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Carol Neves
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 06:59
A Justiça de São Paulo determinou a retomada da investigação sobre a morte do influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, o PC Siqueira, dois anos após o episódio. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público, que não concordou com a conclusão do inquérito policial de que se tratou de suicídio. >
Entre as medidas determinadas estão a realização de perícias complementares, reconstituição do caso no edifício em que o influencer morava e a oitiva de testemunhas que tiveram contato com ele nas horas que antecederam a morte. A reprodução simulada ocorrerá nesta terça-feira (20), às 10h30, no apartamento de PC, localizado na Rua Baronesa de Bela Vista, no Campo Belo, Zona Sul da capital paulista.>
PC Siqueira morreu em 2023
A ex-namorada, vizinha e síndico do prédio serão intimados para colaborar com a perícia. No entanto, a ex, que mora no Rio de Janeiro e está amamentando um bebê de três meses, não participará da reconstituição. A defesa dela informou que colaborará futuramente, quando possível.>
O Ministério Público destacou dúvidas e contradições em laudos e depoimentos, além da necessidade de reavaliar testemunhos já colhidos. Uma acareação entre a ex-namorada e a vizinha será realizada para esclarecer divergências. Entre os pontos questionados, estão as circunstâncias da morte de PC, que teria ocorrido na frente da ex-namorada dois dias após o término do relacionamento. Ela relatou que o influencer havia consumido medicamentos e cocaína, e tentou, sem sucesso, impedir que ele se matasse.>
A polícia confirmou que, após o episódio, vizinhos acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar. Segundo amigos ouvidos no inquérito, o relacionamento de PC com a ex era conturbado, com discussões que chegavam a ser transmitidas ao vivo nas redes sociais.>
Investigação apontou suicídio>
O inquérito inicial, concluído em outubro de 2025 pelo 11º Distrito Policial de Santo Amaro, havia confirmado a versão de suicídio apresentada pelo Instituto de Criminalística. Laudos apontaram indícios de automutilação e a presença de drogas e medicamentos no organismo, mas os peritos concluíram que não foram esses elementos que causaram a morte.>
De acordo com depoimentos colhidos durante a investigação, PC Siqueira teria cometido o ato na frente da ex-namorada, dois dias após o término do relacionamento. Ela relatou à polícia que, naquele dia, ele havia consumido medicamentos e cocaína, e que, apesar de suas tentativas de impedir a ação, não conseguiu salvá-lo. Em seguida, a mulher saiu para pedir ajuda aos vizinhos, que acionaram o Samu e a PM.>
Advogados da família contestaram o resultado e afirmam que a hipótese de suicídio não pode ser considerada definitiva. “A hipótese de suicídio é contestável. Ela pode ter acontecido, sim, mas também pode ter sido outra coisa”, disse o advogado Caio Muniz ao portal G1. Ele explicou que as linhas de investigação incluem suicídio, instigação ao suicídio e homicídio, e que pessoas próximas, incluindo a ex, podem ser investigadas.>
Geraldo Bezerra da Silva Filho, outro advogado da família, destacou que o Ministério Público atendeu às solicitações da defesa, solicitando novas diligências e a realização da reconstituição dos fatos. Segundo os advogados, é necessário analisar objetos, circunstâncias e elementos que não foram examinados de forma conclusiva nos laudos iniciais.>
PC Siqueira, que tinha 37 anos quando morreu em 27 de dezembro de 2023, foi um dos primeiros criadores de conteúdo digital a alcançar projeção nacional, principalmente no YouTube, além de ter apresentado programas em canais de TV, como a MTV. Francis Null, amigo e produtor do influencer, afirmou que ele havia superado o consumo de álcool e drogas e não acredita que tenha cometido suicídio. “Para mim, não tem outra ideia que não seja possível homicídio”, disse.>
Antes de morrer, PC também esteve envolvido em uma investigação sobre a divulgação de imagens de abuso sexual infantil, após mensagens privadas vazarem em 2020. Laudos posteriores não identificaram material ilícito nos equipamentos dele, e PC sempre negou as acusações. A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi relatado em junho de 2024 e não há mais informações a serem fornecidas.>
Após a morte, a família de PC divulgou nota agradecendo a solidariedade recebida e pediu respeito ao período de luto.>