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Carol Neves
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 13:32
A empresária Edna de Almeida Silva ficou cerca de três horas agarrada a um poste para escapar da enxurrada que atingiu Ubá (MG) e conseguiu sobreviver.>
Imagens que circulam nas redes sociais mostram a empresária lutando para se proteger da força da enxurrada em uma das áreas mais atingidas da cidade. De acordo com relatos, a água subiu rapidamente durante a madrugada enquanto ela estava em casa com o marido e o filho. A correnteza invadiu o imóvel e acabou arrastando os três. >
Sem saber nadar e sem ter para onde fugir, Edna foi lançada para fora da residência e conseguiu se agarrar a um poste próximo. Ela permaneceu cerca de três horas segurando-se à estrutura até ser resgatada com o apoio de vizinhos e da mobilização local.>
Em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo, ela afirmou: “Ouvi um estrondo e a água me derrubou. Fiquei submersa, e não sei nadar. Só tampei meu nariz com o dedo e pedi a Deus para não deixar eu morrer afogada, e salvar meu filho e marido”, disse, emocionada.>
Segundo o relato da empresária, por volta de 1h um vizinho telefonou avisando que a rua estava enchendo. Cerca de meia hora depois, já era tarde: a água havia tomado completamente a casa. Objetos começaram a cair com a força da correnteza - geladeira, fogão e móveis foram derrubados - e a porta e o portão travaram, impedindo a saída.>
Enquanto o marido acionava bombeiros e a Defesa Civil, o nível da água continuava subindo. Ela contou que, por ser mais baixa, quando a água atingiu o peito, acabou sendo levada pela força da correnteza. Em meio à escuridão e aos movimentos da água dentro da casa, percebeu um objeto arredondado e concluiu que se tratava de um poste. Foi quando se agarrou à estrutura.>
Durante o tempo em que ficou presa, ela relatou que precisou “escalar” objetos fixados ao poste para conseguir manter a cabeça fora d’água. Enquanto gritava por socorro, viu pertences e até suas cadelinhas sendo levadas pela enxurrada. O filho conseguiu se proteger segurando-se a uma grade. Já o marido, identificado como Luciano, foi arrastado pela água e ainda não foi localizado.>
“Mas a água continuou subindo, chegou no pescoço e eu pensando que, se não morresse afogada, eu ia morrer eletrocutada”, contou.>
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Um vizinho conseguiu lançar uma corda para ajudá-la a permanecer segura até que o nível da água começasse a baixar, já nas primeiras horas da manhã. Após o resgate, ela apresentou hematomas, dores no corpo e um galo na cabeça, mas não teve ferimentos graves.>
Por volta das 6h, quando a água recuou, Edna deixou o poste e foi até a casa de uma vizinha para tomar banho e se recuperar. Foi nesse momento que percebeu a dimensão das perdas. Ao olhar pela janela, viu que a própria residência havia desabado. Avizinha ajudou, ofereceu banho e roupas limpas, e até um tênis emprestado, já que seus pés estavam machucados. Ao chegar ao restaurante onde trabalha - fonte de sustento dela e de outras cinco famílias - constatou que praticamente nada havia restado.>
As equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil seguem com buscas por desaparecidos nas áreas afetadas. As enchentes em Ubá e nas cidades vizinhas ocorreram em meio a índices de chuva acima da média histórica, levando autoridades a ativarem planos de contingência para enfrentar os impactos dos temporais.>