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Carol Neves
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 11:08
A Polícia Federal informou ao ministro Alexandre de Moraes que não é possível eliminar nem reduzir de forma significativa o barulho do sistema de ar-condicionado que atinge a cela onde está custodiado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na Superintendência da PF em Brasília. Segundo a corporação, qualquer intervenção exigiria mudanças estruturais inviáveis no momento. >
No ofício enviado na quarta-feira (7), assinado pelo delegado regional Maurício Rocha da Silva, a PF reconhece a existência de ruído contínuo no ambiente, mas ressalta que a cela está localizada ao lado de áreas técnicas responsáveis pela climatização de todo o prédio. “Em razão dessa proximidade com as áreas técnicas, há nível de ruído no ambiente. Contudo, é importante destacar que não é possível eliminar ou reduzir significativamente esse ruído por meio de medidas simples, ou pontuais”, afirma o documento.>
Bolsonaro toma queda em cela
A corporação também descarta a possibilidade de transferir Bolsonaro para outro local. De acordo com o ofício, “não há, no momento, alternativa física que atenda às exigências de segurança institucional para instalação de Sala de Estado-Maior”. A PF acrescenta que reformas como isolamento acústico, alteração de layout ou substituição de equipamentos não seriam viáveis, pois demandariam paralisação prolongada do sistema de climatização, afetando o funcionamento da superintendência.>
As explicações foram solicitadas após Moraes cobrar esclarecimentos da Polícia Federal diante das queixas apresentadas pela defesa do ex-presidente. Os advogados alegam que o barulho constante compromete as condições mínimas de descanso. “O ruído persiste sem interrupção, durante as 24 horas do dia, gerando ambiente incompatível com o repouso mínimo necessário à manutenção das condições físicas e psicológicas do custodiado, configurando situação que ultrapassa o mero desconforto e passa a caracterizar perturbação contínua à saúde e integridade do preso”, sustentam.>
O filho do ex-presidente, Carlos Bolsonaro (PL), também se manifestou sobre a situação e afirmou que o pai “sobrevive em um cubículo de 8 metros quadrados, com ar-condicionado central ligado e colado à parede de seu quarto o perturbando o dia inteiro”.>
Mesmo reconhecendo o incômodo, a Polícia Federal mantém a posição de que não há solução técnica imediata que permita reduzir o ruído sem comprometer a segurança institucional e as atividades do prédio em Brasília.>