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Wendel de Novais
Publicado em 31 de março de 2026 às 07:51
O que começou como um acidente de trânsito com morte passou a levantar suspeitas de favorecimento e possível interferência na atuação policial em Boa Vista, no estado de Roraima. De acordo com informações do g1, a estudante Amanda Kathryn Monteiro de Souza, de 19 anos, que atropelou e matou uma técnica de enfermagem, é acusada por testemunhas de usar a influência do pai, um capitão da Polícia Militar, para obter tratamento diferenciado após a colisão. >
O atropelamento aconteceu no dia 4 de fevereiro e a vítima foi identificada como Patrícia Melo da Silva, 53. Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, a jovem teria afirmado aos agentes que era "filha de capitão da polícia", o que, de acordo com as testemunhas, provocou uma mudança na condução da ocorrência. A equipe da PM não teria acionado a perícia nem submetido a motorista ao teste do bafômetro.>
Duas pessoas que estavam no local relataram ter ouvido Amanda repetir: "Meu pai é capitão... sou filha de capitão". Uma delas afirmou que, logo após a declaração, os policiais mudaram de comportamento. "Um policial olhou para a cara do outro e pouco depois um virou de costas e passou a mexer no telefone celular", contou.>
Amanda Kathryn teria usado influência do pai após acidente
Ainda segundo esse relato, a estudante fez uma videochamada para uma tia enquanto permanecia na cena do acidente. Durante a ligação, teria admitido o consumo de bebida alcoólica, minimizando a quantidade ingerida. Os depoimentos também indicam que o local do acidente pode ter sido alterado antes da realização de qualquer análise técnica.>
Uma testemunha afirmou que o cabo da PM responsável pela ocorrência determinou que uma terceira pessoa manobrasse a caminhonete envolvida, dando marcha à ré para desengatá-la da motocicleta atingida. No boletim de ocorrência, os policiais registraram que a perícia não foi acionada porque os veículos já haviam sido retirados do local.>
Em depoimento, o cabo afirmou que considerou “não ser necessário” solicitar a presença da equipe técnica. A justificativa, no entanto, contrasta com elementos da investigação, que apontam que "pelos vídeos e fotos colhidas na cena do acidente, dá para perceber que a motocicleta ficou presa no para-choque da S10 envolvida".>
Na ocasião, o caso foi inicialmente registrado como “sinistro de trânsito com vítima”. Amanda Kathryn exerceu o direito de permanecer em silêncio durante o depoimento à Polícia Civil. Diante das suspeitas, o Ministério Público solicitou, na quarta-feira (25), a abertura de um inquérito policial militar e também de um procedimento administrativo para apurar a conduta do policial responsável pela ocorrência.>