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Wladmir Pinheiro
Carol Neves
Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 08:42
O salário mínimo nacional passa a ser de R$ 1.621 a partir desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, segundo o Decreto nº 12.797, publicado nesta quarta-feira (24) no Diário Oficial da União e assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O reajuste de R$ 103 em relação ao valor atual, de R$ 1.518, afeta diretamente trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais atrelados ao piso, como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que já terão o valor atualizado nos pagamentos de fevereiro. >
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo é referência para 59,9 milhões de pessoas no país, incluindo quem recebe múltiplos do piso, aposentadorias e benefícios sociais. O reajuste também influencia o poder de compra e o rendimento médio dos brasileiros.>
O novo valor resulta da combinação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 4,18% acumulados em 12 meses até novembro, com um ganho real de 2,5%, limitado pelo teto de gastos previsto no arcabouço fiscal. Sem a política de valorização real, o piso teria sido reajustado apenas pela inflação, chegando a cerca de R$ 1.582.>
A política de valorização do salário mínimo leva em conta o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores, mas, neste cálculo, o aumento real foi limitado a 2,5%, resultando no valor final de R$ 1.621.>
Previsto na Constituição, o salário mínimo corresponde à menor remuneração permitida para trabalhadores formais urbanos e rurais, com o objetivo de assegurar condições básicas de subsistência, como moradia, alimentação, saúde, educação, lazer e previdência. Ainda assim, segundo o Dieese, em novembro de 2025 o valor necessário para sustentar uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.067,18, o equivalente a 4,66 vezes o piso nacional.>
O reajuste terá impacto relevante nas contas públicas. A cada R$ 1 de aumento do salário mínimo, as despesas obrigatórias do governo federal crescem cerca de R$ 420 milhões. Com o acréscimo de R$ 103 para 2026, a estimativa é de um aumento aproximado de R$ 43,2 bilhões nos gastos com benefícios previdenciários, seguro-desemprego e abono salarial, reduzindo a margem para despesas discricionárias.>