou com uma ação ordinária contra a Editora Solcat Ltda por utilizar o símbolo da marca 'Brasil' indevidamente na revista Rio For Partiers. Segundo a ação, o material publicado pela editora carioca é destinado aos turistas estrangeiros para promover o turismo sexual no país. A ação foi ajuizada na última quarta-feira (7), na Justiça Federal do Rio de Janeiro.

A revista enquadra a mulher brasileira em quatro grupos. A Britneys Spears, como a 'filhinha de papai maravilhosa, mas que não deixa ninguém cantá-la'; a Popozuda, como a 'máquina de sexo que é boa de investir'; a Hippie/Raver como a 'garota divertida, mas difícil de beijar' e a Balzac que quer se 'divertir, beijar, dançar e beber'.

A Rio For Partiers também define os bailes de carnaval como 'festas ao ar livre com atividades de semi-orgia'. De acordo com a Embratur o foco da promoção turística do Brasil no exterior é a diversidade cultural e suas belezas naturais e não a conotação sexual.

A logomarca Brasil é utilizada para a promoção turística e comercial do país no exterior, mediante a autorização da Embratur o que, segundo a empresa, não ocorreu nesse caso. A ação pede a retirada imediata da marca sob pena do pagamento de multa diária não inferior a R$10 mil, além do pagamento de danos morais e materiais.

A coordenadora geral do Programa Turismo Sustentável e Infância, Elizabeth Bahia, afirma que o Brasil sempre foi visto como o país das festas sexuais, mas desde 1990 a Embratur não faz propaganda de turismo com mulheres nuas e condena qualquer uso de imagens que sugiram a exploração do turismo com conotação sexual.

'Infelizmente ainda há diversos sites em países europeus que vendem uma imagem distorcida do Brasil, como faz a revista Rio For Partiers', destaca, Elizabeth.

A coordenadora do Programa diz que o Ministério do Turismo adota a orientação internacional da Organização Mundial do Turismo (OIT) de não trabalhar com o conceito de turismo sexual por não considerar esta uma modalidade.

'O termo turista sexual deve ser banido. O turista que vem com fins sexuais não deve ser considerado como tal', define ela.O programa Turismo Sustentável e Infância trabalha no combate à exploração sexual da criança. Para isso realiza seminários de sensibilização com funcionários e empresários do setor e capacita jovens para trabalharem no setor.

'Contratamos o Senac [Serviço Nacional do Comércio] e estamos realizando cursos em todo o país. Muitos jovens já estão empregados. A fonte de renda é uma forma de evitar que o jovens, meninos e meninas, sejam explorados sexualmente', afirma Elizabeth.

Ela citou como exemplo positivo o trabalho desenvolvido pela Rede Atlântica de Hotéis que, trimestralmente, capacita seus empregados. 'Os funcionários são orientados a não permitirem a entrada de adultos acompanhados de crianças, sem apresentar o documento de identidade e até os fornecedores têm que assinar um termo de compromisso com os princípios adotados pelo hotel', ressalta.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis- Regional do Ceará, Régis Nogueira de Medeiros, garante que a hotelaria não é conivente com a exploração sexual. 'Nos hotéis existe um trabalho de conscientização para proibir a entrada de menores. As prostituição também não é permitida, mas nem sempre conseguimos evitar. Às vezes, quando tentamos barrar um casal suspeito somos acusados de preconceito', relata Medeiros.

(Com informações da Agência Brasil)