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Motivação, suspeitos e mais vítimas: o que se sabe sobre técnicos de enfermagem presos por matar pacientes em hospital

Pelo menos três pessoas morreram

  • Foto do(a) author(a) Esther Morais
  • Esther Morais

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 06:58

O que se sabe sobre técnicos de enfermagem presos por matar pacientes em hospital Crédito: PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de ao menos três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Três técnicos de enfermagem foram presos temporariamente suspeitos de aplicar, de forma indevida, um medicamento letal - e, em um dos casos, desinfetante - diretamente na veia das vítimas. O caso é tratado como homicídio e tramita em segredo de Justiça.

Suspeito Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo por Reprodução

O que aconteceu?

Três pacientes morreram após receberem injeções de substâncias aplicadas de forma irregular enquanto estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta. As mortes ocorreram nos dias 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025, mas o caso só veio a público em janeiro de 2026.

Quem são os suspeitos?

Os investigados são três técnicos de enfermagem:

Marcos Vinícios Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, apontado como principal suspeito;

Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos, que estava no primeiro emprego e era treinada por Marcos;

Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, amiga de Marcos e funcionária de outro setor do hospital.

Eles foram presos durante a Operação Anúbis, deflagrada pela Polícia Civil do DF.

O que a polícia aponta como causa das mortes?

De acordo com a investigação, foi aplicado um medicamento de uso comum em UTIs, porém de forma indevida, diretamente na veia, o que pode provocar parada cardíaca. Em um dos casos, a polícia afirma que o principal suspeito também injetou desinfetante na paciente.

Como os crimes teriam sido cometidos?

Segundo a Polícia Civil, o técnico apontado como autor principal se aproveitou de um sistema interno aberto e logado em nome de médicos para prescrever o medicamento, retirá-lo na farmácia do hospital, prepará-lo e aplicá-lo nas vítimas. As outras duas técnicas teriam sido coniventes, auxiliando na obtenção do medicamento e estando presentes no momento das aplicações.

Quais provas sustentam a investigação?

A apuração inclui imagens das câmeras de segurança da UTI, análise de prontuários médicos e oitiva de funcionários do hospital. Também foram apreendidos celulares e dispositivos eletrônicos dos investigados.

Houve confissão?

Segundo a polícia, Marcos Vinícius e Marcela confessaram após serem confrontados com as imagens do circuito interno. Amanda negou participação, mas os investigadores afirmam que as gravações indicam que ela ajudou na prática dos crimes.

Qual teria sido a motivação do crime?

A motivação ainda não foi esclarecida oficialmente. De acordo com investigadores, o principal suspeito apresentou versões vagas e contraditórias ao longo dos depoimentos. Inicialmente, disse que o hospital estava tumultuado e que ele estava nervoso. Em outro momento, afirmou que teria agido para “aliviar o sofrimento” das vítimas. A Polícia Civil segue apurando o real motivo das mortes.

Quem eram as vítimas?

As vítimas são a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, moradora de Taguatinga; o servidor público João Clemente Pereira, de 63 anos, do Riacho Fundo I; e o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, de Brazlândia.

O que diz o hospital?

Em nota, o Hospital Anchieta informou que demitiu os três funcionários, identificou “circunstâncias atípicas” após investigação de um comitê interno e acionou a Polícia Civil. A instituição afirmou ainda que colabora integralmente com as investigações e se solidarizou com os familiares das vítimas.

Pode haver outras vítimas?

Sim. A Polícia Civil informou que a investigação continua para verificar se houve outras mortes com o mesmo padrão em hospitais onde os suspeitos trabalharam, além de apurar a possível participação de outros profissionais.

Qual é a situação atual dos investigados?

Os três técnicos de enfermagem estão presos temporariamente por 30 dias. A polícia segue analisando o material apreendido para esclarecer completamente os fatos e a motivação dos crimes.

Tags:

Envenenamento Hospital