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Carol Neves
Publicado em 16 de abril de 2026 às 11:09
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, afirmou que o setor de bares e restaurantes, que depende muito de mão de obra, pode ser fortemente impactado pela proposta de substituição da escala 6x1 pela 5x2 e pela redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.>
Segundo ele, a entidade atua para reduzir o apoio popular à medida e aposta que a mudança não será aprovada no Congresso. “Se cair cerca de 12 pontos, para a casa dos 50%, mesmo que fique próximo de 60%, o próprio governo não vai querer votar a mudança”, afirmou em entrevista ao Estado de S. Paulo.>
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Solmucci argumenta que a alteração na escala pode resultar em aumento de custos operacionais e repasse ao consumidor. Pelos cálculos apresentados por ele, restaurantes precisariam reajustar preços para manter o funcionamento ao longo da semana. “Precisamos perguntar para as pessoas se querem pagar 7% para restaurantes ou 15% a mais para clínicas médicas, ou não ter serviços todos os dias da semana”, disse.>
O dirigente também criticou a forma como o debate vem sendo conduzido e classificou a proposta como motivada por interesses eleitorais. “A proposta é um indecente oportunismo eleitoral, que abre mão de interesses da nação em troca de interesses de eleição”, declarou. Ele ainda questionou a possibilidade de votação acelerada da matéria. “Cabe ao governo colocar o Parlamento, em ano de eleição, refém de uma covardia dessas?”>
Apesar das críticas à mudança da escala semanal, Solmucci afirmou considerar possível discutir a redução da jornada total de trabalho, desde que de forma gradual. “A redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais eu até acho viável. Desde que ocorra uma transição meio lenta. A parte dura da conversa é essa”, afirmou.>