Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Hipertensão: por que seu esforço para cortar o sal pode não estar funcionando?

Com o brasileiro consumindo quase o dobro do sódio recomendado pela OMS, nutricionista alerta para o perigo do consumo excessivo e inconsciente no dia a dia

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 24 de março de 2026 às 11:55

Imagem Edicase Brasil
Hipertensão: por que seu esforço para cortar o sal pode não estar funcionando?  Crédito: (Imagem: Sharif Pavlov | Shutterstock)

A mudança de hábitos alimentares geralmente começa com uma decisão bem-intencionada na cozinha. Você decide preparar refeições mais leves, esconde o saleiro no fundo do armário e tenta usar apenas uma pitadinha de sal nas panelas. Semanas depois, no entanto, pode bater aquela frustração ao perceber que esse esforço não tem refletido de forma tão clara nos exames de rotina ou no controle da pressão.

Essa sensação é muito comum e esbarra em duas questões essenciais. A primeira é que o controle da pressão arterial não acontece apenas pela restrição de um ingrediente. A redução de sódio é uma estratégia importante, mas que precisa caminhar junto a outras mudanças no estilo de vida e, quando necessário, com acompanhamento médico e medicação. A segunda questão é que, mesmo quando focamos na nossa alimentação, frequentemente estamos errando a mão sem perceber.

Alguns números ilustram bem esse cenário: segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro consome em média 9,3 gramas de sal por dia. Isso representa quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de apenas 5 gramas diárias, o equivalente a apenas 1 colher de chá.

Nesse contexto, o hábito de cozinhar em casa continua funcionando como uma ferramenta poderosa para o controle da hipertensão. Segundo Marília Zagato, nutricionista e gerente de Marketing-Nutrição da Ajinomoto do Brasil, a grande vantagem de estar na cozinha é recuperar o poder de escolha.

"Quando o consumidor prepara sua própria refeição, ele tem a possibilidade de adicionar menos sódio, optando por colocar menos sal e usando ingredientes e temperos práticos, mantendo o controle sobre a quantidade que está ingerindo", explica. "E é importante que as pessoas saibam que 1 colher de chá já é a quantidade de sal que ela deveria consumir por dia. Quando aplicamos isso no preparo dos alimentos, é possível perceber se nosso hábito está ou não além da recomendação", destaca Marília.

No entanto, um dos maiores obstáculos para manter essa mudança é o paladar, já que a comida com menos sal é frequentemente rejeitada por ser considerada "sem graça". Para balancear o dilema entre saúde e prazer, a ciência dos alimentos tem atuado no desenvolvimento de soluções que entregam sabor, reduzindo o sódio e mantendo a aceitação.

Estudos demonstram que o uso de ingredientes como o glutamato monossódico, que é o aminoácido glutamato com uma molécula de sódio adicionada, ajuda a realçar o sabor natural dos alimentos. Na prática, substituindo metade do sal que seria adicionado por glutamato monossódico, é possível reduzir em até 37% o sódio de uma preparação. O resultado é um prato com a mesma aceitação sensorial de uma versão preparada apenas com sal, provando que é possível cuidar da saúde sem abrir mão de uma refeição saborosa.